Cia Antropofágica celebra 15 anos com 140 dias de atividades grátis

Foto: Divulgação

Cena de “Terror e Miséria no Novo Mundo”, da Cia. Antropofágica – Foto: Gabriel Oliveira

Por Miguel Arcanjo Prado

A Companhia Antropofágica, com sede na rua Turiassu, 481, em Perdizes, zona oeste de São Paulo, celebra seus 15 anos de trajetória com farta programação gratuita. São 140 dias de atividades, dentre elas a “Trylogia Terror e Miséria no Novo Mundo”, com três espetáculos diferentes por fim de semana, dentro do projeto comemorativo “Tram(a)antropofágica”. O diretor da Antropofágica, Thiago Reis Vaconcelos, conversou com o Blog do Arcanjo do UOL sobre este momento especial. Leia a entrevista.

Miguel Arcanjo Prado – Qual a importância de chegar aos 15 anos de trajetória?
Thiago Reis Vaconcelos –
É um exercício  difícil e estimulante refletir sobre o próprio trabalho pois, ao mesmo tempo que pode ser uma contribuição reflexiva que revele indícios do processo sociocultural de seus fazedores, pode cair facilmente em uma visão apaixonada que turve elementos que nós, de dentro, somos incapazes de enxergar. Por conta disso há duas abordagens: a que vem de um lugar de fala da Antropofágica e a que vem daqueles que a observam. Ambas estão presentes e entendemos que estas duas vozes são absolutamente necessárias e complementares.

Miguel Arcanjo Prado – O que é o Tram(a)ntropofágica?
Thiago Reis Vasconcelos – A Tram(a)ntropofágica é uma aventura ,uma epopeia que envolve um grupo que tem por volta de 30 integrantes. Quando olhamos para um tema, um texto ou propomos um simples jogo existem 30 vozes, vindas de subjetividades distintas, se chocando. Isso gera um caos e desse caos vem um dos grandes desafios nossos de cada dia de ensaio: transformar isso em linguagem, poesia e teatro.

Cena do projeto "Terror e Miséria no Novo Mundo" - Foto: Rafael Mafra

Cena do projeto “Terror e Miséria no Novo Mundo” – Foto: Rafael Mafra

Miguel Arcanjo Prado – Foram quanta peças neste período?
Thiago Reis Vasconcelos – São mais de vinte trabalhos que criamos ao longo destes 15 anos e todos eles serão apresentados ao público em um período condensado em aproximadamente um ano. Isso só é possível porque muitos de nós estamos há mais de dez anos juntos. Por outro lado, com os núcleos de formação chegam os novos integrantes do grupo, o time que traz o frescor e desorganiza o que seria a sedimentação desta poética. Um processo interminável de renovação tão caro aos organismos que se pretendem vivos. É preciso estar em movimento constante ao mesmo tempo em que se acumula o conhecimento da tribo.

Miguel Arcanjo Prado – Vocês esperam conquistar mais público?
Thiago Reis Vasconcelos – Um dos objetivos deste projeto é nos aproximar de um público que também ainda não conhecemos e trocar com ele. Abriremos a nossa sede e a nossa trama para que todos os interessados em discutir, observar e interagir com o fazer teatral da Antropofágica se aproximem.

Miguel Arcanjo Prado – Qual a expectativa para o futuro?
Thiago Reis Vasconcelos – Sobreviver a este projeto neste tempo e carregar mais 15 anos de história é um desejo, mas não uma certeza. Os desafios são de várias ordens: financeiros, afetivos, criativos e a vontade de transpor estas barreiras é o que tem nos alimentado para não nos tornarmos meros replicantes de nós mesmos. Picasso tinha uma frase que neste momento provoca nossas tentativas de reinventarmos nossos processos. Bom a frase diz mais ou menos assim: “copiar aos outros é necessário, copiar a si mesmo é patético”.

Saiba a programação da Tram(a)ntropofágica!

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