Livro que valoriza mulher madura faz financiamento coletivo: saiba como ajudar a fotógrafa Silvana Garzaro

Fotógrafa Silvana Garzaro é autora do livro intitulado Campo de Flores – Foto: Marcus Leoni – Blog do Arcanjo
Fotógrafa Silvana Garzaro é autora do livro Campo de Flores, que está com financiamento coletivo aberto – Foto: Marcus Leoni – Blog do Arcanjo

Por MICHELE MARREIRA
@michelemarreira

A potência e a beleza da mulher madura estão na mira da lente da fotógrafa Silvana Garzaro em seu projeto de livro Campo de Flores, que será feito a partir de um financiamento coletivo.

Silvana Garzaro é uma das fotógrafas mais respeitadas do entretenimento nacional. A profissional integrou durante anos o time de colaboradores do jornal O Estado de São Paulo na coluna Direto da Fonte, da jornalista Sonia Racy, além de ter passado por veículos como Veja São Paulo, IstoÉ Gente, Caras e Contigo.

Com uma trajetória tão potente, possui vasta experiência quando o assunto é impactar o público por meio de suas fotografias.

A paulista de Santo André já clicou diversas personalidades do meio artístico, de Chico Buarque a Taís Araujo, de Reynaldo Gianecchini a Ana Maria Braga, além de políticos, cantores e celebridades internacionais.

Em entrevista exclusiva ao Blog do Arcanjo, Silvana Garzaro fala sobre o projeto Campo de Flores, com o qual, assim como tantas mulheres maduras, busca reinventar-se.

Vale destacar que a profissional se reinventou durante a quarentena, uma vez que o setor cultural foi o primeiro a paralisar os eventos. Neste período, lançou o próprio site contendo uma galeria digital com e-commerce.

Etarismo

Em seu livro, Silvana Garzaro deseja desmistificar a ideia de que mulher após os 40 é invisível. Pelo contrário. A potência feminina se maximiza ainda mais nessa fase.

Aliás, foi um relato de uma senhora sobre o tema que despertou na fotógrafa o gatilho para o projeto de um livro de imagens de sua autoria com mulheres em idade madura. O título foi inspirado por uma poesia de Carlos Drummond de Andrade.

O projeto do livro Campo de Flores partiu também de meus próprios questionamentos e angústias.

Silvana Garzaro, fotógrafa

No papo, Silvana conta outros detalhes do projeto que está sendo capitaneado por meio de um financiamento coletivo, criado para pagar os custos de produção do livro como gráfica, diagramação, direção de arte, tradução e outros.

A publicação será impressa em preto e branco, capa dura, no tamanho 24×28, com 43 fotografias distribuídas em 72 páginas, com texto assinado pela colunista Sonia Racy. A jornalista aceitou o convite e escreveu um breve prefácio sobre a obra. Conheça o projeto e colabore!

Capa do livro Campo de Flores - Foto: Silvana Garzaro – Blog do Arcanjo
Capa do livro Campo de Flores – Foto: Silvana Garzaro – Blog do Arcanjo

Leia a entrevista com toda a calma do mundo!

Blog do Arcanjo – Conte um pouco sobre o conceito do livro Campo de Flores.
Silvana Garzaro – O livro não é exatamente sobre beleza, e sim discutir a invisibilidade da mulher madura.

Blog do Arcanjo – Como nasceu essa vontade de abordar o tema?
Silvana Garzaro – O tema nasceu de uma conversa que tive com uma senhora, que me abordou e disse para eu me preparar para ficar invisível… E partiu também de meus próprios questionamentos e angústias.

Blog do Arcanjo – Qual o perfil das imagens da obra?
Silvana Garzaro – São fotografias de nu com mulheres acima dos 40 anos de idade, para falar abertamente sobre etarismo, que ainda é um tabu. Embora o tema esteja em voga, quando criei o projeto, em 2014, ninguém falava do assunto.

Jornalista Claudia Cataldi - Foto: Silvana Garzaro – Blog do Arcanjo
Jornalista Claudia Cataldi no livro Campo de Flores, de Silvana Garzaro – Foto: Silvana Garzaro – Blog do Arcanjo

Blog do Arcanjo – Descreva como foi fotografar corpos despidos para o projeto. Foi mais complexo?
Silvana Garzaro – Gostaria de ressaltar que o livro é todo em preto e branco, com fotografias de nu sim, porém, eu tive muita delicadeza na busca por essas imagens. Fotografias que não ferissem a dignidade de nenhuma mulher ao ser retratada. Procurei registrar o nu de forma sutil para resguardá-las. O nu foi uma escolha como forma de grito, já que sempre foi uma maneira de expressão buscada por artistas de todos os tempos. O corpo nu não é só algo sexual, é uma expressão artística, pode ser divertida e também política. Para romper padrões é preciso se expor, esse é o propósito do nu neste projeto do livro.

Blog do Arcanjo – Fale um pouco da inclusão das mulheres trans no livro.
Silvana Garzaro – Eu inclui as mulheres trans no projeto, porque elas também sofrem com a invisibilidade, talvez ainda mais que a mulher cisgênero. Além de sofrerem por uso contínuo de hormônios femininos, elas são consideradas idosas mais cedo e sua invisibilidade social é cruel. Elas sentem e vivem o feminino, então, não poderiam ficar de fora deste projeto.

Blog do Arcanjo – É um livro autoral ou você conta com uma parceria na elaboração do projeto?
Silvana Garzaro – É totalmente autoral.

Blog do Arcanjo – Qual foi sua inspiração para o título do livro?
Silvana Garzaro – Ao fazer um autorretrato, combinando com um poema de Carlos Drummond de Andrade, que adoro, nasceu o título que se chama Campo de Flores, uma bonita homenagem.

Blog do Arcanjo – Já pode adiantar quem são as fotografadas e como foi o contato com elas?
Silvana Garzaro – As mulheres já foram fotografadas: a atriz e bailarina Márica Daylin, a jornalista Claudia Cataldi, a atriz Paula Pretta, entre outras maravilhosas [faz mistério sobre demais nomes]. O livro terá 43 mulheres contando com meu autorretrato que é a capa do livro.

Blog do Arcanjo – Como se deu o registro dos encontros para posteridade?
Silvana Garzaro – As mulheres foram fotografadas na sua intimidade, na casa delas, inclusive eu viajei para o Rio de Janeiro e Salvador, além de fotografar na cidade de São Paulo.

Blog do Arcanjo – E o público pode contribuir para esta publicação?
Silvana Garzaro – Quem se sentiu tocado pela temática e pela importância de um registro como esse pode colaborar também para que o livro vire realidade. Eu criei uma página no site Catarse para arrecadar fundos para a impressão do livro, já que estou fazendo algo independente e que merece ser eternizado em papel para as gerações futuras.

Colabore com o projeto Campo de Flores, livro de Silvana Garzaro!

Atriz Paula Pretta - Foto: Silvana Garzaro – Blog do Arcanjo
Atriz Paula Pretta no livro Campo de Flores, de Silvana Garzaro – Foto: Silvana Garzaro – Blog do Arcanjo

Siga @miguel.arcanjo

Inscreva-se no canal Blog do Arcanjo

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é miguel-arcanjo-prado-foto-edson-lopes-jr.jpg

O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo de Cultura, Melhores do Ano Blog do Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor dos Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil. Foto: Edson Lopes Jr.
© Blog do Arcanjo – Entretenimento e Cultura por Miguel Arcanjo Prado | Todos os direitos reservados.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é podcast-do-arcanjo.jpg
Please follow and like us:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Jô Soares sofre censura após morte Diário de Pilar na Grécia faz temporada no Teatro das Artes em SP O Deus de Spinoza estreia no Teatro Itália Bandeirantes Teatro nos Parques percorre SP e Brasil ‘Se fosse homem, teria mais visibilidade’, diz Eloisa Vitz