Sara Sarres celebra retorno aos palcos como Princesa Diana: ‘Ícone do bem’

Sara Sarres interpreta Lady Di no musical Diana – A Princesa do Povo no Teatro Liberdade em SP © Carlos Costa Divulgação Blog do Arcanjo 2026

Reportagem de VICTOR STELLA

Em cartaz em São Paulo no Teatro Liberdade, o musical “Diana – A Princesa do Povo” tem como protagonista a atriz Sara Sarres, que faz retorno triunfal aos palcos do Brasil. Nos últimos cinco anos, ela estava afastada de sua terra natal, morando no exterior e se dedicando à maternidade.

A cantora e atriz detém uma trajetória de 25 anos nos tablados e já participou de uma extensa lista de espetáculos como: “O Fantasma da Ópera”, “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, e “Escola do Rock”, além de diversos outros títulos.

Nesta retomada, dá vida a uma das maiores figuras femininas do século passado, mas ainda muito presente na atual sociedade, a Princesa Diana (1961-1997). 

Nesta entrevista realizada pelo repórter Victor Stella para o Blog do Arcanjo, a atriz conta como iniciou sua carreira, o período em que ficou fora e reflete sobre a mulher que Diana foi, tema central do musical e a quem define como “ícone do bem”.

Blog do Arcanjo – Como começou a sua relação com o teatro? 
Sara Sarres – Nossa, muito pequenininha ainda, na verdade, veio através da música. Eu entrei num conservatório de música em Brasília, a Escola de Música de Brasília, quando eu tinha 5, 6 anos. E ali eu comecei esse contato com o palco, a tela de ópera, concertos, até encontrar os musicais. Chegando em teatro musical, aí bateu aquela necessidade de estudar mais. Então, eu fui buscar escolas de teatro, aulas de teatro, aulas de interpretação, para complementar tudo que eu já tinha da parte técnica musical. E aí, sem querer, eu fui criando uma formação bem específica para teatro musical. Porque eu fazia balé, desde pequenininha, quando minha mãe me colocou no balé. Então tinha dança, música do conservatíro e complementei com teatro. Então, eu acabei tendo a formação tripla que o ator de teatro musical precisa. Pois, naquela época não existiam escolas de formação para teatro musical, nada do tipo. Então, sem querer, a vida foi me formando para chegar nesse momento de quando os musicais chegaram aqui no Brasil.

Blog do Arcanjo – Você ficou um período fora do Brasil, e longe aqui dos palcos brasileiros. Como que foi isso?
Sara Sarres – Na verdade, foi maravilhoso, porque foi o meu encontro com a maternidade. Eu fui para o Canadá, meu marido teve um convite pra fazer um fellowship no Canadá, e depois foi convidado por uma empresa nos Estados Unidos. Por isso a nossa família acabou se mudando para fora do país. Mas foi um momento em que eu também senti o chamado da maternidade. Então, eu só falei: “ok, agora é a hora desse momento pra mim”, porque até então eu era super workaholic e eu emendava um espetáculo no outro, literalmente. Eu terminava uma temporada já ensaiando outra. Me sinto muito privilegiada em poder ter conduzido minha carreira dessa forma. A gente sabe que é muito difícil se estabelecer enquanto artista e ter essa estabilidade, de estar sempre em cartaz, estar sempre trabalhando. E aí eu tive essa oportunidade de ser mãe. E aí foi meio que uma parada obrigatória, mas uma parada que me complementou, me revelou um outro lado meu e um desenvolvimento humano que é sem igual. Não consigo nem explicar, não existe nada igual. 

Blog do Arcanjo – E o que te fez voltar agora para o musical?  
Sara Sarres – Bom, meu bebê agora está com dois anos. E, obviamente, eu sou de teatro, eu sou do tablado, eu sou do palco. Então, eu estava começando a sentir aquela saudade. Eu ainda queria ter esperado um pouquinho mais, na verdade. Queria esperar o Gael fazer três anos. Mas, o Tadeu Aguiar me ligou com esse convite maravilhoso. E eu senti mesmo como se fosse um grande chamado. Falar sobre Diana foi muito especial pra mim, principalmente nesse momento. Eu saindo dessa relação com a maternidade e encontrar uma mulher onde a maternidade foi algo também tão expressivo, foi algo tão importante para ela. Então, eu acho que foi um encontro, realmente, meu com a personagem num momento certo, na hora certa, com uma produção querida, um diretor amoroso. Então, eu falei: “essa é a hora de voltar”. E eu acho que a minha vontade é que seja sempre assim. Encontrando grandes histórias, encontrando grandes parcerias, estar aqui para contar essas histórias e manter vivo esse lado em mim também. 

Atriz Sara Sarres © Priscila Nicheli Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Blog do Arcanjo – Quando a Diana estava viva, você chegou a acompanhá-la na época? 
Sara Sarres – Sim, eu sou de 1980. Então, a Diana, querendo ou não, toda a minha infância, juventude, era uma celebridade muito presente. Na época, não existiam as mídias sociais, então a nossa janela pro mundo era a televisão, eram as revistas. E a Diana estava presente semanalmente em todos os meios de comunicação aqui no Brasil. Então eu lembro até hoje, eu criança, vendo as célebres entrevistas da BBC no Fantástico. A gente acompanhou toda essa ascensão e até o término. E depois ela se estabelecendo com um grande legado dela humanitário, fazendo todo lindo trabalho que ela fez no combate ao câncer infantil, à aids. Isso é muito presente na minha memória de juventude mesmo.

Diana em retrato da Vogue

Blog do Arcanjo – E a Diana é uma figura muito viva no imaginário das pessoas, né?
Sara Sarres – Pois é, isso é curioso, porque até hoje em dia. Apesar de já terem passado tantos anos, ainda é uma personagem que mesmo a nova geração, que não acompanhou, que não viveu isso, sabe quem é. É um legado muito presente, a ideia do fazer o bem, a ideia das ações beneficentes, a ideia de usar a sua imagem para mostrar o que precisa ser melhorado no mundo. Uma mulher que, no alto do seu privilégio, poderia estar falando sobre qualquer coisa, e escolheu falar do que ela falava. Olha para onde o olhar dela levou o mundo, conscientizou tantas pessoas em tantas causas tão importantes, de trazer luz e ajuda a tantas pessoas que precisavam. Olha, eu me até arrepio até hoje, vivendo a Diana. Desde que eu fiquei sabendo que faria a peça até agora eu me arrepio ao falar sobre ela. Porque eu acho, realmente, que é o que falta no mundo, inclusive, hoje em dia, com as explosões das redes, com a potência que é, que você vê o que é possível fazer com a comunicação, e a gente ainda vê isso sendo tão jogado fora. O que poderia estar sendo feito e que quem tem essa força, essa expressão, não direciona sua energia para esse tipo de bem. É curioso. Isso só deixa o que a Diana fez ainda mais importante.

Blog do Arcanjo – O que você vê de mais marcante na Diana, como é interpretá-la?
Sara Sarres – A Diana tem uma curva muito bonita. O espetáculo recorta esse período bem importante dela, que é ela saindo com 19 anos, conhecendo o Charles, tendo esse sonho de princesa. E como isso poderia tê-la destruído. Mas mostra como ela conseguiu se reinventar e invadir a rigidez desse sistema, dessa monarquia, e sair de lá a mulher que saiu. Então, ela tem uma curva lindíssima, de um crescimento muito bonito. E eu acho que uma das cenas mais difíceis de interpretar é exatamente quando ela tem esse encontro, que ela entende que ela foi usada, que ela virou uma peça ali para simplesmente agradar, entregar o que precisava ser entregue para a realeza sobreviver. Porque a realeza estava passando por uma crise muito importante na época. Então, ela conquistou todo mundo ali com a sua graça, com a sua beleza, com a sua simplicidade, com o seu carisma. Ela entendeu a força que ela tinha e transformando isso em algo muito maior do que a própria coroa.

Blog do Arcanjo – E eu queria saber qual o legado que você acha que a Diana deixou para as mulheres? E qual o recado que você acha que a peça traz ao público? 
Sara Sarres – Eu acho que é realmente esse fazer o bem. Ela tem uma frase muito bonita do espetáculo que ela diz: “que adianta termos poder se não ajudamos a quem precisa”. Então, eu acho que isso é o que fica. É isso que é uma marca muito importante do legado dela, usar a imagem dela para realmente fazer a diferença. Diana virou ícone. E a gente poder mostrar todas as fragilidades dela e tudo que ela estava passando, todo o sofrimento que ela vivia enquanto ela estava se tornando esse grande mito no mundo é muito especial e muito bonito. A humanidade… A gente nunca sabe o que a outra pessoa está sofrendo, as pessoas podem estar sofrendo grandes batalhas, podem estar em grande sofrimento e ainda assim usar daquela força, tirar a força daquele lugar para transformar as realidades e fazer o bem.

Diana – A Princesa do Povo
Temporada De 15/05/2026 até 05/07/2026
Dias
Sexta: 20h, Sábado:  16h e 20h, Domingo: 15h e 19h30
Duração 150 minutos
Valor Entre R$25 e R$340
Teatro Liberdade – R. São Joaquim, 129, Liberdade, São Paulo/SP
Classificação 12 anos
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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