★★★★ Crítica: Parlapatões se rejuvenesce em Decameron com conexão real ao aqui e agora

Destaque do elenco, Hugo Possolo em cena de Decameron: Parlapatões em diálogo potente com o aqui e agora © Luis Doroneto Divulgação Blog do Arcanjo 2024

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

★★★★
DECAMERON
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Estar diante do novo em um diálogo de coração aberto é um exercício rejuvenescedor. O espetáculo Decameron, do longevo grupo teatral Parlapatões, demonstra isso ao ser um mergulho imenso no campo da alteridade. Os artistas do icônico grupo de humor com sede na Praça Roosevelt, local que ajudaram a remodelar pela arte, buscaram pares com os quais pudessem dialogar não só no texto como também na cena. Assim, construíram um espetáculo que revisita o clássico de Giovanni Boccacio com pitadas de farsa medieval, mas com os pés imersos na diversidade dos dias de hoje. É evidente a referência aos últimos turbulentes tempos vividos no Brasil, com o avanço de um discurso retrógrado da extrema direita que ocupou o poder, mas também, por outro lado, de discursos identitários que apresentaram novas perspectivas (e fricções) sociais e artísticas. O espetáculo é resultado de uma árdua pesquisa, na qual os integrantes dos Parlapatões dialogaram com diferentes vertentes. E nessa colcha de retalhos costurada por variadas contribuições textuais e pelo dramaturgismo de Camila Turim, idealizadora do projeto, é perceptível um desejo de não só compreender este novo mundo no qual vivemos bem como ter participação ativa nele. Roqueiro na essência, os Parlapatões sempre questionaram o status quo. Assim, é natural que, a partir do momento em que novas estruturas do sistema são implodidas por discursos emergentes e muitas vezes desestabilizadores dos próprios pares, os Parlapatões, em vez de se encastelarem, opotem por continuar no risco de quem produz uma arte verdadeiramente ligada ao seu tempo. E o grupo faz desta corajosa peça um diálogo profundo, sem deixar o humor de lado – até porque ser chato não combina com os Parlapatões. É preciso ressaltar o trabalho do elenco altamente potente e afinado. Hugo Possolo brilha, sobretudo nos momentos em que faz cacos, como grande comediante que é. Esse brilho é compartilhado a todo instante com o restante do elenco, cada um com seu momento de primazia. Estão em cena Andreas Mendes, Camila Turim, Fernanda Cunha, Leandro Vieira, Mawuzi Tulani, Raul Barretto e Tadeu Pinheiro, todos artistas propositivos e cada qual com graça própria dentro do espetáculo dirigido também por Possolo. É preciso ressaltar a força feminina neste espetáculo, com mulheres que se impõem, não só com seus corpos, mas também com discursos que sacodem velhas perspectivas. Em Decameron, os Parlapatões voltam a demonstrar a potência do seu humor de mais de três décadas, evidenciando que o grupo está atento ao aqui e agora e sabe amadurecer com juventude de sobra.

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DECAMERON
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

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Decameron, dos Parlapatões © Luis Doroneto Divulgação Blog do Arcanjo 2024

Decameron

Ficha Técnica:
Concepção do projeto Decameron: Camila Turim
Direção Geral: Hugo Possolo
Dramaturgia: Hugo Possolo (a partir e O Decameron, de Giovanni Boccaccio e autores contemporâneos abaixo)
Incluindo textos dos seguintes autores: Airton Nascimento, Andreas Mendes, Avelino Alves, Camila Turim, Hugo Possolo, Jo Bilac, Leandro Vieira, Luh Mazza, Marcelo Oriani, Mawuzi Tulani, Michelle Ferreira e Nado Cappucci.
Dramaturgismo: Camila Turim
Elenco: Andreas Mendes, Camila Turim, Fernanda Cunha, Hugo Possolo, Leandro Vieira, Mawuzi Tulani, Raul Barretto e Tadeu Pinheiro
Cenografia: Márcio Medina
Figurinos: Adriana Vaz Ramos
Iluminação: Fran Barros
Trilha Sonora: Deivison Nunes
Assistente de Figurino: Letícia Gomide e Felipe Cabral
Operação de iluminação: Vitor Morpanini
Operação de som: Deivison Nunes
Fotos: Luis Doroneto
Vídeos: Sol Faganello e Deivison Nunes
Designer gráfico: Werner Schulz
Produção Executiva: Isadora Bellini e Isadora Tucci
Assistência de produção: Camila Cavicchioli
Produção: Cristiani Zonzini
Coordenação de produção: Hugo Possolo e Raul Barretto
Realização: Nada de Novo Produções Artísticas / Parlapatões

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Jornalista cultural influente e respeitado no Brasil, Miguel Arcanjo Prado é CEO do Blog do Arcanjo, fundado em 2012, e do Prêmio Arcanjo, desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e apresenta o Arcanjo Pod. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, CBN, Gazeta, UOL, UMA, OFuxico, Rede TV!, Rede Brasil, Versatille, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra o júri de Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de São Paulo, Prêmio Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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Crítica por Miguel Arcanjo Prado

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