Copacabana recebe Turmalina 18 -50, peça sobre o Almirante Negro João Cândido, líder da Revolta da Chibata

Turmalina 18-50 faz temporada no Teatro Gláucio Gil em Copacabana – Foto: Stephany Lopez/Divulgação – Blog do Arcanjo

Espetáculo da Cia Cerne pode ser visto no Teatro Gláucio Gill

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Vencedor do Prêmio Arcanjo de Cultura, o espetáculo Turmalina 18-50 aporta em Copacabana, emblemático bairro carioca, para celebrar o legado de João Cândido, o Almirante Negro cantado por Elis Regina na canção Mestre Sala dos Mares, de Aldir Blanc e João Bosco com a Cia Cerne, de São João de Meriti, cidade onde viveu o personagem histórico.

A peça pode ser vista de 3 a 25 de agosto, no Teatro Gláucio Gill (quartas e quintas-feiras, às 20h), no Teatro Gláucio Gill, na praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro.

Com pesquisa de Luiz Antonio Simas, supervisão de Rodrigo França e texto e direção de Vinicius Baião, a montagem carrega em seu título o último endereço onde viveu João Cândido Felisberto – Rua Turmalina, Lote 18, Quadra 50 – e refaz os caminhos percorridos pelo líder como forma de celebrar sua história e combater o apagamento de sua memória.

Sua relação com as águas é tratada de maneira poética e simbólica, evocando a marinha, a pesca, os portos e também São João Batista, santidade católica que instituiu o batismo pelas águas e que margeia a vida de João, nascido no dia consagrado ao santo e residente a maior parte de sua vida em uma cidade cujo nome é em homenagem ao padroeiro.

Outra relação traçada pela peça é a possibilidade de caminhos dados pelas encruzilhadas, em uma referência direta a sua terra natal, Encruzilhada do Sul, na região do Vale do Rio Pardo (RS).

O espetáculo, contemplado pelo edital Rumos Itaú Cultural e pelo Prêmio Arcanjo de Cultura, em São Paulo, relembra os abusos sofridos pelos marinheiros negros até a primeira década do século passado, exalta a Revolta da Chibata, marco na luta por igualdade racial no país, denuncia o esquecimento intencional a que esta revolta e suas consequências foram submetidas e apresenta os últimos dias de João Cândido, um herói nacional pobre e esquecido, numa rua de terra na Baixada Fluminense.

A temporada tem apoio do Governo do Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, da Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro e do Teatro Gláucio Gill.

Reparação histórica

Morto em 1969, apenas em 2008 João Cândido teve a anistia concedida pelo governo brasileiro, mesmo ano em que se inaugurou uma estátua em sua homenagem na Praça XV, na capital carioca. Por conta do cinquentenário de morte, em dezembro de 2019 passou a integrar o Livro de Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro, e o Livro de Heróis de São João de Meriti. Falta ainda sua inclusão no Livro de Heróis da Pátria, cujo projeto de lei segue tramitando. Desta forma, celebrar sua história é também ação de reparação histórica consigo e com o próprio país.

Sobre a Cia. Cerne

Fundada em 2013 na cidade de São João de Meriti, Baixada Fluminense (RJ), a Cia. Cerne se consolida como uma das principais companhias da região. Tendo circulado por nove estados do Brasil e participado de importantes festivais, já recebeu mais de 50 prêmios, incluindo 13 prêmios de melhor espetáculo, 9 prêmios de melhor direção e 14 prêmios de atuação. Passou por importantes espaços como Teatro Dulcina, Teatro Glauce Rocha, Teatro Maria Clara Machado, Theatro Municipal de Niterói, Teatro Popular Oscar Niemeyer e Centro Cultural Justiça Federal, entre outros. Já foi contemplada por editais da Funarte e do Governo do Estado do Rio de Janeiro, além dos editais Rumos Itaú Cultural e SESI Novos Talentos. Nos últimos anos, fez o circuito SESI – RJ, temporada no SESC Belenzinho (SP) e participou de projetos como Natal SESC e Mostra SESC Regional de Artes Cênicas. Integra a FETAERJ; a Rede Baixada em Cena, vencedora do Prêmio Shell 2017 na categoria Inovação; e a Rede Frente Teatro RJ, indicada em 2019 ao mesmo prêmio na mesma categoria.

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia e Direção: Vinicius Baião

Supervisão: Rodrigo França

Pesquisa: Luiz Antonio Simas

Elenco: Diogo Nunes, Gabriela Estolano, Graciana Valladares, Higor Nery, Leandro Fazolla e Madson Vilela

Cenografia: Cachalotte Matos

Figurino: Carol Barros

Preparação Corporal: Orlando Caldeira

Trilha Sonora, Direção Musical e Preparação Vocal: Kadú Monteiro

Iluminação: Ana Luzia de Simoni e Victor Tavares

Fotos: Stephany Lopez

Registro audiovisual: Guapoz

Realização: Instituto Cultural Cerne e Cia Cerne

SERVIÇO:

TURMALINA 18 – 50

3 a 25 de agosto

Quartas e quintas-feiras, às 20h

Teatro Gláucio Gill

Praça Cardeal Arcoverde, s/n – Copacabana, Rio de Janeiro

Ingressos: Inteira: R$30,00 / Meia entrada: R$15,00

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 80 minutos

Informações: ciacerne@gmail.com

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Um dos mais influentes e respeitados jornalistas e críticos culturais do Brasil, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. É mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foi eleito entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha, Prêmios ANCEC e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil.
Foto: Edson Lopes Jr.
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