Foi erro celebrar saída do armário de Eduardo Leite?

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

A saída do armário do governador gaúcho Eduardo Leite (PSDB) gerou sentimentos contraditórios. Num primeiro momento, pareceu importante o fato de um governador dizer publicamente ser gay. Afinal, o movimento LGBTQIA+ sempre lutou no mundo inteiro pela saída do armário. As Paradas incentivam o orgulho da diversidade de orientações sexuais e de gêneros. E a fala do governador a Pedro Bial, afirmando ser gay e ter orgulho disso, foi histórica na política brasileira.

Contudo, logo muita gente se lembrou que Leite declarou voto em 2018 em Jair Bolsonaro (sem partido), político que nunca escondeu sua homofobia, destilada contra o próprio Leite assim que este saiu do armário. “Querer impor seu costume, seu comportamento para os outros, não”, decretou o presidente.

Diante desse passado e do atual presente, como bem lembrou Green Greenwald em artigo na Carta Capital, a saída do armário de Eduardo Leite tem duas faces: a pessoal, de um gay que sai do armário e gera empatia na comunidade LGBTQIA+ que já viveu o difícil processo, e a política, de um presidenciável que estaria usando o fato de ser gay estrategicamente para tentar conquistar um eleitorado ao centro-esquerda e de caráter progressista.

“Claro que a eleição do Bolsonaro foi um erro. Um erro que cometemos eu e milhões de brasileiros”, admitiu o governador gaúcho em entrevista à Folha. Mesmo com o meaculpa, a comunidade LGBTQIA+, que até se empolgou num primeiro momento, logo recobrou a razão e questionou: Como um homem gay votou em um homofóbico em 2018?

É a pergunta que Eduardo Leite terá de responder inúmeras vezes nos próximos meses. Sobre os ataques de Bolsonaro, o gaúcho de Pelotas rebateu: “O presidente é um imbecil. Onde está a tentativa de imposição de qualquer coisa para qualquer pessoa? Uma declaração sobre a minha orientação sexual. Não resta outra coisa a dizer senão que o presidente é um imbecil”.

O que agora Eduardo Leite precisa explicar é como declarou voto em “um imbecil” para ser presidente do Brasil, cargo ao que tudo indica, sonha tanto em ocupar. Não custa lembrar que os ventos da política sopram fortes e muitas vezes mudam rapidamente de direção.

Siga @miguel.arcanjo

Inscreva-se no canal Blog do Arcanjo

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é miguel-arcanjo-prado-foto-edson-lopes-jr.jpg

O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foto: Edson Lopes Jr.

© Blog do Arcanjo – Cultura por Miguel Arcanjo Prado | Todos os direitos reservados | Proibida reprodução sem citação com link.

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é podcast-do-arcanjo.jpg
Please follow and like us:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *