★★★★ Crítica: Nosso Irmão é drama delicado sobre as cruezas familiares

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
★★★★
NOSSO IRMÃO
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
O espetáculo de teatro Nosso Irmão, do espanhol Alejandro Melero, é um drama delicado e sofisticado, que adentra uma família em crise após o luto materno, sem perder o humor em seu ponto de vista para a vida compartilhada com pessoas consanguíneas. Até porque as famílias costumam ser tragicamente engraçadas quando enxergadas à distância. E assim é com os irmãos Teresa, Maria e Jacinto, que precisam resolver o que fazer com a casa materna onde o caçula, que possui uma condição vulnerável de deficiência intelectual, permanece, agora sem o colo que o amparou em uma infância sem fim. A encenação de Dan Rosseto, diretor dos mais profícuos do teatro paulistano, potencializa as nuances do texto mordaz, criando uma atmosfera inebriante, como ele costuma imprimir aos seus dramas e tragédias. Além de ter sido produzido na Espanha há pouco mais de uma década, a peça também teve montagens de sucesso no Uruguai e no Peru. Afinal, famílias disfuncionais são universais. Esta é a primeira montagem brasileira, que cumpriu temporada de sucesso neste começo de 2024 no Tucarena, em São Paulo, e agora segue turnê pelo nosso continental país. O trio de atores que conduz a história abraça o texto e o faz reverberar em sua potência. Marina Elias faz de sua desolada Maria uma constante dúvida, funcionando como nuance necessária aos dois pólos energéticos ao redor. A magistral Regiane Alves brilha em uma construção inconstestável da dominadora Teresa, cujos escrúpulos não são mais tangíveis. Bruno Ferian, idealizador do projeto e que também já atuou em Clímax, outra peça de Melero, imprime em seu Jacinto um mergulho profundo stanlislavskiano, criando uma convenção para o personagem com a qual a plateia logo comunga e se enternece. Tanto Regiane Alves quanto Bruno Ferian apresentam atuações contundentes que já os colocam na fila dos melhores atores de 2024 nos palcos de São Paulo. Também é preciso ressaltar o competente time criativo de produção, sobretudo na expugnável cenografia de Kleber Montanheiro e na luz enevoada e repleta de contras de César Pivetti, que reforçam o caos mental que impera nesses irmãos e a atenta direção de palco de Vinicius Hideki. Nosso Irmão revela a mediocridade que muitos mergulham diante dos traumas familiares e nos mostra que só há redenção neste complicado carma quando conseguimos liberar espaço para o perdão e o amor. Se estiver perto de você, corra para ver!
Leia entrevista com o autor espanhol Alejandro Melero, de Nosso Irmão
★★★★
NOSSO IRMÃO
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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