Bozo presidente faz arminha: conheça criadora do boneco da Vigário Geral

Bozo presidente fazendo arminha no desfile da Vigário Geral na Sapucaí foi um dos assuntos mais comentados do Carnaval 2020: criação da arquiteta e cenógrafa Carila Matzenbacher, nome conhecido nos bastidores do Teat(r)o Oficina – Foto: Reprodução Blog @miguel.arcanjo UOL

Muita gente comentou o bonecão Bozo presidente fazendo arminha com a mão no desfile da Escola de Samba Acadêmicos de Vigário Geral no Sambódromo do Rio de Janeiro. A imagem foi parar até na capa da revista IstoÉ. Mas, o que pouca gente sabe é que o boneco gigante que impressionou a Marquês de Sapucaí na abertura dos desfiles da Série A é obra da arquiteta, figurinista e cenógrafa Carila Matzenbacher, como apurou o Blog Miguel Arcanjo.

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Profissional renomada do meio teatral, ela trabalhou em grandes obras do Teat(r)o Oficina, dirigido por José Celso Martinez Corrêa, como nas remontagens de “O Rei da Vela” e “Roda Viva”, duas peças clássicas da companhia paulistana sexagenária.

Boneco feito por Carila Matzenbacher para a Vigário Geral foi parar na capa da revista semanal IstoÉ – Foto: Reprodução Blog @miguel.arcanjo UOL

Em conversa exclusiva com o Blog Miguel Arcanjo, Carila conta que “foram dois meses de acompanhamento diários, fazendo assistência para um dos três carnavalescos, Alexandre Costa [a Vigário tem três carnavalescos formando um time: Alexandre Costa (cenografias/alegorias), Lino Salles (figurinos/fantasias), Marcus do Val (dramaturgia/enredos)]”.

Carila lembra que este ano foi especial, pois marcou a volta da Vigário Geral à Série A do Carnaval carioca. “A Vigário Geral subiu para a série A este ano, o que significa que a Escola desfilou novamente na Marques de Sapucaí após 21 anos, foi um desfile com várias camadas de significado para os envolvidos”, pontua.

Arquiteta e cenógrafa Carila Matzenbacher criou o boneco Bozo presidente da Vigário Geral e é responsável pela cenografia do Teat(r)o Oficina há mais de dez anos – Foto: Jennifer Glass/Divulgação/Oficina Blog @miguel.arcanjo UOL

Sobre o tom politizado do desfile, ela explica: “A sátira marca todo o Carnaval da Vigário Geral em 2020, que cantou o Conto do Vigário, todas as farsas políticas da história do Brasil, desde ‘seu descobrimento’ (colonização exploratória) até os dias atuais. Terminando com o bloco do carnaval, uma auto referência aos carnavais passados e suas formas de protesto, ala onde o tripé [com o Bozo presidente fazendo arminha] estava inserido”, lembra.

A cenógrafa explica sua criação que impactou a Sapucaí: “Fazer o tripé fez todo o sentido, no contexto do desfile e no contexto de minha vida profissional, no Oficina, onde fizemos dois grandes bonecos, o Sr. Shimiti de ‘Acordes’ e o Aberladão I de ‘O Rei da Vela’ e agora o Boneco da Marquês de Sapucaí da Vigário Geral”, diz ela, afirmando ter feito uma “Ópera de Carnaval, teatro e carnaval misturados em vida”, lembrando o samba-enredo que diz: “Vigário, teu protesto é Carnaval”. A agremiação ficou em 11º lugar na Série A, conseguindo manter-se nela no ano que vem.

Bozo fazendo arminha impacta Sapucaí no Carnaval da Vigário Geral: escola ficou em 11º lugar na série A do Carnaval do Rio de Janeiro – Foto: Reprodução Blog @miguel.arcanjo UOL

Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná em 2004, Carila também chegou a cursar Artes Cênicas na Faculdade de Artes do Paraná até, em 2008, resolver radicar-se em São Paulo, onde estudou no Espaço Cenográfico de J.C. Serroni. No mesmo ano, entrou para o Oficina, tornando-se associada à Uzyna Uzona comandada por Zé Celso.

A cenógrafa participou de mais de 30 montagens, como “Cacilda”, “Bacantes” e ainda recriou os cenários de Helio Eichbauer para a remontagem cinquentenária de “O Rei da Vela”, em 2017. No ano seguinte, concluiu o mestrado na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, a Fau, com a dissertação “Arquitetura Teat(r)al Urbanística_ Evolução Espaço Cênico_ Teat(r)o Oficina 1956-2010”.

Carila ainda é autora da arquitetura cênica, cenário, objetos e alguns figurinos do espetáculo “Roda Viva”, montado também 50 anos após sua estreia histórica de 1968 e que volta em nova temporada em 13 de março na sede do Teat(r)o Oficina (r. Jaceguai, 520), devido ao grande sucesso.

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