Em O Astronauta, Eriberto Leão vê humanidade à deriva: ‘Foi profético’

Por Miguel Arcanjo Prado
e Saulo Schmaedecke

Neste começo de 2021, o ator Eriberto Leão está de volta com sua peça de teatro digital, O Astronauta, texto de Eduardo Nunes dirigido por José Luiz Jr. Inspirada no clássico filme 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, a obra de tons filosóficos aborda questões existenciais do homem e sua relação com a natureza e o universo ao seu redor.

O Astronauta pode ser visto até 17 de janeiro, sextas, 20h, e sábados e domingos, 18h, com ingressos pela Sympla, transmitido direto do palco do Teatro Firjan Sesi Centro, no Rio.

O artista, que está escalado para a próxima novela das 18h da Globo, Além da Ilusão, conversou com exclusividade com os jornalistas Miguel Arcanjo Prado e Saulo Schmaedecke para o Blog do Arcanjo sobre o espetáculo e as discussões que ele levanta. A entrevista é publicada justamente neste sábado (9), no qual se comemora o Dia do Astronauta.

Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – O mergulho tecnológico em 2020 por conta da pandemia lhe influenciou nesta peça? Como?
Eriberto Leão – Esse mergulho tecnológico, por conta da pandemia, potencializou ainda mais o conceito do nosso espetáculo, que trata exatamente da solidão e da comunicação a distância (e que distância!) de um astronauta, patrocinado por uma rede social, que parte para uma viagem espacial que será acompanhada por todos na Terra. Esse alinhamento com o que estamos vivendo, nos leva a certeza de que a sincronicidade viaja ao nosso lado, nessa jornada espacial. E isso influencia absurdamente o resultado final , pois há uma verdade gigantesca no que estamos fazendo. Como se fosse uma missão mesmo. O Eduardo Nunes escreveu esse texto há mais de dois anos. Ele foi profético.

Saulo Schmaedecke – Como estão seus ânimos para decolar esta nova temporada da peça neste ano que começa?
Eriberto Leão – Nas alturas [risos]. Estamos muito felizes por termos encontrado uma linguagem híbrida, transitando entre o teatro e o cinema.

Miguel Arcanjo Prado – Como é ser ator no espaço digital? O que muda e o que é igual?
Eriberto Leão –
Ser ator de Teatro no espaço digital é um grande desafio. Não ter o público presencialmente modifica tudo, já que o Teatro só existiria com a troca em tempo real entre atores e plateia. Ao mesmo tempo, se estamos em um palco, em um teatro, estamos também fazendo Teatro. Será uma nova arte? Não sabemos. Tudo muda, mas continuamos fazendo nossa arte ancestral através da tecnologia digital.

Saulo Schmaedecke – Qual foi o ponto de partida para contar essa história no teatro digital? Como é atuar nesse novo cenário?
Eriberto Leão –
Com a pandemia, tivemos que nos metamorfosear digitalmente e tudo fez muito sentido, já que se trata de uma peça de ficção científica. É muito diferente, muito impactante. Mas tendo uma visão proativa podemos usar esse cenário tão difícil de uma forma extremamente criativa.

Saulo Schmaedecke – Já que está fazendo um astronauta nos palcos digitais, quais personalidades você destaca na jornada científica da astronomia?
Eriberto Leão –
Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e claro, Einstein.

Miguel Arcanjo Prado – Qual a mensagem mais importante deste espetáculo na sua opinião?
Eriberto Leão –
A mensagem mais importante, a que mais me toca, é que uma viagem espacial é também uma viagem interior e o universo pode realmente ser mental como defende um princípio hermético da alquimia medieval,  (“O Todo é Mente; o Universo é Mental.” ) que nem sonhava com a possibilidade de viajarmos literalmente pelo espaço sideral através dos avanços tecnológicos da humanidade. E esse mergulho interior também nos reconecta com a própria Terra, nossa grande mãe.

Saulo Schmaedecke – O isolamento social é vivido pelo público e também o protagonista de O Astronauta. Como você enxerga esse ponto em comum?
Eriberto Leão –
Enxergo como uma grande sincronicidade que conecta a peça com o público de uma forma arrebatadora.

Saulo Schmaedecke – Quais as melhores maneiras de viajar dentro de casa? Quais músicas, filmes ou artistas são boas companhias para quando ficamos no vácuo?
Eriberto Leão –
Através da arte, sem dúvida. Os livros, por exemplo, nos transformam em andarilhos das estrelas. São tantas possibilidades de músicas e filmes que fica difícil apontar todos. Mas Interestelar e 2001 – Uma Odisseia no Espaço são sensacionais para refletirmos sobre nosso papel na Terra.

Miguel Arcanjo Prado – Qual o seu maior desejo para 2021?
Eriberto Leão –
Meu maior desejo é que haja um grande aprendizado após vencermos a pandemia com o advento das vacina. E que possamos nos abraçar novamente.

Retire seu ingresso para ver Eriberto Leão em O Astronauta

Fotos: Emmanuelle Bernard/Divulgação.
Agradecimentos: Stella Stephany e João Pontes, da JS Pontes Comunicação.

+ Artes, Cultura e Entretenimento

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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