Morre Sergio Paulo Rouanet, criador da Lei Rouanet e imortal da ABL

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Morreu, aos 88 anos, o acadêmico e diplomata Sergio Paulo Rouanet. Integrante da Academia Brasileira de Letras desde a década de 1990, ele foi um dos grandes intelectuais do país e responsável pela Lei Rouanet, a Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O Acadêmico e diplomata Sergio Paulo Rouanet morreu, na manhã do dia 3 de julho, aos 88 anos, no Rio de Janeiro. A ABL fará uma Sessão da Saudade na próxima quinta-feira, dia 7 de julho, em homenagem ao diplomata.

Grande intelectual

Rouanet foi um dos grandes intelectuais do país. Destacou-se na carreira pública como cônsul na Alemanha e, como Ministro da Cultura, por ter criado a lei de incentivo fiscal ou Lei Rouanet. Coordenou a série de livros “Correspondência de Machado de Assis”, editada pela ABL.

Por suas traduções de livros de Walter Benjamin, ganhou a Medalha Goethe. Além de artigos para prestigiadas revistas brasileiras e internacionais, escreveu os seguintes livros: “O homem é o discurso – Arqueologia de Michel Foucault”, “Imaginário e dominação”, “Itinerários freudianos em Walter Benjamin”, “Teoria crítica e psicanálise”, “A razão cativa”, “Riso e melancolia”, entre outros.

Imortal da ABL

Era o oitavo ocupante da Cadeira nº 13, eleito em 23 de abril de 1992, na sucessão de Francisco de Assis Barbosa e recebido em 11 de setembro de 1992 pelo acadêmico Antonio Houaiss.

“Sérgio Rouanet é exemplo de intelectual público, que colocou sua competência a serviço da cultura brasileira, sem abdicar dos valores éticos”, afirmou o presidente da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira.

Trajetória de amor à cultura

Sergio Paulo Rouanet nasceu no Rio de Janeiro, no dia 23 de fevereiro de 1934. Foi um diplomata, filósofo, antropólogo, professor universitário, tradutor e ensaísta brasileiro. Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-Rio (1955), Pós-Graduação em Economia, na Universidade George Washington (1960-1964), em Ciências Políticas, na Georgetown University, em Washington (1960-64), em Filosofia, na New York School for Social Research, em Nova York (1960-64) e Doutorado em Ciência Política, na USP (1980).

Fez o Curso de Preparação à Carreira de Diplomata no Instituto Rio Branco, no Rio de Janeiro (1955). Foi responsável pela criação da Lei Brasileira de Incentivos Fiscais à Cultura, em dezembro de 1991.

Estreou no jornalismo cultural no “Suplemento Literário”, do Jornal do Brasil, escrevendo um artigo semanal para a coluna “Eles pensaram por nós”. A partir de novembro de 1996, passou a ser colunista do caderno “Ideias”, do Jornal do Brasil, substituindo o professor Alfredo Bosi e compartilhando uma coluna com os ensaístas Luiz Costa Lima, Silviano Santiago e Flora Süssekind. Seus artigos foram publicados em vários números das revistas “Tempo Brasileiro”, “Revista do Brasil”, “Estudos Avançados”, da USP, “Revista Brasileira”, da ABL, além de publicaçōes internacionais.

Foi Secretário de Cultura da Presidência da República (1991-92), Assistente do Secretário Geral de Relações Exteriores (1957-58), Assistente do Chefe da Divisão de Produtos de Base, (1966-67), Chefe da Divisão de Política Comercial, (1974-76,) Chefe do Departamento da Ásia e Oceania, (1983-86). Fez parte da Embaixada do Brasil em Washington, como Terceiro Secretário (1959-61) e como Segundo Secretário (1961-62.

Integrou também a Delegação do Brasil em Genebra, como Primeiro Secretário (1967-68) e fez parte do Consulado Geral do Brasil em Berlim, como Cônsul Geral (1993-1996).

Velório e cremação

A Academia Brasileira de Letras irá realizar o velório do Acadêmico e diplomata Sergio Paulo Rouanet, um dos maiores intelectuais do país, nesta terça-feira, dia 5 de julho, das 10h às 14h, no Petit Trianon, sede da ABL, na Av. Presidente Wilson, 203, no centro do Rio. O velório será aberto ao público. Na sequência, seu corpo será cremado no Crematório São Francisco Xavier às 16h. A cerimônia será restrita a familiares, informou a ABL.

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Um dos mais influentes e respeitados jornalistas e críticos culturais do Brasil, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. É mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação Social pela UFMG e crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foi eleito entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se e Prêmio Governador do Estado de São Paulo. Passou por Globo, Record, R7, Record News, Folha, Abril, Huffpost Brasil, Notícias da TV, Contigo, Superinteressante, Band, Gazeta, UOL, Uma, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. É jurado das premiações Prêmio Arcanjo, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio Destaque Digital, Melhores do Ano Guia da Folha, Prêmios ANCEC e Prêmio Canal Brasil de Curtas. É vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação Nacional ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã e Prêmio África Brasil.
Foto: Edson Lopes Jr.
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