Fotógrafo lança olhar poético para negros na periferia de SP

Retrato da mostra “Bambas”, do fotógrafo Hudson Rodrigues, no MIS – Foto: Hudson Rodrigues – Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Uma senhora negra sentada ao lado de botijão de gás recostada na parede de reboco. Um senhor negro, elegantemente engravatado, apresenta uma cédula de cem reais na mão onde um chamativo anel reluz em um dos dedos. Uma jovem, também negra e empoderada, encara, detrás de seus ostentosos óculos escuros, a câmera.

Tais imagens, todas impactantes e que ilustram esta matéria no Blog do Arcanjo no UOL, integram a exposição “Bambas”, com 18 imagens do fotógrafo Hudson Rodrigues, no MIS, em São Paulo.

Repletas de força e poesia, as fotos revelam um cotidiano apagado na gigante metrópole São Paulo: aquele dos pobres e pretos que vivem em suas periferias, longe dos holofotes.

A mostra é aberta nesta quinta (25) no MIS (av. Europa, 158), em São Paulo, onde ficará em cartaz até 9 de dezembro com entrada gratuita, de terça a sábado, 12h às 20h, domingos e feriados, 11h às 19h.

Retrato da mostra “Bambas”, do fotógrafo Hudson Rodrigues, no MIS – Foto: Hudson Rodrigues – Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

Hudson Rodrigues, 37 anos, é paulistano de Americanópolis, no extremo sul da capital paulista. Portanto, conhece de perto o cotidiano retratado em suas imagens, o que lhe permite uma fotografia íntima.

“Venho de uma família preta, em uma casa de bambas, onde se tocava samba com muito respeito”, define, cheio de orgulho.

Há cerda de três anos, ele começou a apontar sua lente para seu entorno. “Há mais ou menos três anos comecei a me interessar pelo meu passado e pelas pessoas pretas e assim, meio que sem querer, comecei a fotografar os ‘bamba’ – pretos da rua e da minha família”, conta.

Retrato da mostra “Bambas”, do fotógrafo Hudson Rodrigues, no MIS – Foto: Hudson Rodrigues – Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

A partir daí o fotógrafo passou a estudar as situações daquelas pessoas para criar algo que fosse, de certo modo também, a representação de si próprio. “Sem perder o fio natural de ser e de sentir”, filosofa.

Entre as imagens capturadas estão de um primo repleto de vida e de uma tia cansada, recostada. “Fotografei o que me cercava”, define.

A mostra integra o projeto Nova Fotografia, do Museu da Imagem e do Som, que revela anualmente novos talentos das artes visuais fotográficas. Novos fotógrafos que desejarem participar da seleção para 2019 podem se inscrever entre 25 de outubro e 9 de dezembro no site do MIS.

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