Drama metafísico, A Decadência dos Seres Não Abstratos pode ser visto em SP

Os atores Fabiana Costa, Tom Paranhos e Vivi Mori na peça A Decadência dos Seres Não Abstratos, de Marcio Aquiles, que pode ser vista na Sala Alberto Guzik da SP Escola de Teatro na praça Roosevelt – Foto: Henrique Mello – Divulgação – Blog @miguel.arcanjo UOL

A peça “A Decadência dos Seres Não Abstratos”, em cartaz na SP Escola de Teatro na praça Roosevelt, é definida por seus realizadores como uma experiência de drama metafísico. Os artistas afirmam que a obra propõe “uma reflexão sobre a natureza concreta e o signo alegórico”. Para isso, a peça tem dois territórios paralelos, o transcendental e o empírico, jogando com os conceitos de tempo e espaço.

A diretora portuguesa Luisa Pinto, que assina a direção com o brasileiro Higor Lemo, lembra que “são duas narrativas, duas perspectivas diferentes sobre o mesmo tema, que se apresentam em dois planos, como se de um filme se tratasse”. E complementa: “Duas realidades distintas que acabam por se intersectar. Cada uma das relações é, simultaneamente, de interdependência e rivalidade, de influência mútua e de competição, de desamor, de vida e de morte. Esta proposta joga-se na hibridez entre o palco e a tela, transpondo barreiras entre o real e o imaginário. Duas realidades distintas que acabam por se intersectar”.

“Este trabalho apresenta grande intersecção das artes cênicas com as artes visuais. Trabalhar com essa característica bastante peculiar para um espetáculo teatral é desafiador e maravilhoso, somado a isso, a dramaturgia traz outra camada bastante complexa, com uma narrativa filosófica que, a priori, distancia o discurso do nosso cotidiano, contudo nos aproxima ao falar tão clara e diretamente da nossa atual condição de ser humano. ‘A Decadência dos Seres Abstratos’ é uma rica oportunidade para não respondermos perguntas, e sim para formularmos questionamentos sobre nós”, diz Lemo.

O dramaturgo Marcio Aquiles afirma o seguinte sobre este texto: “Não há dúvidas, ainda mais neste contexto nefasto, da importância de peças políticas, panfletárias ou em defesa explícita de assuntos identitários. Contudo, o teatro abstrato jamais deixou de ter a sua relevância no mundo, devido a sua capacidade de elevar o pensamento a outros níveis de significação. A ficção pura e simples, seja dramática, literária ou cinematográfica, jamais perderá a sua relevância social, uma vez que cidadãos também precisam de espaço para hedonismo e devaneio, que também não deixam de ter, e muita, reverberação no campo político”.

A peça já passou pelo Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), no Porto, em Portugal, com elenco de 20 estudantes da Escola Superior Artística do Porto. No último festival Satyrianas, Luisa se aliou ao diretor brasileiro Higor Lemo, para fazer uma montagem com atores brasileiros. Estão no elenco os atores Carla Roeher, Fabiana Costa, Gabriela Fazuna, Guilherme Andrade, Higor Lemo, Matheus Rommaní, Nadia Verdun, Tom Paranhos e Vivi Mori.

A obra pode ser vista na Sala Alberto Guzik, SP Escola de Teatro (praça Roosevelt, 210), sextas, às 21h; sábados e domingos, às 19h; segunda, às 21h, até 17 de fevereiro com ingresso a R$ 30 e R$ 15.

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