Dadaísmo inspira 15ª peça digital do Satyros, Cabaret Dada

Os atores Luis Holiver e Maiara Cicutt estão em Cabaret Dada, 15ª peça digital do Satyros que estreia em 11/9 - Foto: Andre Stefano/Divulgação - Blog do Arcanjo
Os atores Luis Holiver e Maiara Cicutt estão em Cabaret Dada, 15ª peça digital do Satyros que estreia em 11/9 – Foto: Andre Stefano/Divulgação – Blog do Arcanjo

A Cia. Os Satyros escolheu a data que marca os 20 anos da queda das Torres Gêmeas nos EUA para estrear seu 15º espetáculo digital. Cabaret Dada chega aos olhos do público no Espaço Digital dos Satyros neste sábado, 11 de setembro, às 18h, com ingressos gratuitos pela Sympla e com sessões sábados e domingos, 18h, e segundas, 21h, até 31 de outubro. Por sua inquieta e constante pesquisa de linguagem desde o começo da pandemia, o grupo paulistano tornou-se referência internacional na produção de teatro digital.

Passado e presente

Mas não é, pelo menos num primeiro olhar apressado, a guerra contra o terror nem a atual pandemia que foram o mote disparador da montagem, mas outros dois momentos semelhantes do século 20 que inspiraram a criação do movimento dadaísta: o caos provocado na Europa pela Primeira Guerra Mundial e a epidemia da gripe espanhola, que ceifou milhões de vidas. É neste cenário que surgiu o Cabaret Voltaire, grande berço dos dadaístas. Um espaço em Zurique, na Suíça, onde a intelectualidade encontrou abrigo em tempos sombrios e não tão diferentes dos dias de hoje.

Cabaret Voltaire: marco do dadaísmo é inspiração para nova peça do Satyros, Cabaret Dada - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Cabaret Voltaire: marco do dadaísmo é inspiração para nova peça do Satyros, Cabaret Dada – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Um século mais tarde, Rodolfo García Vázquez, diretor do espetáculo e cofundador do Satyros ao lado de Ivam Cabral, com quem escreveu a dramaturgia, propõe uma ponte centenária entre os artistas de ontem e os da atualidade, que vivem dilemas semelhantes. “Cabaré Voltaire foi um espaço de resistência de artistas em Zurique. Eles tentavam dar algum sentido ao futuro e às próprias vidas. Cem anos depois, os artistas se defrontam com graves crises políticas, revoluções sociais, enfrentamentos e uma grande pandemia que também está isolando e matando muito”, pontua.

Rodolfo García Vázquez, diretor da peça Cabaret Dada: 15ª espetáculo digital da Cia. de Teatro Os Satyros se inspira no dadaísmo – Foto: Bob Sousa – Blog do Arcanjo

“Nós decidimos fazer uma correlação entre a vida que estamos levando hoje, como artistas, e a vida que os artistas levavam há cem anos atrás. O principio básico do espetáculo é esse – o que nos une aos dadaístas e o que nos separa deles, e quais são os desafios de fazer a arte no momento tão difícil”, afirma Rodolfo García Vázquez, que conta com assistência de direção de Elisa Barboza e direção de arte de Adriana Vaz.

A obra ainda conta com assistência de direção de arte de Letícia Gomide, vídeos de Maiara Cicutt, fotos de Andre Stefano, design de Diego Ribeiro, produção de Silvio Eduardo e Maiara Cicutt, mídias sociais de Isabella Garcia e assessoria de JSPontes Comunicação.

Intérpretes

No elenco de Cabaret Dada estão 19 artistas, que atuam ao vivo diante das câmeras: Alessandra Nassi, Alex de Felix, Andre Lu, Anna Kuller, Beatriz Medina, Bruno de Paula, Cristian Silva, Dominique Brand, Elisa Barboza, Felipe Estevão, Guilherme Andrade, Heyde Sayama, Ícaro Gimenes, Ingrid Soares, Julia Francez, Karina Bastos, Luis Holiver e Vitor Lins.

Há ainda a participação póstuma em vídeo do ator Roberto Francisco, que ensaiava o espetáculo antes de falecer, ao final do mês de julho. A obra encerra a Trilogia Cabaret, que já contou com as peças Cabaret Stravaganza, em 2011, e Cabaret Fucô, de 2016, peça esta apresentada na China.

Satyros estreiam 15ª peça de teatro digital, Cabaret Dada, neste 11/9 - Foto: Andre Stefano/Divulgação - Blog do Arcanjo
Satyros estreiam 15ª peça de teatro digital, Cabaret Dada, neste 11/9 – Foto: Andre Stefano/Divulgação – Blog do Arcanjo

Dadaísmo

O dadaísmo é considerado a mais radical das vanguardas artísticas do século XX. O movimento dadaísta – ou dadá – tinha a ruptura como meta e “a destruição também é criação” como lema. A proposta dadaísta relaciona-se ao fim da estética, ou seja, à desvinculação da produção artística com aquilo que até então se entendia como arte. A proposta era a negação de todas as regras e de todas as tradições. A palavra “Dadá” significa nada – e, portanto, pode também significar tudo.

A destruição causada pela Primeira Guerra Mundial foi o motor principal para o movimento. Os artistas dadaístas franceses e alemães exilaram-se na Suíça, por não concordarem com o posicionamento de seus países de origem durante a guerra, e levaram para a arte esse protesto contra uma cultura e uma civilização incapazes de evitar o aniquilamento massivo, a desgraça e a ruína. A arte, portanto, deveria negar os valores vigentes, levantar a bandeira do absurdo e chocar, escandalizar, já que a ruína da guerra não parecia chocante o suficiente para que os governantes europeus cessassem fogo.

Artistas do movimento dadaísta - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Artistas criadores do dadaísmo – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Cabaret Voltaire

Clube noturno criado em fevereiro de 1916 em Zurique (Suíça), era dirigido pelo filósofo, poeta e romancista Hugo Ball e pela sua companheira, a cantora e poeta Emmy Hennings. Com o Cabaret Voltaire, surgia também, oficialmente, o Dadaísmo, movimento de vanguarda modernista. O grupo fundador desse movimento ficou conhecido pelo nome do clube. O espaço dava a escritores, poetas e artistas plásticos condições de liberdade artística e experimentação.

Artistas do Satyros recebem o Prêmio Arcanjo de Cultura 2020 em Teatro pela peça A Arte de Encarar o Medo – Foto: Annelize Tozetto – Blog do Arcanjo

Satyros na pandemia

Desde o início do período de isolamento, com o advento da pandemia da covid-19, Os Satyros mergulharam no teatro digital, se tornando uma das companhias mais ativas durante esse momento. Já são 15 espetáculos digitais, além do Festival Satyrianas no mesmo formato, reunindo mais de 400 atrações, das mais variadas expressões artísticas. Por estes trabalhos digitais, já recebeu 6 prêmios e 14 indicações nacionais e internacionais. A primeira peça a ser pensada para a plataforma do Zoom, A Arte de Encarar o Medo, criada e apresentada em 2020, recebeu três montagens: as versões brasileira, afro-europeia e norte-americana, todas dirigidas e ensaiadas remotamente pelo diretor brasileiro Rodolfo García Vázquez, e vistas por mais de 30 mil pessoas pelo mundo. A Cia. de Teatro Os Satyros é também uma das mais antigas e importantes em São Paulo, já produziu em 32 anos mais de 100 espetáculos, se apresentou em 27 países e ganhou mais de 100 prêmios – incluindo os maiores do teatro brasileiro, como APCA, Shell, Prêmio Arcanjo de Cultura, Mambembe, APETESP e Governador do Estado de São Paulo.

Prêmios e indicações do Satyros no Brasil e no mundo

Indicações

– Top Streaming Production/Performance, no Broadway Regional 2020 Awards;

– Production of a Play of the Decade, no Broadway Regional 2020 Awards;

– Best Ensemble, no Broadway Regional 2020 Awards;

– Director of a Play of the Decade, no Broadway Regional 2020 Awards;

– Choreographer of the Decade, no Broadway Regional 2020 Awards;

– Dancer of the Decade, no Broadway Regional 2020 Awards;

– Performer of the Decade, no Broadway Regional 2020 Awards;

– Espetáculo Digital, no Prêmio APCA 2020;

– Avanço Digital, Prêmio APCA 2021;

– Melhor Espetáculo Inédito ao Vivo, Prêmio APTR de Teatro;

– Melhor Jovem Talento, Prêmio APTR de Teatro;

– Categoria International, por “A Love Song”, no Hollywood Fringe Festival 2021;

– Categoria Two Person Show, por “A Love Song”, no Hollywood Fringe Festival 2021;

– Categoria 2Cents Theatre’s Loose Change Award Sponsored by 2Cents Theatre & Loose Change, por “A Love Song”, no Hollywood Fringe Festival 2021.

Prêmios

– Best Digital Show of the World, no Red Curtain Festival;

– Collaborative Work of the Year, no The Young-Howze Theatre Awards 2020;

– Categoria Teatro, no Prêmio Arcanjo de Cultura;

– Categoria Encore Producers Award, por “A Love Song”, no Hollywood Fringe Festival 2021;

– Categoria Encore Producers Award, por “Toshanisha – The New Normals”, no Hollywood Fringe Festival 2021;

– Categoria Redes, pela “Satyrianas 2020”, no Prêmio Arcanjo de Cultura.

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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