Festival de Curitiba: Exposição de Lenise Pinheiro conta 30 anos de teatro no MON e ruas da cidade

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Lenise Pinheiro em autorretrato no começo da carreira: ela registrou as 30 edições do Festival de Curitiba – Divulgação – Blog do Arcanjo

Grande nome da fotografia teatral brasileira e mulher pioneira no setor, Lenise Pinheiro foi a escolhida para celebrar a 30ª edição do Festival de Curitiba com uma grande exposição que terá vernissage nesta segunda (28), no MON – Museu Oscar Niemeyer, antecipando a abertura do evento e da própria mostra ao público, na terça (29).

De 29 de março a 10 de abril, o 30º Festival de Curitiba, sob direção de Fabíula Passini e Leandro Knopfholz, retoma o presencial e reconta a história que o transformou no maior evento das artes cênicas na América Latina. Como é tradição há 10 anos, o Blog do Arcanjo vai cobrir presencialmente o evento.

A exposição Viva! 30 anos por Lenise Pinheiro abre no dia 29 de março e segue até o dia 29 de abril, ocupando espaços culturais com o trabalho da artista.

A exposição é dividida em três frentes. Começa no dia 29, quando inaugura uma grande mostra com cerca de 150 fotografias no vão livre do Museu Oscar Niemeyer (MON).  A curadoria é da própria Lenise e de Íris Cavalcante, com expografia de Daniel Marques. 

A exposição é como eu me apresento, desde esse tempo passado até o dia de hoje. Acho que engloba toda a minha vivência na jornada do Festival de Curitiba.

LENISE PINHEIRO

Ao lado das fotos, uma linha do tempo dos 30 anos do Festival de Curitiba vai situar o visitante sobre o momento em que cada foto foi tirada. A seleção das fotos traça um panorama da evolução das tendências artísticas e estéticas predominantes em cada momento da produção teatral nas últimas três décadas.  

A exposição no MON é também um projeto educativo do Festival de Curitiba e conta com monitores e acessibilidade. Em horários pré-agendados, as visitas terão audiodescrição e libras. 

Lambe-lambe

Mas o trabalho de Lenise Pinheiro não vai ficar parado no museu. Como ela sempre faz, vai se movimentar em intervenções pela cidade e pelos espaços do festival. “Nós queríamos levar a história para fora do museu; para as ruas e para os espaços culturais”, explica Roberta Cibin, produtora da exposição.  

Segundo Roberta, as luminárias usadas na festa de abertura serão espalhadas pelo circuito do festival e algumas das imagens mais representativas do acervo serão impressas em estandartes de tecidos que serão colocados nos teatros Guaíra e Guairinha, no Teatro da Reitoria e na Alfaiataria.  

Além disso, em pelo menos oito espaços do Festival, as imagens de Lenise serão reproduzidas em posters da técnica lambe-lambe. 

Lenise Pinheiro em autorretrato – Blog do Arcanjo

Lenise Pinheiro, a fotógrafa que respira teatro

Lenise é a fotógrafa profissional mais importante do teatro brasileiro nas últimas quatro décadas. Autora do maior e melhor registro da cena teatral contemporânea nacional. Suas fotos fazem parte da ficha técnica dos espetáculos mais importantes do país.

Como disse seu amigo Ney Latorraca no livro “Fotografia de Palco” (Edições Sesc SP), “Lenise não apenas fotografa, mas contracena, respira junto com o ator e a luz”. Segundo Latorraca, o trabalho de Lenise faz com que o “teatro não perca sua memória. Um registro das nossas emoções, com altíssimo nível. Seu foco conhece a alma dos personagens. São fotos dramáticas, alegres, tristes, ensolaradas e reveladoras, como é o teatro”. 

Lenise lembra que começou a dedicar-se à fotografia de teatro em meados da década de 80. Pelo jornal Folha de S. Paulo, fotografou o Festival de Curitiba desde a primeira edição em 1992. 

Naquele tempo, a fotografia analógica precisava ser revelada com urgência em alguma câmera escura de laboratório.  Ela conta que precisava “rebolar” para achar algum disponível em Curitiba nas tardes de domingo. “Com isso tudo as primeiras fotos carregam o significado do trabalho e apuro técnico, só faltam gritar!”.

Para ela, o ofício do fotógrafo e do ator tem um “grande ponto em comum: a mágica da revelação se dá numa sala escura, depois que se apagam as luzes”. 

A relação de Lenise com os atores – a quem chama de “os magos da minha profissão” — é de cumplicidade. Ela explica que a cobertura de um grande festival de Teatro requer concentração, organização e algum método para que tudo funcione.

“Por exemplo, eu combino com o ator e chego na hora do lenço e a partir desse momento ele já sabe que eu estou ali. Tem que estar todo mundo combinado para funcionar, nem sempre dá”, disse.

“O espírito tem que ser de parceria. No festival fica todo mundo muito pilhado, como disse a equipe tem que se dar bem na totalidade e é com eles que eu conto. Parte dessa gente está na exposição, na minha vida, na minha fotografia, eu nunca deixo de ver técnico atuando, gente criando, gente costurando, gente rindo no teatro”, disse.

A volta do público ao teatro no 30º Festival de Curitiba, afinal, é para Lenise o maior prêmio que ele poderia receber por sua trajetória. “Teatro é uma arte coletiva. Mais do que tudo neste momento não dá para deixar de associar a nossa condição enquanto ser humano/desumano. Uma plateia de teatro é uma força muito grande”. 

Exposição Viva! 30 Anos

29 de março a 29 de abril, grátis

Local: Museu Oscar Niemeyer e intervenções pela cidade de Curitiba

Artista: Lenise Pinheiro

Curadoria: Lenise Pinheiro e Iris Cavalvante

Idealização: Fabíula Bona Passini

Expografia: Daniel Marques

Produção: Roberta Cibin

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O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo de Cultura, Melhores do Ano Blog do Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor dos Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil. Foto: Edson Lopes Jr.
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