Morte de Domingos Montagner choca amigos do teatro e do circo

Domingos Montagner (1962-2016) - Foto: Globo/Caiuá Franco

Domingos Montagner (1962-2016) – Foto: Globo/Caiuá Franco

Por Miguel Arcanjo Prado

Apesar de ter ficado conhecido do grande público por sua participação em novelas nos últimos anos, o ator Domingos Montagner, que morreu afogado aos 54 anos, nessa quinta (15), em Canindé de São Francisco (SE), era um artista fortemente ligado ao mundo do teatro e do circo em São Paulo.

Ele, inclusive, tinha seu próprio circo, o Circo Zanni, do qual era diretor artístico, e fundou o grupo La Mínima – Circo e Teatro, ao lado do parceiro Fernando Sampaio.

A confirmação da morte do ator foi recebida com profunda tristeza pelos colegas da classe teatral.

“As coisas não são justas”, afirmou Rudifran Pompeu, presidente da Cooperativa Paulista de Teatro. O diretor José Roberto Jardim definiu a perda do amigo como “uma tristeza sem fim”. O produtor Rafael Ferro disse que “o Brasil perdeu mais um dos grandes”.

Rodrigo Matheus, do Circo Mínimo, afirmou que não podia crer na morte do amigo “Duma”, como chamava carinhosamente Montagner. “O circo brasileiro está de luto. O teatro brasileiro está de luto. A TV e o cinema brasileiros estão de luto”.

Diretor do Festival de Teatro de Curitiba, Leandro Knopfholz declarou: “Um cara do bem, no auge da carreira, sempre fiel às suas origens circenses e bom amigo”.

Lee Taylor, que também é do teatro e faz Martim em “Velho Chico”, chamou o colega de “grande parceiro” e agradeceu: “Gratidão pela sua generosidade”. O dramaturgo Alessandro Toller lembrou que o ator representava toda uma classe: “Pessoal de teatro trabalha tanto a vida inteira com pouquíssimo reconhecimento. Escolherem Montagner como um dos protagonista para grande público aos mais de 50 por seu trabalho em teatro era muito simbólico para todos nós”.

Mesmo com a fama na TV, Montagner jamais abandonou seus colegas de palco e de picadeiro, por quem era muito querido.

O sucesso televisivo chegou em sua vida quando ele já era um homem maduro, com mais de 40 anos, e já estava preparado para lidar com o furacão da fama, pelo qual nunca se deixou afetar.

Foi justamente por ser um tipo de ator em falta na televisão, homem maduro e com talento, que conquistou rapidamente destaque nas novelas.

Domingos Montagner faz a maquiagem no Circo Zanni - Foto: Arquivo/UOL

Domingos Montagner faz a maquiagem no Circo Zanni – Foto: Arquivo/UOL

Artista de circo

Montagner nasceu em São Paulo em 26 de fevereiro de 1962. Seu primeiro contato com o teatro foi como aluno da atriz Myriam Muniz (1931-2004), no fim da década de 1980. Em 1989, passou a cursar o Circo Escola Picadeiro.

Dois anos mais tarde, começou a estudar clown, a arte do palhaço, com Roger Avanzi, o Palhaço Picolino, e também a aprender técnicas circenses com José Wilson Moura Leite.

Logo, o ator resolveu passar uma temporada na França, onde estudou na Escola Nacional de Annie Fratellini e na Escola de Trapézio Volante, de Jean Palac. Na Itália, estudou a arte do palhaço com Leris Colombaioni.

De volta ao Brasil, em 1997 cria o grupo La Mínima, com o qual faz espetáculos como “À La Carte”, de 2001, e “A Noite dos Palhaços Mudos”, de 2008, inspirado nos quadrinhos de Laerte e que lhe rendeu o cobiçado Prêmio Shell de melhor ator.

Fernando Sampaio e Domingos Montagner formavam a La Mínima Circo e Teatro - Foto: Divulgação

Fernando Sampaio e Domingos Montagner formavam a La Mínima Circo e Teatro – Foto: Divulgação

Estreia na TV

A estreia na TV foi acontecer só em 2008, quando integrou o elenco de “Mothern”, série do canal pago GNT. No mesmo ano, fez pequena participação na série “Força Tarefa”, na Globo.

Em 2011, foi alçado ao posto de galã no seriado “Divã”, protagonizado por Lília Cabral. A partir daí passou a chamar mais a atenção, sendo convidado, no mesmo ano, para viver o cangaceiro Herculano, em “Cordel Encantado”, sua primeira novela.

Em 2012, Gloria Perez o escalou para um dos principais papéis da novela “Salve Jorge”, na qual conquistou definitivamente o grande público do horário nobre.

Fazendo um tipo de homem maduro e seguro, logo o ator ganhou mais espaço na Globo, com a carreira na televisão ganhando cada vez mais peso em sua vida, sendo seu nome disputado por autores e diretores até ser escalado para viver o personagem Santo, de “Velho Chico”, seu último papel, no qual contracenava com Camila Pitanga, colega com quem estava no momento em que se afogou nas águas do rio São Francisco, tema da novela.

Montagner deixa a mulher, a atriz e produtora Luciana Lima, e três filhos: Leo, Antônio e Dante. E os milhares de fãs que conquistou como ator e palhaço, em uma trajetória brilhante. O Brasil perde um grande artista.

Domingos Montagner, artista de circo, teatro e TV - Foto: Globo/Caiuá Franco

Domingos Montagner, artista de circo, teatro e TV – Foto: Globo/Caiuá Franco

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