Morrer pela beleza: “Bailarinas Incendiadas” chega ao Festival de Curitiba

Espetáculo internacional da diretora argentina Luciana Acuña estreia no Brasil na Mostra Lucia Camargo

Por Redação Fringe

Morrer pela beleza: “Bailarinas Incendiadas” chega ao Festival de Curitiba © Annelize tozzeto Divulgação para Miguel Arcanjo

Ser bailarina no século 19 era um ofício de alto risco. Foi o que demonstrou um ensaio do professor e historiador da arte Ignacio Gonzales, da Faculdade de Buenos Aires, chamado “Bailarinas decimonónicas en llamas: un ensayo sobre peligros reales e incineraciones metafóricas.”

O estudo revelou a trágica realidade de acidentes frequentes causados pela iluminação com lampiões a gás, que incendiavam os tecidos de tule, altamente inflamáveis, usados em cena.

A pesquisa fascinou Luciana Acuña, uma das bailarinas, coreógrafas e diretoras cênicas mais influentes da Argentina. Diretora do Grupo Krapp, de Buenos Aires, ela partiu dessa história real para criar a peça performática Bailarinas Incendiadas, que mistura dança, teatro, música e cinema.

O espetáculo do Grupo Krapp estreia no Brasil nas duas sessões na Mostra Lucia Camargo da 34ª edição do Festival de Curitiba, nos dias 9 e 10 de abril, às 20h30, no Teatro Cleon Jacques. Os ingressos para o Festival estão à venda pelo site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).

Partindo desse tragicamente real ponto de partida, a pesquisa de Luciana Acuña e de seu grupo alcançou todo o universo estético e histórico da época da combustão daqueles corpos, para discutir quem eram aquelas mulheres e se aquilo era realmente um acidente ou parte programada do espetáculo.

A diretora inclui nessa composição a lenda de uma santa popular, La Telesita, que tem muitos devotos na cidade do norte argentino Santiago del Estero e que também morreu incendiada.

Bailarinas que pegam fogo por causa de seus vestidos. Vestidos que produzem beleza. Morrer pela beleza. Vale a pena perguntar o que disso ainda permanece hoje. E essa pergunta fica no ar”, indaga a diretora em entrevista à revista Replicantes.

A peça exige um trabalho intenso de entrega das bailarinas em cena e um jogo cênico multiplataforma com vídeo, música e efeitos. Também exige a participação ativa do público.

Desde o começo tive a intuição de que todos deveriam estar dentro dessa fogueira. Não era uma obra para ser vista de longe. Não havia tanto algo para mostrar, mas sim algo para compartilhar. A experiência deveria ser vivida em igualdade com o espectador”, disse a diretora.

Mostra Lucia Camargo no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.

Serviço:
Bailarinas Incendiadas – Mostra Lucia Camargo
34º Festival de Curitiba
Local: Teatro Cleon Jacques (Rua Prof. Nilo Brandão, 710 – São Lourenço)
Data: 9 e 10 de abril
Horário: 20h30
Categoria: Drama
Classificação: Livre
Duração: 75 min

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