Gabriela Duarte sobre Bolsonaro: ‘Um desastre’

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

A atriz Gabriela Duarte, 47, avaliou como “trágico” e “um desastre” o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que foi apoiado por sua mãe, a também atriz Regina Duarte. Regina abriu mão de 50 anos de estrela da TV Globo para ser secretária especial da Cultura por três curtos meses, até ser defenestrada por Jair.

A fala de Gabriela foi dada em entrevista para a jornalista Victoria Azevedo, na coluna Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo deste domingo (11). Já vacinada, Gabriela contou que sofreu com a morte de Paulo Gustavo, de quem era próxima. “Paulo era uma unanimidade. Essa ficha ainda não caiu”, pontuou. “Ele e tantos outros da cultura eram pessoas que não só admirava, como respeitava. E quando a gente pensa nas famílias das mais de 530 mil vítimas da Covid-19, é uma tragédia”, avaliou.

Sobre o que pensa de Jair Bolsonaro, resumiu: “É trágico. Não temos uma liderança honesta, clara, que se preocupe com a vida”. E disse mais: “A forma como esse cara conduziu o governo é um desastre, realmente. Um desastre humanitário”. Já quando perguntada sobre a perseguição da qual a cultura é vítima no atual governo federal, a atriz analisou: “Tenho muita fé na arte e nesse ofício de se reinventar. A arte e a cultura estão acima do tempo, e elas irão se reerguer. Isso está acima de qualquer coisa, de qualquer ideologia. Ninguém segura a arte, ela não vai acabar”.

Para Gabriela, que votou em Ciro Gomes em 2018 no primeiro turno e anulou o voto no segundo turno, a passagem da mãe pela política faz parte do passado. “É como se tivesse fechado um ciclo em nossas vidas”, falou ela, revelando que chegou a receber desejos de que morresse, apenas por ser filha de Regina, já que Gabriela não se envolveu na política e sequer esteve na posse da mãe em Brasília.

Definindo o atual momento como de “bola pra frente”, ela define que não “dá para ficar sofrendo nem pelo passado nem pelo futuro”. Ela afirmou ainda que sempre separou sua relação de mãe e filha com Regina das decisões políticas de Regina, às quais contou que jamais foi consultada e que não pode ser responsabilizada.

Gabriela não descartou voltar a trabalhar com a mãe no futuro, com quem diz ter “uma troca artística bacana”. Ainda sobre Regina, Gabriela diz: “Ela tem o meu apoio para o que ela quiser fazer da vida. Se eu concordo ou se eu não concordo, isso realmente não importa”.

Regina Duarte, a mãe, e Gabriela Duarte, a filha, em Por Amor, na Globo: opiniões diferentes no campo político – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Ator precisa de formação sólida

Sobre a atual valorização dos influenciadores no mercado audiovisual, ela disse que espera que se volte a valorizar a formação, lembrando que estudou com nomes como Bia Lessa e Antunes Filho. Na visão da atriz, sua geração precisa retomar a importância da leitura e de uma boa formação intelectual para aqueles que vão exercitar a vida artística.

“As pessoas ficaram mais midiáticas, estão mais preocupadas com a quantidade de seguidores que elas têm. E quem comanda essa cadeia também sucumbiu a isso. Acredito numa volta de se aprofundar mais no ser humano. E isso você consegue fazer por meio dos clássicos e da leitura”, opinou.

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O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo de Cultura, Melhores do Ano Blog do Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor dos Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil. Foto: Edson Lopes Jr.
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