Morre Alicinha Cavalcanti, promoter dos famosos que fez história nos eventos do Brasil

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Morreu a promoter Alicinha Cavalcanti, uma das grandes relações públicas do mercado do entretenimento no Brasil, nesta segunda (2), vítima de complicações de esclerose lateral amiotrófica, doença rara que foi diagnosticada havia quatro anos. Nascida no Rio de Janeiro em 16 de novembro de 1962, ela tinha 58 anos e vivia em São Paulo, cidade que a adotou e onde fez sucesso com suas listas VIP em estreias, festas e outros eventos badalados. A morte foi confirmada pela jornalista Astrid Fontenelle, que era amiga de Alicinha.

Muito bem relacionada no meio artístico, Alicinha ficou conhecida por promover eventos, sobretudo em São Paulo e no Rio, com a presença VIP de celebridades. Rezava a lenda que seu mailing tinha 17 mil nomes, todos poderosos ou famosos. Um dos destaques da carreira eram suas disputadas listas de convidados para camarotes carnavalescos. Ela sempre tratava muito bem a imprensa em seus eventos e buscava dar um jeito de fotógrafos e jornalistas realizarem seu trabalho, mesmo quando havia famosos mais resistentes em atender a imprensa.

Doença rara

Por conta da evolução da doença, nos últimos anos de vida, Alicinha precisou de assistência médica 24 horas por dia, e amigos fizeram uma campanha para arrecadar fundos ao seu tratamento. Ela foi cuidada até o fim pelo marido, o médico Rodrigo Biondi. Doença rara, a esclerose lateral amiotrófica é uma enfermidade degenerativa que afeta diferentes partes do cérebro, incluindo nervos e neurônios que, aos poucos, vão perdendo a capacidade de enviar os impulsos elétricos que saem do cérebro em direção ao corpo.

“Uma operária”

Apesar de ter na agenda os contatos das principais celebridades brasileiras, Alicinha Cacalvanti não se considerava famosa: “Sou uma operária”, gostava de se definir.

Carioca que se tornou paulistana do coração, ela gostava de jogar jiu-jítsu, ler poesias de James Joyce e pilotar sua moto possante. Ela começou no mercado das festas em 1983, quando foi convidada para ser relações públicas do aniversário de 20 anos da boate Gallery, de José Victor Oliva, a quem considerava padrinho na profissão.

A promoter era muito rígida com seus convidados, e aqueles que bebessem demais ou dessem algum vexame em suas festas, eventos ou estreias eram automaticamente colocados em quarentena ou mesmo deletados de seu cobiçado mailing. Quando estava de folga a última coisa que fazia era ir a festas: preferia ver filmes em casa, bem longe dos famosos ou da badalação.

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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