21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto abre com homenagem à cineasta Helena Solberg, mulher pioneira do Cinema Novo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial a Ouro Preto a convite da Universo Produção
A 21ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto iniciou oficialmente suas atividades na noite de quinta-feira, 25 de junho, ocupando a icônica Praça Tiradentes, no Centro Histórico da cidade mineira. O público ouro-pretano lotou o Cine-Praça, ao ar livre, aos pés do Museu da Inconfidência. A cerimônia uniu reflexão e arte, marcada por uma performance audiovisual e o tributo à grande homenageada deste ano, a cineasta Helena Solberg, primeira mulher a integrar o movimento do Cinema Novo. O público ainda viu a projeção dos curtas-metragens “A Entrevista” e “Meio-Dia”, produções seminais que inauguraram a respeitável trajetória da realizadora mulher pioneira em nosso cinema.
Guiada pelo conceito fundamental desta edição, “Um País Existe nas Imagens que Preserva”, a cerimônia mesclou música, teatro e projeções. A estrutura do evento buscou traduzir visual e conceitualmente os três pilares que sustentam a CineOP — Preservação, História e Educação —, alinhando-se às diretrizes curatoriais que defendem o resgate da preservação da memória do audiovisual como um patrimônio nacional.
São, ao todo, 135 filmes, sendo 33 longas, 4 médias e 98 curtas divididos em 42 sessões. A programação reúne filmes de 18 estados brasileiros e de seis países, reafirmando seu papel como espaço de encontro entre diferentes territórios, olhares e cinematografias. Entre os estados representados, destacam-se Rio de Janeiro (29 filmes), São Paulo (21), Minas Gerais (12) e Pernambuco (5), além de produções da Bahia, Paraná, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Alagoas, Goiás, Pará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. A programação também inclui obras da Argentina, Colômbia, Uruguai, Bolívia, Estados Unidos e Alemanha. As sessões acontecem em três espaços principais: o Centro de Artes e Convenções da UFOP, sede do evento e do Cine-Teatro Petrobras (510 lugares); a Praça Tiradentes, com o Cine-Praça (500 lugares), destinado à abertura, ao encerramento e às exibições ao ar livre; e o Cine-Museu (90 lugares), instalado no Anexo do Museu da Inconfidência. Parte da programação também poderá ser acompanhada gratuitamente pela plataforma www.cineop.com.br.

Durante seu pronunciamento, a coordenadora-geral da CineOP, Raquel Hallak, ao lado de seu marido e sócio na Universo Produção, Quintino Vargas, enfatizou o papel determinante da conservação de acervos na consolidação da identidade brasileira.
A dirigente ponderou que o desaparecimento de uma imagem interrompe possibilidades de reconhecimento e empobrece a visão que o país possui de si mesmo. Em sua visão, preservar esse patrimônio constitui um ato de resistência e um posicionamento político que projeta o futuro, servindo como ponto de partida para novas dinâmicas de difusão, formação de plateias e desenvolvimento do setor audiovisual, ao qual defende com garra.
O festival também reservou espaço para reverenciar a contribuição das mulheres na cinematografia nacional, resgatando o legado de realizadoras de diferentes épocas, desde o cinema silencioso até produções contemporâneas, com menções a pioneiras e expoentes como Cleo de Verberena, Carmen Santos, Gilda de Abreu, Suzana Amaral, Tata Amaral, Anna Muylaert, Lucia Murat e Sueli Maxakali.
O ponto alto da solenidade ocorreu com a aclamação de Helena Solberg. Aos 88 anos, a diretora subiu ao palco visivelmente comovida e relembrou seus laços profissionais e afetivos com o território mineiro, resgatando memórias das filmagens do longa-metragem “Vida de Menina”, realizado na cidade histórica de Diamantina no ano de 2003, ocasião em que contou com expressivo engajamento da comunidade local.
Ao revisitar suas primeiras produções cinematográficas, concebidas há seis décadas, nos anos iniciais da ditadura militar, a cineasta expressou profunda gratidão pelo acolhimento recebido e definiu a sessão especial como um afetuoso abraço do público à sua obra.
A solenidade deu início à extensa agenda cultural da 21ª CineOP, que estende suas atividades gratuitas até o dia 30 de junho, englobando exibições de filmes, debates, oficinas e encontros profissionais dedicados à evolução histórica e educacional do audiovisual.

SOBRE A CINEOP – MOSTRA DE CINEMA DE OURO PRETO
O EVENTO DA PRESERVAÇÃO, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO
A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto é o único evento do Brasil dedicado ao cinema como patrimônio e, há 21 anos, ocupa lugar de destaque no calendário audiovisual brasileiro ao articular preservação, história e educação. Realizada anualmente na cidade histórica de Ouro Preto (MG), promove exibições de filmes, debates, homenagens, oficinas, atividades formativas e encontros estratégicos que reúnem realizadores, pesquisadores, educadores, estudantes, profissionais de arquivos e o público em geral. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como espaço de referência nacional para a reflexão sobre memória audiovisual, formação de público e políticas voltadas ao setor. Toda a programação é gratuita. Mais informações www.cineop.com.br
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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