Carnaval de BH bate recorde de público com 4,3 milhões de foliões

Carnaval de Belo Horizonte teve público de 4,3 milhões de foliões; na imagem o bloco Corte Devassa desfila com o centro da capital mineira ao fundo – Foto: Nereu Jr./UOL – Blog do Arcanjo – UOL

Capital mineira faz em 2019 o maior Carnaval de sua história, com público de 4,3 milhões de foliões

Por Miguel Arcanjo Prado e Zirlene Lemos
Em Belo Horizonte*

O Carnaval de Belo Horizonte bateu recorde histórico de público: 4,3 milhões de foliões, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), entre 16 de fevereiro e 10 de março, a data oficial da festa na capital mineira.

Este ano o tema foi “Carnaval de Belo Horizonte: É de Todo Mundo!”, que conclamou o respeito democrático às diferenças. A festa foi tensa, com Polícia Militar tentando censurar manifestações políticas nos blocos e artistas não abrindo mão da politização da festa, lembrando a liberdade de expressão prevista na Constituição.

Em um Carnaval inclusivo e para todas as famílias, além dos 410 blocos em 447 cortejos, a cidade ainda teve oito palco oficiais com 60 atrações, espalhados em cinco regionais belo-horizontinas, além do desfile de oito escolas de samba e 11 blocos caricatos, que sagrou a escola Acadêmicos de Venda Nova e o bloco Bacharéis do Samba como vencedores.

Anitta canta no Carnaval do Mirante BH – Foto: Nereu Jr./UOL – Blog do Arcanjo – UOL

Ao todo, foram 23 dias de festa, com presença na cidade de nomes famosos como Gretchen, Anitta e Jorge Ben Jor. “Tivemos o maior Carnaval da história dessa cidade. E, ano que vem, provavelmente, bateremos um novo recorde”, celebrou o prefeito Alexandre Kalil (PHS).

E a festa teve folia nos para todos os gostos. Os blocos afro hipnotizaram o público da praça da Estação no encontro Kandandu.

O Roda de Timbau impressionou com uma bateria impecável e vozes potentes, fazendo dele um dos melhores da capital mineira.

O Então Brilha coloriu o centro com sua multidão purpurinada, com destaque para a participação de artistas do Aglomerado da Serra.

Bloco Seu Vizinho desfila no Aglomerado da Serra no Carnaval de BH 2019 – Foto: Alexandre Guzanshe/Divulgação Belotur – Blog do Arcanjo – UOL

Já o Chama o Síndico saiu na Pampulha altamente politizado e com fortes protestos em prol de mulheres, negros, indígenas, comunidade LGBTQI+ e punição para os crimes ambientais em Mariana e Brumadinho.

O Angola Janga lembrou os males do racismo estrutural da sociedade brasileira e pediu “fogo nos racistas” em seu desfile pela Praça 7.

Já o Unidos do Samba Queixinho celebrou o icônico Grupo Corpo, marco da dança mineira no mundo, além de sua primeira década de Carnaval.

O Baianas Ozadas manteve sua fama de maior bloco de BH, com sua reedição do Carnaval baiano dos anos 1990.

Em sentido contrário, o Haja Amor apostou em canções dos novos artistas que pulsam na música mineira contemporânea.

Os bailarinos Tiphany Gomes e Eduardo Moreira fazem protesto por Marielle Franco durante desfile do bloco Chama o Síndico no Carnaval de BH – Foto: Nereu Jr./UOL – Blog do Arcanjo – UOL

O Alcova Libertina fez seu Carnaval parado em uma praça gramada da Pampulha, transformando o lugar num Woodstock 50 anos depois.

Já a artística Corte Devassa encheu o bairro Floresta de muita luxúria e protesto político contra o atual governo federal, além de fantasias criativas.

O bloco Seu Vizinho coloriu as ladeiras da comunidade do Aglomerado da Serra.

E houve espaço até para os nerds na folia, no bloco Unidos da Estrela da Morte, com foliões fantasiados como os personagens da saga “Star Wars”. E ainda para fãs de Belchior, no bloco Volta Belchior, que movimentou o tradicional bairro de Santa Tereza.

Mas, o grande hit foi “Parado no Bailão”, do mineiro MC L da Vinte, que hipnotizou o público em show no Mirante BH.

MC L da Vinte, dono do hit “Parado no Bailão”, que hipnotizou o Carnaval de BH 2019 – Foto: Nereu Jr./UOL – Blog do Arcanjo – UOL

Problemas na folia

Apesar dos números festejados, o UOL encontrou problemas estruturais, como a forte violência na região da praça da Estação e rua da Bahia (com denúncia de estupro durante a festa), ônibus e metrôs vagarosos e abarrotados de passageiros, além de o número de 15 mil banheiros químicos ainda não ter sido suficiente para o suprir o gigantesco número de foliões.

“Quero prometer para a população de Belo Horizonte que nós vamos estudar e tentar minimizar os problemas que tivemos no Carnaval, e que teremos, no ano que vem, uma festa maior ainda”, prometeu Kalil.

Gilberto Castro, presidente da Belotur, órgão que cuida do Carnaval e do Turismo na capital mineira, ressaltou a descentralização da folia e a programação farta para todos os tipos de público.

“Estamos orgulhosos dos resultados do Carnaval de Belo Horizonte, que cresceu com qualidade, com avanços em infraestrutura, segurança e limpeza”, declarou Castro.

Bateria da Acadêmicos de Venda Nova, escola que venceu o Carnaval de BH – Foto: Julia Lanari/Belotur Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Segundo a PBH, a avaliação geral do evento, em uma escala de zero a dez pontos em pesquisa feita durante a folia, atingiu o valor de 8,8 pontos na opinião do turista e 8,5 pelos moradores.

Nos hotéis, a taxa de ocupação durante o Carnaval foi de 66,82%, segundo ABIHMG, um aumento de 9,2% em relação a 2018 e com pico de 86,8% de ocupação no dia 3 de março.

Ambulantes cadastrados foram 13.114 profissionais, número 36% maior que o do ano passado, quando 9.618 foram cadastrados.

O Carnaval de Belo Horizonte 2019 foi viabilizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Belotur, com patrocínio master da Skol, patrocínio da Uber e patrocínio institucional da Do Brasil Projetos e Eventos. O valor foi
de R$ 4,5 milhões em verba direta, mais R$ 8.331,721,50 em planilhas de estruturas e serviços.

A advogada Soraya Roberta toca na bateria Alucinação do bloco Volta Belchior, que arrastou 50 mil pessoas em BH – Foto: Liliane Pelegrini/Divulgação Belotur – Blog do Arcanjo – UOL

*O colunista Miguel Arcanjo Prado viajou a convite da Belotur.

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