CineBH homenageia Zé Celso e exibe filmes com lendário diretor do Teatro Oficina

Zé Celso - Foto: Jennifer Glass/Divulgação - Blog do Arcanjo
Zé Celso – Foto: Jennifer Glass/Divulgação @ Blog do Arcanjo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, nome crucial da cultura brasileira que morreu em 6 de julho deste ano vítima de um terrível incêndio em seu apartamento, será homenageado na 17ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, que será realizada entre 26 de setembro e 1º de outubro na capital mineira. O dramaturgo, ator, escritor, agitador cultural foi uma das figuras mais lendárias de nossa história recente. Fundador do Teatro Oficina, Zé Celso foi símbolo do tropicalismo e da antropofagia criativa nacional, deixando marca indelével em nossa cultura. Seu diálogo com o cinema é foco da mostra Diálogos Históricos.

O primeiro filme, no dia 27 (quarta-feira), é  “Prata Palomares” (1970), dirigido por André Faria e que teve roteiro de Zé Celso, marcando sua primeira participação num projeto de cinema. O elenco ainda conta com atores do Teatro Oficina e de toda a filosofia de performance que era importante ao grupo, capitaneado pelo dramaturgo. No enredo, dois guerrilheiros em fuga se escondem na igreja de uma pequena cidade. Um deles (Renato Borghi) se disfarça de padre enquanto o outro (Carlos Gregório) prepara a rota de fuga. O primeiro aos poucos adentra por demais o personagem e rompe com a guerrilha, acreditando que a religião pode ser um ponto de salvação. A roda de conversa logo depois da sessão será com o pesquisador de cinema Hernani Heffner e com o diretor André Faria.

No dia 28 (quinta-feira), é a vez de “O Rei da Vela”, único filme dirigido por Zé Celso, aqui em parceria com Noilton Nunes. É um retorno à sua encenação mais famosa, mas nem de longe um “teatro filmado”. O título tem por referência a famosa adaptação do Teatro Oficina em 1967 da peça original de Oswald de Andrade de 1933. Na época, o espetáculo foi censurado pela ditadura e somente voltou aos palcos em 1971, quando Zé Celso passou a filmar algumas das apresentações no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Esses registros audiovisuais se perderam por anos, depois que o dramaturgo precisou se exilar fora do Brasil para escapar da violência dos militares. Ao retornar ao Brasil no começo dos anos 1980, Zé Celso decidiu fazer um filme a partir das imagens de “O Rei da Vela”, mas reconfigurando tudo e inserindo outras reflexões, num verdadeiro épico tropicalista de quase duas horas e meia. O bate-papo após a sessão será com a crítica e pesquisadora de artes cênicas Soraya Belusi e com o diretor Noilton Nunes.

Por fim, no dia 29 (sexta-feira), o documentário “Fédro” (2021), de Marcelo Sebá, fecha a Diálogos Históricos mostrando o próprio Zé Celso na tela. O filme reúne o dramaturgo a um de seus antigos pupilos, o ator Reynaldo Gianecchini. Os dois não se encontravam há duas décadas, desde quando este último se desligara do Oficina. Num apartamento, acompanhados apenas pela pequena equipe de filmagem, Zé e Reynaldo falam sobre arte, vida, corpo, sexo, gozo, política e outras intimidades. Desnudam-se, provocam-se, tocam-se, numa comunhão de afetos ainda mais comovente diante do atual contexto da ausência abrupta de Zé Celso. A roda de conversa em seguida será feita com a crítica e pesquisadora em artes cênicas Júlia Guimarães e com o diretor Marcelo Sebá.

Veja a programação da CineBH

Veja imagens de Zé Celso no 1º Prêmio Arcanjo de Cultura

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Jornalista cultural influente e respeitado no Brasil, Miguel Arcanjo Prado é CEO do Blog do Arcanjo, fundado em 2012, e do Prêmio Arcanjo, desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e apresenta o Arcanjo Pod. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, CBN, Gazeta, UOL, UMA, OFuxico, Rede TV!, Rede Brasil, Versatille, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra o júri de Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de São Paulo, Prêmio Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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