“Salvador está mais violenta, racista e homofóbica”, diz Edgard Navarro

O cineasta baiano Edgard Navarro, do filme “Abaixo a Gravidade”, na 12ª Mostra CineBH – Foto: Leo Lara – Divulgação Universo Produção – Blog do Arcanjo – UOL

O cineasta baiano Edgard Navarro deixou seu recado durante sua participação na 12ª Mostra CineBH, que chegou ao fim no último domingo (2), na capital mineira.

Realizador de “Abaixo a Gravidade”, longa apresentado na Mostra Contemporânea, Navarro participou de uma roda de conversa com o público no Cine-Lounge do Palácio das Artes.

Sua fala misturou política, ironia e pitadas de anarquia. Questionado sobre as mudanças em Salvador nos quase 30 anos que separam seu cultuado “Superoutro”, de 1989, para “Abaixo a Gravidade”, ele deu sua opinião.

“Salvador ficou pior. Não como cidade exatamente, mas como lugar de circulação, de convivência. Está muito mais violenta, mais racista, mais homofóbica, mais babaca”, declarou.

“Abaixo a Gravidade” conta a história de Bené e sua relação com o campo e a cidade, para onde vai após uma “paixão temporã”. O longa tem no elenco Everaldo Pontes, Rita Carelli, Bertrand Duarte, Fábio Vidal e Ramon Vane.

Edgard Navarro na 12ª CineBH – Foto: Leo Lara – Divulgação Universo Produção – Blog do Arcanjo – UOL

Navarro ainda criticou o culto ao diretor em nosso cinema.

“Essa ideia de ‘cineasta’ é uma coisa que eu vou renegar, não quero fazer parte disso, é uma coisa burguesa, uma palavra pomposa e metida a besta”, afirmou.

Também falou que não suporta mais a engrenagem atual do feitio cinematográfico brasileiro, repleto de burocracia e hierarquia nas equipes, que, em sua visão, roubam a espontaneidade artística.

“Chega, cansei disso! Agora quero ser é ‘cinemêro’, como eu era lá no começo”, lembrando seus filmes em Super-8 na década de 1980.

A montadora Cristina Amaral – Foto: Beto Staino – Divulgação Universo Produção – Blog do Arcanjo – UOL

 

A montadora Cristina Amaral, que estava a seu lado, elogiou o colega.

“Eu recebia as imagens que ele me mandava e precisa me embrenhar nelas, me impregnar, elas chegavam com um tipo de energia, não eram apenas cenas em movimento”.

Cristina ainda falou sobre montar filmes de nomes como Carlos Reichenbach, Andrea Tonacci e Carlos Adriano: “São artistas com quem me identifico”.

Por Miguel Arcanjo Prado, enviado especial a Belo Horizonte*

*O colunista viajou a convite da Universo Produção e da Mostra CineBH.

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