Vencedora da Casa dos Artistas, Carol Hubner conquista o teatro

Carol Hubner, rodeada dos colegas de elenco Haroldo Miklos, Diogo Pasquim e Juan Manuel Tellategui: atriz conquista seu lugar nos palcos e estreia “Enquanto as Crianças Dormem” no Teatro Aliança Francesa, em São Paulo, nesta quarta (31) – Foto: Leekyung Kim

Por Miguel Arcanjo Prado

O Brasil foi apresentado a Carol Hubner no ano de 2004, quando ela venceu a quarta edição do pioneiro reality show do SBT “Casa dos Artistas – Protagonistas de Novelas”.

Mesmo eleita pelo Brasil a vitoriosa no reality, o SBT não cumpriu o prometido, e a atriz acabou não protagonizando a novela “Esmeralda”, ganhando apenas uma personagem no folhetim, o que foi uma grande polêmica na época.

Desde então, mais do que a TV, o teatro foi onde a artista conquistou seu lugar. Ela já atuou em 12 peças, além de uma novela e seis filmes.

Se tudo vai bem nos palcos, também vai na vida pessoal. Ela é casada com o tenista e comentarista esportivo Fernando Meligeni, com quem tem dois filhos: Gael, de sete anos, e Alice, de três.

A atriz volta aos palcos de São Paulo como protagonista do espetáculo “Enquanto as Crianças Dormem”, com autoria e direção de Dan Rosseto.

No antimusical tragicômico, vive Kelly, uma atendente de fast food que sonha em ser estrela da Broadway e acaba percebendo que sua fantasia pode se tornar um pesadelo.

A obra estreia nesta quarta (31), no Teatro Aliança Francesa (r. General Jardim, 182, metrô República), onde cumpre temporada às quartas e quintas, 20h30, até 27 de julho, com entrada a R$ 50 e R$ 25.

No elenco, ainda estão Carolina Stofella, Diogo Pasquim, Haroldo Miklos, João Sá, Juan Manuel Tellategui, Roque Greco e Samuel Carrasco.

Carol Hubner conversou com o Blog do Arcanjo do UOL sobre este momento e falou ainda sobre a família e a participação na “Casa dos Artistas”. Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado – Como você foi parar na quarta edição do reality “Casa dos Artistas”, do SBT, em 2004?
Carol Hubner – Eu já era atriz e tinha feito uma peça profissional, mas fazia muitos eventos como recepcionista  para conseguir uma grana. Foi a gerente da agência WTF, Renata Valadares, que me ligou e perguntou se podia me inscrever para participar do reality. Não somente ela como todas as recepcionistas sabiam o quanto eu queria exercer a função de atriz. Eu disse que não queria, tinha medo da exposição. Ela disse: “Vem aqui na agência que eu estou fazendo a sua inscrição no site”. Enfim, me ligaram e dos mais  87 mil inscritos, 3.000 mil entrevistados e 14 que entraram na casa, eu venci. Eu entrei na casa focada, a cada aula, cada cena, cada direção do Nilton Travesso, eu não dispersava. Eu estive muito atenta as nove semanas que fiquei lá dentro, eu queria “ser  atriz” . Eu queria muito este título!

Carol Hubner em 2004, quando venceu o “Casa dos Artistas” no SBT – Foto: Divulgação

Miguel Arcanjo Prado – E como foi sair vencedora? O que aprendeu?
Carol Hubner – Eu entrei na casa buscando reconhecimento, mas sai de lá “conhecida”. A casa me trouxe tanta coisa que acho que até hoje estou aprendendo lições para a minha vida. Acho que a maior de todas é que você pode ser um ator bom ou um ator ruim, você pode receber elogios ou críticas, você pode ter sido escolhido por um Paulo Autran, e receber elogios em rede nacional, nada garante. Você será ator se quiser ser, não existem títulos que possam garantir isso. Ser atriz é um tanto efêmero. Se solidificar na carreira é para poucos, muito poucos.

Miguel Arcanjo Prado – Você vem traçando uma trajetória cada vez mais sólida no teatro. Por que esta escolha?
Carol Hubner – Eu amo o teatro. O teatro é vivo. O teatro é um encontro. Não importa se você está no palco, na plateia ou na coxia o teatro precisa de pessoas para acontecer. Isso é apaixonante, mas acho que para mim o principal é o tempo, para fazer teatro é preciso de tempo, e eu gosto de pensar antes de escolher, eu gosto de entender antes de decidir, e eu sou lenta demais.

Miguel Arcanjo Prado – Quer voltar a fazer TV?
Carol Hubner – Já tive muita vontade de voltar para a TV, mas percebo que coloco toda a minha energia no teatro, não vou nem em testes de publicidade, imagine ligar para um produtor de elenco. Agora, mal saio de uma peça e já ligo para meio mundo procurando outra.

Miguel Arcanjo Prado – E fazer cinema?
Carol Hubner – O cinema me interessa muito, tenho alguma experiência, tenho estudado cinema, participado de grupos de estudo e frequentado cursos. Gosto muito, pois tem o tempo que eu preciso para assimilar as coisas. Sou muito autocrítica. Na TV, você decora e grava, dificilmente vou “acertar”. Admiro muito os atores que têm este dom.

Protagonista nos palcos: Carol Hubner entre os colegas de elenco de “Enquanto as Crianças Dormem”, Diogo Pasquim, Haroldo Miklos e Juan Manuel Tellategui – Foto: Leekyung Kim

Miguel Arcanjo Prado – Você imaginava fazer um antimusical? Como está sendo?
Carol Hubner – Não sabia nem que existiria um antimusical, imagine fazê-lo. Quando o Dan Rosseto [autor de diretor de “Enquanto as Crianças Dormem”] surgiu com a ideia, eu já estava superenvolvida com o enredo, e isto foi o que me atraiu, ser um antimusical foi a forma que ele decidiu contar a história . O processo, que está chegando ao fim, está sendo muito intenso, muitas horas de trabalho com uma equipe muito dedicada. Não me lembro de nenhum processo no teatro que tenha trabalhado com 100% dos profissionais tão entregues.

Miguel Arcanjo Prado — Está nervosa para a estreia?
Carol Hubner – A estreia é uma grande aventura, é a primeira vez que um grupo de diferentes pessoas assistirão tudo que ficamos durante meses estudando, escolhendo, descobrindo e repetindo. Fico muito nervosa, passo muito mal, dores de barriga, tremores… Tento muito mudar isso, mas ainda não consegui!

Miguel Arcanjo Prado – Quem é sua personagem? Como a criou?
Carol Hubner – A Kelly é uma garota sozinha, sem amor, sem perspectiva real e muito sonhadora que vive em uma fantasia, mas é capaz de qualquer coisa para alcançar o seu sonho. A Kelly é a fragilidade e a força do feminino. A criação da Kelly foi acontecendo com as indicações do Dan diretor e o Dan dramaturgo, penso que a minha colaboração possa ter sido através de muita observação, busca pelo autoconhecimento e busca pela compreensão do outro. Acho que sou alguém que vê o mundo buscando respostas a maior parte do tempo, muitas Kellys cruzaram e cruzam o meu caminho desde sempre. Ultilizo desta bagagem que carrego em mim.  A Kelly está aí, próxima de mim no meio que eu vivo, ela está no inconsciente da juventude. “Meu sonho é ir para América, ficar reconhecida” . A maior referência que uso para os momentos de fantasias da Kelly é a Dorothy de “O Mágico de Oz”.

Carol Hubner com o marido, Fernando Meligeni, e os filhos, Gael e Alice – Foto: Arquivo pessoal

Miguel Arcanjo Prado – Você tem um casamento sólido com o tenista e comentarista esportivo Fernando Meligeni. Por que vocês deram tão certo? Ele te incentiva a continuar nos palcos? 
Carol Hubner – Eu e o Fernando nos respeitamos, nos admiramos, conversamos muito e nos apoiamos. Queremos estar casados, acho que isso é a base do nosso relacionamento. Ele é um grande incentivador da minha carreira, ele faz o que pode, ele não mede esforços para que eu consiga estar no palco. É o meu maior parceiro da vida!

Miguel Arcanjo Prado – Como é ser mãe e ser atriz ao mesmo tempo? Como concilia tudo?
Carol Hubner – É um caminho difícil ser mãe e atriz, duas funções que requerem muita entrega. Sempre digo que só consigo pois frequento a análise, tenho uma ajudante, a Luciana, e o principal: tenho um companheiro que exerce com plenitude a sua função de pai. Temos dois filhos, O Gael, com sete anos, e a Alice, com três, e eu tenho o maior orgulho do mundo quando digo que o Fernando leva e busca na escola, na festinha ou onde quer que seja, dá o jantar, o banho, brinca, educa…  Se eu não estou em casa, ele faz tudo o que tem que ser feito e foi assim desde a primeira troca de fralda do nosso primeiro filho. É chato falar que é difícil encontrar um cara assim, mas a maioria dos homens ainda não entenderam o que é respeitar a mulher.

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