CineOP retoma presencial com 151 filmes em Ouro Preto e destaque indígena de 22 a 27 de junho

CineOP aposta no cinema indígena em sua 17ª edição em Ouro Preto: cena do filme Nosso Espíritos Seguem Chegando – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

ENVIADO ESPECIAL A OURO PRETO – Foram dois anos sem exibição de filmes em suas praças e salas centenárias de Minas Gerais. De volta ao presencial, a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega à 17a edição com uma farta programação de 151 filmes de 22 a 27 de junho, na cidade histórica mineira. E o melhor: a programação é grátis, sob realização da Universo Produção, sob comando de Raquel Hallak.

Serão exibidos 20 longas, 14 médias e 117 curtas-metragens, vindos de 8 países (Brasil, Argentina, Bolívia, EUA, Israel, Peru, Rússia, Uruguai) e de 21 estados brasileiros (AC, AL, AM, AP, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MT, PA, PB, PE, PR, RJ, RR, RS, SC, SP). Esse verdadeiro conglomerado fílmico será distribuído em oito mostras: Contemporânea, Homenagem, Preservação, Histórica, Educação, Mostrinha e Cine-Escola.

Os seis dias de evento audiovisual ainda terão debates, seminários e atividades complementares que dialoguem diretamente com a experiência dos filmes.

Mais uma vez, as exibições vão ser no Centro de Artes e Convenções e na Praça Tiradentes, em Ouro Preto, e também online, no site do evento: cineop.com.br

CineOP em Ouro Preto – Foto: Alexandre C. Mota/Universo Produção – Blog do Arcanjo

Destaques da programação

MOSTRA HISTÓRICA

A Mostra Histórica traz o tema “Cinemas Indígenas: Memórias em Transmissão”, sob curadoria de Cleber Eduardo, que selecionou os títulos nas seguintes sessões: Políticas da imagem e terras em disputa, que inclui filmes como “Já me Transformei em Imagem” (Zezinho Yube, 2008) e “Zawxiperkwer Ka’a – Guardiões da Floresta” ( Jocy Guajajara e Milson Guajajara, 2019); e Mitos, espíritos e a vida, que conta com trabalhos como “Nguné Elu: O Dia em que a Lua Menstruou” (Takumã Kuikuro, Maricá Kuikuro, 2004) e “Watoriki Xapiripë Yanopë: Casa dos Espíritos” (Morzaniel Iramari, Dário Kopenawa, 2010). A programação inclui homenagem à dupla de cineastas M’bya Guarani: Kuaray (Ariel Ortega) e Pará Yxapy (Patrícia Ferreira) inclui diversos filmes realizados por eles, incluindo os títulos da abertura oficial, na noite de 23 de junho: “Bicicletas de Nhanderú” (2011) e o curta-metragem “Nossos Espíritos Seguem Chegando – Nhe’e Kuery Jogueru Teri” (2021).

Cena do documentário São Paulo em Hi Fi, de Lufe Steffen, que desvenda passado da noite gay paulistana – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

MOSTRA PRESERVAÇÃO

Os filmes da Mostra Preservação, sob curadoria de Fernanda Coelho e Daniela Siqueira, tem a temática “Memória audiovisual no Brasil: resistência e resiliência no tempo”. E traz os filmes “Viagem a Manaus” (título atribuído, direção desconhecida); “São Paulo em Hi-Fi” (Lufe Steffen, 2013), que resgata histórias das noites gays em São Paulo nas décadas de 1960, 1970 e 1980 e a relação com a ditadura e a explosão do vírus HIV; e “Cine Marrocos” (Ricardo Calil, 2021), no qual tem-se a história de sem-teto, refugiados africanos e imigrantes latino-americanos que ocuparam o prédio de um antigo cinema do centro de São Paulo e o processo artístico que os transformou em estrelas de cinema. Por fim, há a sessão especial de “História da Guerra Civil” (Dziga Vertov, Nikolai Izvolov, 1921-2021), que recupera um dos filmes perdidos da Rússia pós-revolução e dirigido por um de seus maiores nomes. Conecta-se ainda a essa exibição o case de restauro online: A Guerra Civil na Rússia pela Câmera de Dziga Viértov e o Restauro do Filme 100 Anos Depois – com Nikolai Izvolov, responsável pela organização, reconstituição e restauração da obra.

MOSTRA EDUCAÇÃO

A Mostra Educação, sob curadoria de Adriana Fresquet e Clarisse Alvarenga, aproxima o cinema ameríndio dos processos educacionais num momento de “audiovisualização da vida”. Um dos destaques é a série “La Combi del Arte: Dicionários Audiovisuais Comunitários”, desenvolvido pela convidada peruana Teresa Castillo com o objetivo de revitalização das línguas indígenas. A presença do documentarista e professor boliviano Miguel Hilari inclui na CineOP alguns de seus trabalhos mais essenciais: “O Curral e o Vento” (2014), que se conecta à origem aymara do cineasta por meio de imagens e sons que evocam o tempo e espaço andinos; e “Companhia” (2019) e “Bocamina” (2020), de clara inspiração nas suas origens e na defesa da educação do campo. Ainda conectada a atividades extras ­– no caso, a masterclass da professora e realizadora argentina Aldana Loiseau sobre processos de criação envolvendo a técnica da animação, em que os elementos a serem animados estão vinculados à terra –, haverá também as sessões de filmes Tierra Animada e Pacha: Somos Barro, que mostram seus trabalhos em stop motion.

MOSTRA CONTEMPORÂNEA

Os filmes da Mostra Contemporânea tiveram curadoria de Camila Vieira, a partir de mais 1.000 curtas inscritos e 57 médias, dos quais estarão em Ouro Preto 28 curtas e um média, incluindo três sessões na Praça, espaço tradicional das exibições na CineOP. Numa relação com a temática geral do evento, a curadoria selecionou, em especial para a praça, documentários em torno de personagens que contam a história de um lugar ou de lutas, como “Santo Rio” (Lucas de P. Oliveira e Guilherme Nascimento), que resgata São Sebastião do Soberbo, comunidade destruída para a construção da Usina Hidrelétrica Candonga, em Minas Gerais. Ou “Central de Memórias” (Rayssa Coelho e Filipe Gama), sobre quatro mulheres sobre um bairro de Vitória da Conquista (BA) e o encontro com o universo do cinema nos anos 1990.

Registros domésticos também estão na tela, como “Sei que é Tudo Memória” (Nathália Oliveira), no qual a diretora  faz um processo de luto e afirmação da vida a partir da morte dos pais; e “O Lugar que Somos” (San Marcelo), em que a personagem se vê num dilema, após ser demitida, entre o sonho de ser dançarina profissional ou ficar perto da família e enfrentar os problemas diários agravados pela condição física da mãe.

Na programação online, o conceitual domina, como na sessão Preservar a História e seus Registros, composta por cinco curtas-metragens: “Quem de Direito”, de Ana Galizia; “Ressaca”, de Andrea França; “Ensaio sobre Abismos ou as Imagens que Resgastei de Algum Lugar da Minha Mente”, de Rafael Luan; “Carta para Glauber”, de Gregory Baltz; e “Cinzas Digitais”,  de Bruno Christofoletti Barrenha.

TV UFOP

Novamente em parceria com a TV UFOP, a 17a CineOP conta ainda com duas sessões de curtas brasileiros realizados em universidades, escolas de cinema ou núcleos de formação em audiovisual, apresentados na plataforma do evento e na grade da TV Ufop.

Crianças de Ouro Preto assistem a filme na CineOP – Foto: Leo Lara/Universo Produção – Blog do Arcanjo

CINE-ESCOLA E MOSTRINHA

Espaço de confraternização e aprendizado entre estudantes a partir do cinema, o Cine-Escola segue no objetivo de formação de novos públicos e olhares para a produção. As sessões contêm curtas adequados para cada uma das faixas etárias montadas na seleção: entre 5 e 7 anos; de 8 a 10 anos; e entre 11 e 13 anos. A sessão Mostrinha tem objetivo similar, incluindo pais e familiares que estejam em Ouro Preto para poderem acopmpanhar a programação com os pequenos. Esse ano o filme será “Poropopó”, de Luis Antonio Igreja, acompanhado de um show de mágica com a Família Kradyn.

*O Blog do Arcanjo viajou a convite da CineOP. Colaborou David Godoi.

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O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo de Cultura, Melhores do Ano Blog do Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor dos Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil. Foto: Edson Lopes Jr.
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