Relacionamento abusivo e machismo são discutidos em Açúcar, Manteiga e Farinha no Festival de Curitiba

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba*

Açúcar, Manteiga e Farinha discutiu machismo no 30º Festival de Curitiba – Foto: Maria Pohler – Blog do Arcanjo

Por MARIA POHLER
Colaboração para o Blog do Arcanjo no Festival de Curitiba*

Propositalmente intimista, Açúcar, Manteiga e Farinha” estreou no Festival de Curitiba na quinta-feira (7), no Teatro Projeto Broadway, para um público de 40 pessoas. O espetáculo abordou temas como sonhos e amizade, mas também trouxe assuntos pesados, como relacionamentos abusivos e machismo. Em uma sequência de acontecimentos, a plateia observava a mudança de cenário e o desenrolar da história de Dina e suas amigas garçonetes.

O musical é uma adaptação do livro e do filme Waitress, considerado um sucesso nos Estados Unidos. Aqui não foi diferente, o projeto já conseguiu esgotar os ingressos de todas as seções do texto adaptado e dirigido por Ricardo Bührer. Três mulheres e diversos dilemas: Dina faz deliciosas tortas, mas vive um relacionamento que, diferentemente dos quitutes, não tem nada de bom. Beth é uma mulher mais velha com um marido enfermo, e Leia é uma jovem adulta que nunca teve namorado e lida com problemas de autoestima. Com piadas, efeitos sonoros e trilhas que enfatizavam as mudanças, o público se divertiu e refletiu.

A história começa com Dina descobrindo uma gravidez, ficando triste e aflita com a novidade. Suas amigas tentam consolá-la. Quando o futuro pai chega é possível perceber o motivo do descontentamento. Com comentários machistas e arrogantes, ela pega o dinheiro do trabalho de Dina e demonstra ciúmes de um bebê que ainda nem nasceu. Ainda faz ameaças de agressão física e menospreza a aparência dela.

“A vida já não é amarga o suficiente”, diz Dina ao seu médico. Reflexivo, ele deixou de lado a questão de não comer doce, se rendeu e provou a torta. O envolvimento dos dois, que pareciam ser apenas de paciente e médico, cresce ao longo da peça chegando ao seu clímax quando ambos se beijam em uma cena que fez a plateia vibrar, encerrando assim o primeiro ato.

Se por um lado os relacionamentos são complicados, a amizade das três garçonetes é algo que traz leveza para a história e mostra a força do companheirismo em momentos difíceis. O apoio na gravidez, a ajuda ao encontro que Leia arranja em um aplicativo e a quebra de um cofrinho para ajudar a amiga a se inscrever em um concurso são alguns exemplos do companheirismo vivido entre elas.

O nascimento do bebê é a peça-chave na vida da protagonista, que liberta-se de seu relacionamento abusivo e ganha o restaurante de herança. Com mais uma canção cantada por todo o elenco, a peça parece se encerrar. Entretanto, no final às três mulheres pediram a voz para passar uma importante mensagem final: A cada 2 minutos uma mulher é agredida. Caso saiba de algo, denuncie, ligue 180.

*Reportagem por Maria Pohler  estudante de Jornalismo da Universidade Positivo, sob orientação da jornalista e professora Katia Brembatti, em parceria com o Blog do Arcanjo no Festival de Curitiba. Conheça o site UP no Festival.

O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.

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Um dos mais influentes e respeitados jornalistas e críticos culturais do Brasil, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. É mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foi eleito entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha, Prêmios ANCEC e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil.
Foto: Edson Lopes Jr.
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