Morre Sergio Mamberti, um dos maiores atores do Brasil, aos 82 anos

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

O Brasil perde um de seus maiores atores de todos os tempos. Morreu, na madrugada desta sexta-feira (3), o ator Sérgio Mamberti, aos 82 anos, em São Paulo. Ele estava internado novamente, por conta da piora de uma pneumonia, e não resistiu a uma infecção nos pulmões, sofrendo falência múltipla dos órgãos.

O artista lançou neste ano sua biografia, Sergio Mamberti, Senhor do Meu Tempo, pelas Edições Sesc. Além do livro, durante a quarentena, ele se manteve ativo nos palcos digitais, participando do espetáculo Novo e Normal e do lançamento da SP Escola de Teatro Digital. Ele nasceu em Santos, em 22 de abril de 1939.

Veja entrevista de Miguel Arcanjo Prado com Sergio Mamberti em 2018 para o Talk TV:

O ator Sérgio Mamberti completa 82 anos e lança biografia Sérgio Mamberti: Senhor do Meu Tempo - Foto: Matheus José Maria/Divulgação - Blog do Arcanjo 2021
O ator Sérgio Mamberti ao completar 82 anos e lançar a biografia Sérgio Mamberti: Senhor do Meu Tempo – Fotos: Matheus José Maria/Divulgação – Blog do Arcanjo 2021

O ator era amado por diversas gerações por conta do personagem Doutor Victor, do infantil Castelo Rá-Tim-Bum, cujo bordão era “Raios e trovões”. Nas novelas, um de seus personagens mais marcantes foi o mordomo Eugênio, funcionário da vilã Odete Roitman (Beatriz Segal) na novela Vale Tudo, de 1988. Também fez novelas como Anjo Mau, O Profeta e Flor do Caribe, O Clone, A Vida da Gente e Sol Nascente, na Globo, além de filmes como Hora da Estrela, Toda Nudez Será Castigada e infantis como Xuxa Abracadabra, O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili e Castelo Rá-Tim-Bum, O Filme.

Sergio Mamberti em dois momentos na TV: em 1988 como o mordomo Eugênio de Vale Tudo e na década de 1990 como Doutor Victor em Castelo Rá-Tim-Bum: admirado por gerações - Fotos: Divulgação/Globo e TV Cultura - Blog do Arcanjo
Sergio Mamberti em dois momentos na TV: em 1988 como o mordomo Eugênio de Vale Tudo e na década de 1990 como Doutor Victor em Castelo Rá-Tim-Bum: admirado por gerações – Fotos: Divulgação/Globo e TV Cultura – Blog do Arcanjo

Filiado ao Partido dos Trabalhadores, Mamberti ainda foi presidente da Funarte durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi grande amigo. Com trajetória ilibada, o artista sempre foi respeitado por toda a classe e pelo público, independente temente de questões políticas.

O ator Sergio Mamberti e o diretor Zé Celso no Ato Cultura pela Democracia no Teat(r)o Oficina, em São Paulo – 4/4/2016 – Foto: Jennifer Glass/Fotos do Ofício/Divulgação

Mamberti foi casado duas vezes: a primeira com Vivian Mahr, seu primeiro grande amor, por 16 anos, com quem teve três filhos, Duda Mamberti, Fabrício Mamberti e Carlos Mamberti. Em 1980 ficou viúvo pela primeira vez. Depois, teve como marido Ednaldo Torquato, que morreu em 2019, após 37 anos de um novo amor, como contou em sua biografia, na qual falou abertamente sobre sua bissexualidade.

Sergio Mamberti no camarim da peça O Ovo de Ouro em 2019 – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do Arcanjo

Sua últimas peças no teatro, onde estreou com O Inoportuno, em 1964 dirigido por Antonio Abujamra e depois fez Navalha na Carne, em 1968, foram Visitando o Senhor Green, de 2015 a 2019, Um Panorama Visto da Ponte, em 2018, que lhe fez vencer o Prêmio APCA, e O Ovo e a Serpente, em 2019.

Em 2019, Sergio Mamberti recebeu o Prêmio Arcanjo de Cultura na categoria Especial ao lado de sua prima, Fernanda Montenegro, a quem representou no palco do Theatro Municipal de São Paulo, quando foi aplaudido de pé, como um dos maiores atores do Brasil, posto no qual seguirá vivo no coração do público que o amou profundamente.

O ator Sérgio Mamberti lança biografia: na foto, ele está no 1º Prêmio Arcanjo de Cultura, em 2019, quando recebeu o Prêmio Especial - Foto: Edson Lopes Jr. - Blog do Arcanjo 2021
O ator Sérgio Mamberti no 1º Prêmio Arcanjo de Cultura, em 2019, quando recebeu o Prêmio Especial aplaudido pelo Theatro Municipal – Foto: Edson Lopes Jr. – Blog do Arcanjo 2021

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O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo de Cultura, Melhores do Ano Blog do Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor dos Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil. Foto: Edson Lopes Jr.
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