Novas Pagus: Anná, Azzula e Maíra Baldaia celebram legado de Pagu, Elza Soares e Rita Lee

Por Miguel Arcanjo Prado

Três talentos da nova geração da música brasileira sobem ao palco da SP Escola de Teatro (Praça Roosevelt, 210) para celebrar os 100 Anos da Semana de Arte Moderna de 1922 com o show Novas Pagus. A partir das 20h30 desta quarta, 9 de fevereiro, acompanhadas do violão de Helô Ferreira, as cantoras Anná, Azzula e Maíra Baldaia se unem em canções que falam da força da mulher nas artes e do legado feminista de Patrícia Rehder Galvão (1910-1962), a Pagu. Não custa lembrar que Pagu, figura icônica e libertária do movimento modernista, estudou no prédio onde hoje funciona a Unidade Brás da SP Escola de Teatro, onde acontece também a exposição Universo Pagu.

Com realização da Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e Adaap (Associação dos Artistas Amigos da Praça), o show Novas Pagus tem idealização de Ivam Cabral, curadoria e direção geral de Miguel Arcanjo Prado, e produção executiva de Elba Kriss e Rodrigo Barros, também diretor cênico do evento.

A noite especial ainda promete muita emoção, com homenagens das cantoras a outras duas mulheres importantes do legado modernista: Elza Soares, rainha da música brasileira que morreu recentemente e foi considerada a voz do milênio pelo jornal britânico The Guardian, e Rita Lee, considerada a rainha do rock e integrante da Tropicália, que bebeu na fonte antropofágica da Semana de 22, um verdadeiro ícone da cultura paulistana. No repertório, estão o sucesso Maria da Vila Matilde, de Elza Soares, e Pagu, de Rita Lee.

A seguir, Anná, Azzula e Maíra Baldaia refletem sobre serem herdeiras de Pagu, Elza e Rita.

Anná

“De Pagu, Elza Soares e Rita Lee, eu herdei a coragem de bater de frente, de incomodar e de pôr o dedo na ferida. De Pagu, Elza Soares e Rita Lee, eu herdei o caminho que elas já deixaram aberto grande parte para a gente caminhar, dançar e se expressar, igual a gente consegue fazer agora. De Pagu, Elza Soares e Rita Lee, eu herdei a ousadia de fazer, expor e machucar. Para Pagu, Elza Soares e Rita Lee, minha eterna gratidão.”

Azzula

“Desde o início da minha carreira musical com a Azzula, eu utilizo como referência a existência de algumas mulheres fortes. Sendo elas amigas, colegas de trabalho, familiares ou artistas que eu admiro. Então, de Pagu e Rita Lee, eu carrego comigo a irreverência, a vontade e coragem de romper limites que cotidianamente nos são impostos. A ousadia para ser quem realmente sou sem amarras e medos. Já da ‘mulher do fim do mundo’, a eterna rainha Elza Soares, eu levo na mente… Não só na mente, mas também no coração, a paixão. Elza, para mim, foi uma fera ferida. E, quando penso nela, eu sinto que posso ser um pouco mais forte também. Eu me sinto mais forte quanto penso nela. É como se eu também pudesse ser Elza Soares e, quem sabe, assim como foi legado dela, poder cantar até o fim. Acho que é isso. Se eu pudesse defini-las em palavras, seria: força, coragem e representativa de tudo que eu quero passar no palco.”

Maíra Baldaia. Foto por Clara França e Fernando Leles.

Maíra Baldaia

“Para mim, é sempre muito emocionante falar de Elza Soares. Ainda mais agora que ela se encantou. Eu já citava e tinha músicas homenageando o trabalho dela. Tive a sorte de poder conhecê-la. Ela é uma inspiração, que, para mim, vai estar sempre viva e pulsante. Toda a trajetória dela é marcada por postura e atitude. Ela nos mostra muito sobre a força de ser mulher e todas as nuances que isso carrega. A Elza tem uma trajetória incrível. É uma mulher também compositora, que pouco se fala desse lado. Mas ela também tinha composições. E sempre me inspirou muito, seja em posicionamento, atitude mesmo e também quanto artista, enquanto lição de vida e trajetória. Uma artista com muita presença, inteira e sempre atemporal. E até mesmo com uma postura visionária. Então, me emociono muito com a Elza. A mesma coisa Rita Lee em outro aspecto. Porque Elza, além de tudo, é uma mulher preta. Então, as coisas que nos atravessam e unem são muito profundas. Rita Lee também é uma mulher que quebrou paradigmas. Mudou mesmo o cenário da composição feminina, da presença das mulheres na música e deixou um legado muito importante. É uma honra poder homenagear essas duas mulheres e ainda celebrando Pagu, tão importante para a luta feminista. Eu tenho uma música minha, Negra Rima, que eu cito, inclusive, várias mulheres. Entre elas, Pagu. É isso: são mulheres que vieram antes de nós e pavimentaram esse caminho que a gente está trilhando hoje. Ainda tem muito a se trilhar, mas já temos muito a celebrar também. E se estamos aqui hoje é por causa delas.”

Colaboraram Elba Kriss e Rodrigo Barros.

Show Novas Pagus será transmitido ao vivo no YouTube da SP Escola de Teatro

Por conta da alta procura, que fez com que o evento gratuito tivesse os ingressos esgotados, o show Novas Pagus terá transmissão ao vivo no canal do YouTube da SP Escola de Teatro.

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Um dos mais influentes e respeitados jornalistas e críticos culturais do Brasil, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. É mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foi eleito entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha, Prêmios ANCEC e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil.
Foto: Edson Lopes Jr.
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