Bailarinas Incendiadas chega ao Festival de Curitiba com história inusitada

Por Redação Fringe
Ser bailarina no século 19 era um ofício de alto risco. Foi o que demonstrou um ensaio do professor e historiador da arte Ignacio Gonzales, da Faculdade de Buenos Aires, chamado “Bailarinas decimonónicas en llamas: un ensayo sobre peligros reales e incineraciones metafóricas.”
O estudo revelou a trágica realidade de acidentes frequentes causados pela iluminação com lampiões a gás, que incendiavam os tecidos de tule, altamente inflamáveis, usados em cena.
A pesquisa fascinou Luciana Acuña, uma das bailarinas, coreógrafas e diretoras cênicas mais influentes da Argentina. Diretora do Grupo Krapp, de Buenos Aires, ela partiu dessa história real para criar a peça performática Bailarinas Incendiadas, que mistura dança, teatro, música e cinema.
O espetáculo do Grupo Krapp estreia no Brasil nas duas sessões na Mostra Lucia Camargo da 34ª edição do Festival de Curitiba, nos dias 9 e 10 de abril, às 20h30, no Teatro Cleon Jacques. Os ingressos para o Festival estão à venda pelo site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).
Partindo desse tragicamente real ponto de partida, a pesquisa de Luciana Acuña e de seu grupo alcançou todo o universo estético e histórico da época da combustão daqueles corpos, para discutir quem eram aquelas mulheres e se aquilo era realmente um acidente ou parte programada do espetáculo.
A diretora inclui nessa composição a lenda de uma santa popular, La Telesita, que tem muitos devotos na cidade do norte argentino Santiago del Estero e que também morreu incendiada.
“Bailarinas que pegam fogo por causa de seus vestidos. Vestidos que produzem beleza. Morrer pela beleza. Vale a pena perguntar o que disso ainda permanece hoje. E essa pergunta fica no ar”, indaga a diretora em entrevista à revista Replicantes.
A peça exige um trabalho intenso de entrega das bailarinas em cena e um jogo cênico multiplataforma com vídeo, música e efeitos. Também exige a participação ativa do público.
“Desde o começo tive a intuição de que todos deveriam estar dentro dessa fogueira. Não era uma obra para ser vista de longe. Não havia tanto algo para mostrar, mas sim algo para compartilhar. A experiência deveria ser vivida em igualdade com o espectador”, disse a diretora.
A Mostra Lucia Camargo no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis no Facebook @fest.curitiba, pelo Instagram @festivaldecuritiba e pelo Twitter @Fest_curitiba.
Serviço:
Bailarinas Incendiadas – Mostra Lucia Camargo
34º Festival de Curitiba
Local: Teatro Cleon Jacques (Rua Prof. Nilo Brandão, 710 – São Lourenço)
Data: 9 e 10 de abril
Horário: 20h30
Categoria: Drama
Classificação: Livre
Duração: 75 min
*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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