Festival Satyrianas volta à Praça Roosevelt de 2 a 5/12: veja programação

Maior maratona artística da capital paulista retoma o presencial, mantendo o híbrido, para reunir artistas na Praça Roosevelt e em lugares espalhados pelo Brasil e pelo mundo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Vai começar a maior festa das artes de São Paulo e que agora extrapola as fronteiras da maior metrópole do país. O Festival Satyrianas acontece de 2 a 5 de dezembro com realização da Cia. de Teatro Os Satyros e o tema Onde o Tempo Não Para. A abertura está marcada para 18h desta quinta (2) na Praça Roosevelt, centro efervescente do teatro brasileiro. O título da edição 2021 se inspira na canção Cazuza O Tempo Não Para e marca a retomada de atividades presenciais no evento, que foi feito de modo digital em 2020, quando recebeu o Prêmio Arcanjo de Cultura.

“Como o tempo não para e nós vamos sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem nos detesta, a Satyrianas 2021 vai permitir ao público da cidade a oportunidade de assistir a espetáculos presenciais, tanto nos teatros quanto em espetáculos e performances realizados na rua e na praça Roosevelt”, informam Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, fundadores do Satyros em 1989. O grupo acaba de reabrir seu emblemático Espaço dos Satyros na Praça Roosevelt 214, com a peça Aurora, que está na programação do evento.

Artistas da Satyrianas 2021 – Fotos: Divulgação – Blog do Arcanjo

Satyrianas 2021 tem 78 horas de arte com 385 atrações de 15 Estados e 6 países

São 385 atrações de 15 estados brasileiros e 6 países, em 78 horas ininterruptas de programação totalmente gratuita, contando com espetáculos de teatro, dança, música, circo, mostra de cinema, performances, podcasts, show de variedades, fotografia, literatura, encontros e debates.

Artistas nacionais de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraíba, Santa Catarina, Paraná, Tocantins, Goiás e Maranhão e internacionais da Alemanha, França, Índia, Itália, México e Suécia.

Numa parceria com a Secretaria de Esportes e a Virada Esportiva, Satyrianas terá seu dia de Gambito da Rainha na Praça Roosevelt, quando a enxadrista campeã brasileira Julia Alboredo vai enfrentar simultaneamente os 15 melhores adversários da seletiva online.

O festival marca a retomada das atividades do Parlapatões com a estreia do espetáculo inédito Yérus Halem, de Hugo Possolo.

Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, do Satyros, criam o Festival Dramaturgias em Tempo de Isolamento - Foto: Silvana Garzaro - Blog do Arcanjo
Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, idealizadores do Festival Satyrianas, da Cia. de Teatro Os Satyros – Foto: Silvana Garzaro – Blog do Arcanjo

A Satyrianas ainda conta com o apoio da vizinha SP Escola de Teatro, onde acontecerá o Dramamix, que revela novos textos dramatúrgicos e uma programação especial para a dança no DançaMix. Outro destaque é a presença do histórico CineBijou, onde será entregue o Prêmio do Festival SatyriCine, realizado pela primeira vez neste ano.

“Sem repetir o passado, outra novidade desta edição será seu formato híbrido, com espetáculos presenciais físicos e digitais, permitindo a participação de artistas e públicos de todo o país e inclusive de fora do país”, avisa a trupe. Estão previstos espetáculos circenses, contação de história, teatro adulto e infantil no Satyrianinhas, além de shows no SatyriSom, esporte, literatura, performance PerforMix, pets no SatyriBichos, recorte trans na SatyriTrans e programação focada na arte negra no SatyriBlack, além do concorridíssimo show de boate.

O ator Gustavo Ferreira, coordenador geral da Satyrianas, no camarim da peça Aurora, do Satyros, que está na programação do festival – Foto: Bob Sousa – Blog do Arcanjo

Eles ainda seguem com sua filosofia do encontro em qualquer formato. “Como o tempo não para e o espaço não tem limites, finalmente, a Satyrianas terá uma série de palcos, espalhados pelo país e no exterior, o que dará uma dimensão muito mais abrangente de sua programação”, informa Gustavo Ferreira, coordenador geral do evento. “Espetáculos presenciais poderão ser assistidos pelo público de cidades como Cuiabá, em Mato Grosso, e Vitória, no Espírito Santo”, acrescenta o coordenador geral.

Ivam Cabral, fundador da Cia. de Teatro Os Satyros ao lado do diretor Rodolfo García Vázquez, com quem idealizou a Satyrianas, lembra que “a edição deste ano será marcada pelo debate da importância da arte como uma arena de discussão política”, e cita a canção que titula o evento, ao ressaltar que isso ocorre “em um momento as ideias não correspondem aos fatos, vamos discutir as piscinas cheias de ratos, trazendo luz sobre as trevas que nos envolvem”. Ao que Rodolfo García Vázquez complementa: “Para assim nos tornarmos novos brasileiros”.

Festival Satyrianas de 2014 – Foto: Eduardo Enomoto – Blog do Arcanjo

Programação Satyrianas 2021

Por dia

Quinta, 02/12

Sexta, 03/12

Sábado, 04/12

Domingo, 05/12

Por temática

Bate-papos e Lives

Cinema – SatyriCine

Circo

Contação de História

Dança – DançaMix

Esportes

Literatura

Música – Satyrisom

Oficinas e Workshops

Performance  – PerforMix

Projetos – A Vida no Centro

Projetos – Cia Base

Projetos – Conexões Internacionais

Projetos – Gambiarra

Projetos – Intercâmbio Off Mostra de Teatro de Grupo de Vitória/ES

Projetos – Giostri

Projetos – Olhares

Projetos – Programação Mato Grosso na Satyrianas

Projetos – Roberto Francisco: Deus em Mutação

Projetos – SatyriBichos

Projetos – SatyriBlack

Projetos – SatyriTrans

Projetos – Satyros na Satyrianas

Projetos – Show de Boate

Teatro – DramaMix

Teatro – Teatro Adulto

Teatro – Teatro Satyrianinhas

Por Espaço

Espaço Cia do Pássaro (SP)

Curso Ator (SP)

Espaço Parlapatões

Espaço dos Satyros (SP)

Estúdio NU

Nano Teatro (SP)

Praça Roosevelt

Presidenta Bar e Espaço Cultural

Programação Digital

Satyros Bijou

SP Escola de Teatro (SP)

Teatro Garagem (SP)

Teatro Giostri (SP)

Vai-Vai agita Satyrianas na praça Roosevelt em 2015 – Foto: Noelia Nájera/Coletivo Fotomix – Blog do Arcanjo

Histórico do Festival Satyrianas

As Satyrianas teve início com o nome de “Folias Teatrais”, um evento em saudação à primavera. Em 1989, Os Satyros, então uma jovem companhia, manteve o Teatro Bela Vista que administrava aberto ininterruptamente durante 4 dias e 4 noites. Aquela edição histórica pontuou a resistência da cultura naquele difícil momento nacional. Durante o evento, Os Satyros receberam, em seu espaço, centenas de artistas de diversos lugares do país, das áreas de artes plásticas, teatro, dança, música, jornalismo e literatura.

Desde a sua chegada à Praça Roosevelt, em 2000, o grupo realiza, no início da primavera, a maratona cultural que, durante 78 horas ininterruptas, oferece inúmeras atividades artísticas de acesso livre, com entrada gratuita ou ao valor de ingresso consciente (“pague o quanto puder”), aos moradores da cidade. 

Em suas últimas edições, as Satyrianas contou, em média anual, com a participação de mais de 5 mil artistas, ofereceu 600 atrações e atingiu um público de cerca de 50 mil espectadores.

A partir de 2009, o evento passou a integrar o Calendário Oficial do Estado de São Paulo, pela lei 13.750/09. 

No ano de 2013, Os Satyros receberam o Prêmio Shell na categoria Inovação, “pela projeção, permanência e abrangência do evento ‘Satyrianas’ na condição de fenômeno histórico-artístico e social”. O festival também rendeu à Companhia, em 2007, o Prêmio Especial da Crítica da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e, em 2014, o Prêmio Aplauso Brasil na categoria Destaque, além do Prêmio Arcanjo de Cultura em 2020.

Em 2019, as Satyrianas comemoraram os seus 20 anos de existência, consolidando alguns de seus inúmeros projetos: o Satyricine, que traz, para o festival, filmes, curtas e documentários alternativos fora do circuito tradicional; o Autopeças, que traz peças curtas apresentadas em veículos automotivos, parados ou em circulação; Ouvi Contar, que traz leituras dramáticas em apartamentos; e, finalmente, o Dramamix, que traz novos textos de dramaturgos consagrados ou novas apostas, encenados por grandes diretores e atores do teatro brasileiro.

O objetivo do festival era disseminar o acesso à cultura e às artes por toda a cidade, porém, já ganhou caráter internacional. Nos últimos anos, as Satyrianas recebeu artistas e espectadores de diversos estados brasileiros, com mais frequência do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Santa Catarina, Bahia e Amazonas; além de intercâmbios culturais promovidos pelo evento com instituições da Suécia, Finlândia, Portugal e Croácia. 

Em 2012, o festival virou filme nas mãos dos diretores Otávio Pacheco, Daniel Gaggini e Fausto Noro, que homenagearam o evento, já considerado um dos mais importantes da América Latina, no docuficcional “Satyrianas, 78 Horas em 78 Minutos”. O longa, que foi lançado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, traz depoimentos de nomes como Aimar Labaki, Zé Celso Martinez, Marici Salomão, Rubens Ewald Filho, entre tantos outros, acerca do Festival. 

As atividades que compõem a programação do festival são organizadas por curadorias especializadas em cada setor (teatro, dança, cinema, circo, performance, música e projetos especiais), além de convites direcionados, o evento abre inscrições  por chamamento público a cada edição. 

Já participaram do evento, diversas personalidades das artes cênicas, música, literatura e cinema, como: Paulo Autran, Contardo Calligaris, Mariana Ximenes, Antônio Fagundes, Raul Cortez, Bárbara Paz, Maria Adelaide Amaral, Gianfrancesco Guarnieri, Débora Bloch, Diogo Vilella, Xuxa Lopes, Elias Andreato, Silvia Popovic, Eliane Robert Moraes, Moacyr Góes, Zé Renato, Guilherme Weber, Lauro César Muniz, Ney Matogrosso, Laís Bodanzky, Thiago Fragoso, Barbara Bruno, Marcelo Rubens Paiva, Ana Cañas, Petrônio Gontijo, Rubens Ewald Filho, Karina Buhr, Gero Camilo, Walcyr Carrasco, As Baías, Cynthia Falabella, Sérgio Guizé, Tulipa Ruiz, Mika Lins, Zé Celso Martinez, Rubens Rewald, José Carlos Machado, entre outros.

A programação acontece em diversos espaços culturais da cidade de São Paulo, com base instalada na Praça Roosevelt, que se tornou grande polo e referência de desenvolvimento artístico. 

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O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo de Cultura, Melhores do Ano Blog do Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor dos Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil. Foto: Edson Lopes Jr.
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