Eddie Murphy fala de Um Príncipe em Nova York 2: ‘Somos como Wakanda’

Por Miguel Arcanjo Prado

Um dos maiores clássicos dos anos 1980 e da Sessão da Tarde, Um Príncipe em Nova York ganha continuação 33 anos após sua estreia em 19888: Um Príncipe em Nova York 2, já disponível na Amazon Prime Video.

Quem não se lembra da história do príncipe de Zamunda Akeem, papel de Eddie Murphy, que vai com seu servo Semmi, vivido por Arsenio Hall, para Nova York, onde busca uma mulher que o ame de verdade e não por ser um futuro monarca.

Morador de um muquifo no bairro Queen, o príncipe decide viver como uma pessoa comum, vai trabalhar em uma lanchonete e acaba se apaixonando pela filha do patrão. O resto é pura história e diversão.

Agora, Coming to America, seu título original, ganha continuação dirigida por John Landis e traz outra vez Murphy em dupla com Hall.

A continuação traz Akeem mais velho, com uma filha desejosa do poder, interpretada por Kiki Layne. Ele resolve retornar à Big Apple após descobrir que deixou um filho na cidade, papel de Jarmaine Fowler, concebido em sua primeira viagem.

Em entrevista ao The New York Times, Murphy e Hall falaram sobre a amizade e a obra. Eddie Murphy contou que quando começou a fazer comédia “havia uns dez comediantes negros em todo o país” e que foi nessa época que conheceu Arsenio Hall, apresentado por Keenen (Ivory Wayans).

Murphy revelou que a ideia original do filme surgiu após terminar um namoro, ao ter uma conversa sobre “o desejo de conhecer uma garota que não soubesse que eu era famoso e que simplesmente gostasse de mim por mim mesmo”.

Quando já havia chamado Arsenio Hall para o projeto, Murphy foi atrás do diretor John Landis, que afirmou: “Sabe quem é realmente engraçado? Arsenio Brown”. Ao que Murphy corrigiu: “Arsenio Brown? Arsenio Hall”. “Ah, sim, Arsenio Hall”, confirmou o diretor sem saber que o astro já tinha o amigo no projeto.

Não me vejo como uma estrela de cinema ou comediante, nem nenhuma dessas coisas. Me vejo como um artista. E sinto que há um montão de formas diferentes nas quais posso me expressar.” Eddie Murphy

Na conversa com o NY Times, Murphy afirmou: “Não me vejo como uma estrela de cinema ou comediante, nem nenhuma dessas coisas. Me vejo como um artista. E sinto que há um montão de formas diferentes nas quais posso me expressar.

Sobre a sequência, Murphy diz que jamais imaginou fazê-la. “A forma que acabou foi algo assim como ‘e viveram felizes para sempre’. Logo, passou todo esse tempo e o filme virou objeto de culto. Frases do filme foram incorporadas à cultura popular As lojas se convertem em McDowell’s. Vejo a Beyoncé e Jay-Z vestidos como os personagens de Zamunda para Halloween”, afirmou Murphy.

“Então, Ryan Coogler, antes de dirigir Pantera Negra que disse que queria fazer uma sequência de Um Príncipe em Nova York. Teve uma ideia para que Michael B. Jordan interpretasse meu filho e buscasse uma esposa. Eu respondi: então esse filme seria sobre o filho, não são nossos personagens. Esse filme já fizemos e foi um sucesso. Então, não aceitei a proposta dele”, falou o astro.

Contudo, a ideia mexeu com Eddie Murphy. “Tudo isso me fez pensar que talvez deveríamos fazer uma sequência”. Ele então usou efeitos especiais para criar uma cena da viagem original na qual o príncipe e o servo buscam garotas num clube de stripper, e ele dorme com uma delas, que acabou ficando grávida, mas nunca se soube.

Hall contou que não esperava o retorno do filme. “Sempre havíamos dito que deixaríamos Um Príncipe em Nova York onde ele ficou. Mas, Eddie me enviou uma mensagem de texto pela manhã e me perguntou o que eu estava fazendo. E me ordenou ler o novo roteiro”. Os dois atores esperam fazer um espetáculo de stand-up assim que a pandemia passar.

Sobre qual seria seu legado, Eddie Murphy diz. “Se penso em meu legado, e raras vezes faço isso, minha carreira nunca entra. Meu legado são meus filhos”.

Eddie ainda lembra que Zamunda foi pioneira ao mostrar negros poderosos três décadas antes do filme Pantera Negra. “Somos como Wakanda”.

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. É coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro, colunista do Notícias da TV e faz o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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1 Resultado

  1. 07/03/2021

    […] Por Miguel Arcanjo PradoParece, sim, a repetição de uma velha história. Sobretudo, quando o assunto é família real britânica. O príncipe Harry e sua mulher, a atriz Meghan Markle, respectivamente duque e duquesa de Sussex, concedem uma explosiva entrevista neste domingo (7) à apresentadora e empresária da comunicação Oprah Winfrey. A entrevista foi vendida por R$ 40 milhões para a emissora norte-americana CBS e deverá render muito mais em intervalos comerciais. Não se sabe quanto o casal, que agora precisa viver às próprias custas, teria embolsado.Eddie Murphy estreia O Príncipe em Nova York 2 […]

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