Margareth Menezes estreia na Mostra de Cinema de Tiradentes: ‘Diversidade cultural é solução’

Margareth Menezes, ministra da Cultura, na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, onde abriu o 2º Fórum de Tiradentes © Leo Fontes Universo Produção Blog do Arcanjo 2024

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Enviado especial a Tiradentes – MG*

Uma presença aguardada por um ano se concretizou na cidade barroca mineira. Na manhã de sábado, dia 20 de janeiro, a abertura do 2º Fórum de Tiradentes – Encontros do Audiovisual Brasileiro contou com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, presente pela primeira vez na Mostra de Cinema de Tiradentes para abrir o calendário audiovisual do País.

Muito simpática, Margareth pediu desculpas por não ter estado em Tiradentes em 2023, explicando que havia acabado de assumir o Ministério da Cultura e precisava estar concentrada com o presidente Lula, mas que agora fez questão de estar presente. Não custa lembrar do ataque à democracia em 8 de janeiro de 2023, que causou turbulência no início do governo e gerou concentração total em Brasília.

A cantora baiana reforçou que a cultura precisa ser defendida das pessoas que a atacam e espalham mentiras. Para a ministra, o setor da economia criativa não deve ficar acuado diante das fake news nem temeroso pelo financiamento estatal de suas atividades pelas leis de incentivo, que são uma garantia constitucional. Ela ainda reforçou que o Brasil é valorizado internacionalmente justamente por sua cultura.

Em momento descontraído, o procurador-geral Jarbas Soares Júnior, do Ministério Público de Minas Gerais, lembrou que já contratou o show de Margareth Menezes em Salvador. Ela devolveu: “Daqui a quatro anos não vou estar mais no Ministério e você pode me contratar de novo, procurador”, disse, bem humorada.

Quintino Vargas e Raquel Hallak homenageiam a ministra da Cultura Margareth Menezes na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes © Leo Fontes Universo Produção Blog do Arcanjo 2024

A diversidade cultural brasileira não é um problema, é uma solução”.

Margareth Menezes
Ministra da Cultura na Mostra de Cinema de Tiradentes

Ao fim de sua participação, o público presente entoou de forma espontânea a música Faraó, hit da carreira de Margareth Menezes, que depois soou nas caixas de som.

A ministra Margareth Menezes, o procurador-geral do MP-MG Jarbas Soares Junior e o embaixador da França Emmanuel Lenain na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes © Leo Fontes Universo Produção Blog do Arcanjo 2024

A ministra da Cultura, ministério que foi extinto no último governo federal, foi aplaudida várias vezes pela plateia do Cine Teatro Aymoré, formada por integrantes de diversas áreas do setor que estão presentes em Tiradentes para acompanhar as discussões de Fórum no desenvolvimento de políticas públicas a serem apresentadas ao governo federal para o setor audiovisual.  

“Devemos ter a tranquilidade de defender o que somos. A diversidade cultural brasileira não é um problema, é uma solução, uma saída”, disse a ministra, em referência à reconstrução do Ministério da Cultura desde 2023, após mais de seis anos que a pasta fora extinta por governos anteriores. “Nós precisamos garantir a continuidade da pasta, não podemos arriscar que ela fique indo e voltando desse forma”.  

Emmanuel Lenain, embaixador da França no Brasil, esteve no encontro e falou sobre as políticas públicas francesas em defesa do setor audiovisual, sobretudo em relação aos serviços de streaming internacionais. Ele reforçou a amizade cultural entre Brasil e França, disse que admira Margareth Menezes e anunciou que 2025 será marcado pelo ano do Brasil na França, com atividades reunindo as culturas de ambos os países.

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, também presente no encontro, relembrou várias ações da pasta no último ano. A mais recente foi a sanção da cota de tela, anunciada pelo governo federal na segunda-feira, 15 de janeiro. Animada pela vitória de uma política costurada há meses, a secretária disse que a “batalha legislativa” continua, agora nas negociações para regulamentação do VOD (video on demand). “Estou praticamente fazendo um doutorado em política legislativa”, brincou Joelma, que espera a conclusão desse trabalho com o VOD ainda no primeiro semestre de 2024.  

Margareth Menezes, ministra da Cultura, e autoridades na abertura do segundo Fórum de Tiradentes na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes © Leo Fontes Universo Produção Blog do Arcanjo 2024

A mesa contou ainda com a presença de Jarbas Soares Júnior, procurador-geral do Ministério Público de Minas Gerais, que fez uma defesa irrestrita da cultura como patrimônio cultural brasileiro segundo a Constituição. “O audiovisual conta a nossa história nas suas formas de expressão, nas obras documentais, ele pode imortalizar imagens do passado, costumes, povos aniquilados, coletivos”, disse o procurador. 

Jarbas Soares concluiu a mesa anunciando recursos públicos geridos pelo Ministério Público de Minas para colaborar na realização da terceira edição do Fórum de Tiradentes, em 2025. “O Estado deve garantir a todos os cidadãos o pleno exercício do direito cultural”.  

A mesa teve também participação e depoimentos de Eliane Parreiras, secretária municipal de Cultura de Belo Horizonte e presidente do Fórum Nacional de Secretários e Gestores de Cultura das Capitais e Municípios Associados; Fabrício Noronha, secretário de Estado de Cultura do Espírito Santo e presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura; e Pablo Soares Pires, assessor do audiovisual da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais. 

Ministério da Cultura

“Esse encontro é uma importante oportunidade de podermos observar nosso passado, e costurar um futuro em que mais vozes e mais cores”, comemorou a ministra Margareth Menezes.

A chefe da Cultura comemorou as significativas vitórias do setor, como a recente sanção da cota de telas para cinema e TV paga, as 118 novas salas de cinema que estão sendo abertas no Brasil com financiamento do FSA, em 11 estados e as duas chamadas públicas para o setor, junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine), num valor total de R$ 320 milhões.

Queremos que a televisão, o cinema e as plataformas de vídeo tenham a nossa cara, os nossos sotaques e as nossas regionalidades”.

Margareth Menezes
Ministra da Cultura durante o Fórum de Tiradentes na Mostra de Cinema de Tiradentes

A secretário do Audiovisual, Joelma Gonzaga, reforçou a importância e representatividade de produção independente nacional. “Toda capacidade instalada do audiovisual brasileira, hoje, vem da produção nacional independente”. E lembrou também duas importantes agendas do setor, que serão tema da 4ª Conferência Nacional de Cultura, que será realizada entre os dias 4 e 8 de março, em Brasília: a atualização do Plano de diretrizes e metas do Audiovisual  e a retomada do debate sobre o Sistema Nacional do Audiovisual.

Emmanuel Lenain, embaixador da França no Brasil, destacou que o Brasil é um grande parceiro no campo audiovisual. “É o nosso terceiro maior parceiro. Foram 50 co-produções desde o início dos anos 2000, e queremos ampliar”. Ele trouxe ainda a agenda do Video On Demand (VoD), tema de diálogo entre os governos francês e brasileiro. “Quando nossos países buscam e defendem um cinema plural e diverso, o lugar central que são as plataformas de streaming ocuparem o papel que ocuparam nos últimos anos, preocupa. Queremos trabalhar juntos nessa troca de expertise de regulação dessas plataformas para distribuição e difusão audiovisual”, disse. Na França, 25,15% dos recursos angariados pelas plataformas de streaming voltam para o desenvolvimento da produção nacional de conteúdo audiovisual.

O procurador-geral do Ministério Público do estado de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, falou da grandiosidade da produção da Mostra e seus impactos positivos, “com a criação de 2.500 empregos diretos e indiretos, e mais de R$ 10 milhões injetados na economia”. 

O assessor audiovisual Pablo Soares Pires, o Dom Black, representou a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, e mostrando um aparelho celular afirmou que o fazer cultural neste setor impacta a vida de milhares de jovens periféricos em várias localidades do Brasil e do mundo, porque não é o equipamento, e sim, a capacidade e inventividade que geram bons resultados. “Eu fiz duas campanhas políticas vitoriosas na minha cidade com esse celular. E aquilo me deu um gás tão grande que eu pensei: eu acho que dá pra fazer muita coisa assim”.

Já Fabrício Noronha, secretário da Cultura do Espírito Santo e presidente do Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura, afirmou que há três desafios nesse próximo ano:  diversificação dos mecanismos de fomento; o papel de cada ente nesse processo; e a tradução da importância da cultura para a sociedade.  “Pra além do desmonte da Cultura no governo anterior, a gente não pode esquecer que a extrema Direita tem com a cultura e com os artistas uma agenda sistemática de ataque e desqualificação”.

A secretária de Cultura de Belo Horizonte, Eliane Parreiras, também presidente do Fórum Nacional de Secretários e Gestores de Cultura das Capitais e Municípios Associados, destacou que o Fórum de Tiradentes é uma importante ferramenta de descentralização, desconcentração, integração e continuidade às ações culturais do país. “Com a união de esforços dos gestores públicos, produtores e acadêmicos, o diálogo se amplia e permite a criação de estratégias mais eficazes e inclusivas. Cabe aqui destacar a disposição, intenção e atuação do Ministério da Cultura no audiovisual e em todas as áreas para fortalecer essa interação entre os entes federativos com estratégia, pensamento e ética”.

A mesa foi mediada por Debora Ivanov, coordenadora executiva do 2º Fórum de Tiradentes e + Mulheres.

Blog do Arcanjo mostra abertura do 2º Fórum de Tiradentes na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes

*O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viaja a convite da Mostra de Cinema de Tiradentes e da Universo Produção.

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Jornalista cultural influente e respeitado no Brasil, Miguel Arcanjo Prado é CEO do Blog do Arcanjo, fundado em 2012, e do Prêmio Arcanjo, desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e apresenta o Arcanjo Pod. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, CBN, Gazeta, UOL, UMA, OFuxico, Rede TV!, Rede Brasil, Versatille, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra o júri de Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de São Paulo, Prêmio Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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