Tetembua Dandara cria peça-festa de família em Eu Tenho Uma História Que Se Parece com a Minha

Tetembua Dandara leva peça feita em família ao Festival de Curitiba © Annelize Tozetto – Agência Daniel Sorrentino – Blog do Arcanjo 2023

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Por SANDOVAL MATHEUS
Da Agência de Notícias Festival de Curitiba

A performer e fotógrafa Tetembua Dandara – nome iorubá que significa “estrela da liberdade” – queria apenas registrar em imagens as histórias de quatro mulheres negras, de diferentes gerações: além dela mesma, a irmã, a mãe e a avó. Mas, tudo isso acabou virando uma peça-festa de família.

O que foi iniciado como um livro de fotos evoluiu para a instalação-performance “Eu tenho uma história que se parece com a minha”, que agora chega à Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba, com sessões nos dias 6 e 7 de abril, às 18 horas, na Casa Hoffmann.

No espetáculo, as quatro reproduzem o ambiente da casa em que viveram nos anos 90. O resto acontece meio que por si só: o público é convidado a entrar ali e participar de um tipo de festa, com comida, bebida, música e conversa – muita conversa.

“O que a gente fez foi construir um espaço para que o público desfrute de um tempo na presença dessas mulheres”, explicou Dandara, durante entrevista coletiva nesta quarta-feira, 5, na Sala Jô Soares. “Não tem a ver com personagens, mas com gerar um lugar de encontro. É muito mais sobre compartilhar o tempo do que sobre assistir a algo.”

Gabrielle Souza e Tetembua Dandara no 31º Festival de Curitiba © Annelize Tozetto – Agência Daniel Sorrentino – Blog do Arcanjo 2023

A iluminadora Gabrielle Souza ilustrou a ideia. “Levei minha mãe pra ver a performance sem falar nada, disse só que a gente ia jantar num lugar. Como é que eu ia explicar? Quando chegou lá, ela percebeu que podia ser uma festa da nossa família.”

E como em qualquer festa, nunca se tem muita ideia de que rumo as conversas tomarão. “Eu só sei o que vai acontecer nos primeiros dez minutos e nos últimos quinze, porque preciso saber o momento de acabar. Fora isso, não tenho controle”, conta Dandara.

“Às vezes, minha mãe fala do período em que viveu em Angola. Às vezes, fala do MNU [Movimento Negro Unificado], do qual ela foi fundadora. Não significa que vá acontecer aqui”, avisa. “Teve um dia em que a minha avó simplesmente disse que não tinha convidado aquela gente toda e que não era obrigada a conversar”, ri.

Infelizmente, a avó, Dirce Poli, de 95 anos, não foi liberada pelos médicos para viajar até o Festival de Curitiba. Mas a mãe e a irmã de Dandara estarão nas duas sessões previstas na capital parananense.

Para Dandara, a instalação-performance é uma oportunidade de discutir histórias e narrativas negras para além dos estereótipos.

“A branquitude coloca os corpos negros em alguns lugares específicos. Às vezes eu apresento o meu projeto e me perguntam: é sobre samba, sobre candomblé? Minha avó não é do samba, não é do candomblé, não é da umbanda. Ela não é menos negra por causa disso.”

Antes de terminar a entrevista, a artista fez questão de destacar uma última coisa: em “Eu tenho uma história que se parece com a minha”, crianças são bem-vindas. Afinal, é uma festa em família.

Tetembua Dandara no 31º Festival de Curitiba © Annelize Tozetto – Agência Daniel Sorrentino – Blog do Arcanjo 2023

Serviço:
O que: “Eu tenho Uma História que se parece com a minha”, no 31.º Festival de Curitiba
Quando: 06 e 07/04 às 18h
Onde: Casa Hoffmann (Rua Dr. Claudino dos Santos, 58)
Valores: R$ 50 e R$25 (mais taxas administrativas)
Classificação: Livre
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva do Shopping Mueller (piso L3), de segunda-feira a sábado, das 10h às 22h; domingos e feriados, das 14h às 20h

*O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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Jornalista cultural influente e respeitado no Brasil, Miguel Arcanjo Prado é CEO do Blog do Arcanjo, fundado em 2012, e do Prêmio Arcanjo, desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e apresenta o Arcanjo Pod. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, CBN, Gazeta, UOL, UMA, OFuxico, Rede TV!, Rede Brasil, Versatille, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra o júri de Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de São Paulo, Prêmio Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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