Deh Muss e Mãeana exalam força ancestral feminina em Artemis, single do disco Antes de Eva

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Nome imprescindível da nova cena musical de Belo Horizonte, a cantora e compositora Deh Muss escolheu a primavera para lançar o delicado single Artemis, que ganhou clipe com participação mais que especial de Mãeana e que exalta a força do sagrado feminino ancestral. A parceria é repleta de amor e delicadeza, que são perceptíveis ao escutar a canção.

“Esse single faz parte do disco de 7 faixas entitulado Antes de Eva, por se tratar de canções sobre 7 deidades femininas pré-cristãs”, adianta Deh em conversa exclusiva com o Blog do Arcanjo. Com lançamento pelo selo Pitaya Lab, o disco será lançado inteiro em fevereiro de 2022 e ainda conta com participações de outras artitas, como Bia Nogueira e Luiza Brina.

Veja o clipe Artemis:

Força sagrada do feminino

Deh Muss conta que “a ideia das canções que formam o álbum é passar a simbologia por trás de cada mito”. Deste modo, em Antes de eva, “há entidade feminina afro-brasileira, indígena, mesopotâmica, japonesa, chinesa…uma miscelânea feminina e cultural”.

O álbum foi desenvolvido ao longo dos últimos seis anos. “Essas canções existem de 2015, mas Artemis nasceu numa madrugada de julho em 2016 após eu estar catarseada com a primeira semana de shows do festival que idealizei, o Sonora Festival Internacional de Compositoras”.

Com participantes de 74 cidades de 16 diferentes países, o Sonora Festival Internacional é o maior maior festival de compositoras do mundo, criado por mulheres mineiras justamente para dar voz e lugar às mulheres na música.

“Aí eu tirei uma carta aleatória do Oráculo das Deusas, a que viesse eu musicaria. Veio Artemis, e botei toda a força da mulherada e da sororidade que me corria as veias naquele momento e bombeava meu coração extremamente emocionado e esperançoso nela, na canção Artemis”, revela.

Foi assim que Deh Muss criou a canção que exala “a força das matas e da união”.

Mãeana

Deh comemora o feat. de Mãeana, Ana Claudia Lomelino, artista carioca que integrou por muitos anos a banda de Gilberto Gil e que faz um trabalho autoral focado na essência do feminino e da maternidade.

“Eu já a acompanho há muito tempo, desde quando ela era do grupo Tono. Seu trabalho como Mãeana muito me toca e vai num caminho ideológico que me afino demais, que junta maternidade, o feminismo e o místico/onírico”, pontua.

Ela conta que a participação surgiu de forma espontânea. “Já estava com o disco todo gravado, mixado e masterizado, quando me veio uma intuição de chamá-la. A gente já tinha trocado algumas mensagens pontuais e mandei o convite pra ela pelo Instagram mesmo. Ela topou e foi uma alegria e honra imensa pra mim”, celebra Deh.

“Mãeana é muito sensível e conseguiu captar o simbolismo que eu trazia por trás da Deusa grega. Não é uma ode literal a esta deidade, é o que ela sucinta com seu mito. Ela me contou que sentiu que para cantar Artemis ela deveria estar forte. E cantou se fortalecendo em Artemis. Achei muito lindo ela conseguir cantar essa música como uma forma de cura”, conclui.

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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