‘Sófocles não é maior que a gente’, diz ator do Grupo Magiluth Mário Sérgio Cabral no Festival de Curitiba

“Sófocles não é maior do que a gente. É todo mundo igual”, diz Mário Sergio Cabral, do Magiluth © Annelize Tozzeto Divulgação para Miguel Arcanjo 2026

Por Redação Fringe

Em sua oitava vez no Festival de Curitiba, os pernambucanos do Magiluth, hoje um dos grupos teatrais mais respeitados do país, chegam à programação da Mostra Lucia Camargo do Festival de Curitiba com a peça “Édipo REC”, uma releitura da tragédia grega de Sófocles com forte inspiração cinematográfica e crítica à realidade “recortada” das redes sociais.

O espetáculo reedita pela quarta vez a parceria com o encenador paulista Luiz Fernando Marques, o Lubi. E a receita para o sucesso do conjunto parece ser uma rejeição completa a qualquer cadeia de comando. “O Lubi só não é mais um integrante do Magiluth porque não quer. É o cara que mais usa o nosso boné”, brinca o ator e produtor Mário Sergio Cabral. “Parece que a gente pensa do mesmo jeito, via bluetooth. Nossa intenção em cada trabalho é estabelecer um diálogo com todo mundo, sem hierarquia. O Sófocles também não é maior do que a gente. É todo mundo igual.”

© Annelize tozzeto Divulgação para Miguel Arcanjo

Foi essa “pegada horizontal”, digamos assim, que deu liberdade para o Magiluth transformar o clássico grego numa espécie de “festão tecnobrega” em sua versão contemporânea, com discotecagem, dança e até uma biritinha – pelo menos em sua primeira parte. A “tragédia” mesmo só começa depois da primeira hora de apresentação. “Essa festa é uma maneira de colocar a plateia dentro da tragédia. As pessoas precisam saber como as coisas estavam antes pra entender a dimensão do que vai acontecer”, defende Lubi.

“Édipo REC” tem duas sessões, nesta quarta e quinta, dias 08 e 09 de abril, às 20h30, na Ópera de Arame. O local foi uma sugestão da organização do Festival, que volta ao “teatro aberto municipal” depois de um hiato de anos.

“Quando chegou a proposta da Ópera pra gente, foi um pouco assustador. É um lugar lindo, mas é gigantesco”, confessa Giordano Castro, que assina a dramaturgia. “É interessante também ver como o curitibano se relaciona com a Ópera, e entende ela como a sua arena”, pontua Lubi. “Eu estava acompanhando a montagem lá ontem e o dia inteiro tem gente chegando, entrando, saindo.

© Annelize tozzeto Divulgação para Miguel Arcanjo

No palco de “Édipo REC” estará Erivaldo Oliveira, integrante do Magiluth que recentemente participou do filme “O Agente Secreto”, do também recifense Kléber Mendonça Filho, indicado ao Oscar em quatro categorias.

“É um momento histórico para a cultura e a arte de Pernambuco. Estamos tirando a capa empoeirada que nos foi imposta e mostrando que essa subserviência não é o nosso rolê”, pontuou Mário Sergio Cabral. “Por muito tempo, nossa produção cultural foi vista como regional. Ninguém fala isso dos filmes que são feitos no Rio e em São Paulo. A gente é regional, mas é nacional também, como vocês”, completou Pedro Wagner.

Giordano Castro preferiu brincar: “Não é uma questão de ser megalomaníaco. É uma questão de ser, somente. A gente sabe que o Capibaribe, o Beberibe [rios da cidade de Recife] é que se juntam pra encher o Oceano Atlântico”, riu.

*Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo sob supervisão de Miguel Arcanjo em parceria com a professora Katia Brembatti.

*O jornalista Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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