Clarice Niskier traz poesia à separação em Coração de Campanha | Podcast do Arcanjo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

A atriz Clarice Niskier revela no Podcast do Arcanjo como lidou com um processo de separação de um casamento de 25 anos com o músico erudito José Maria Braga durante a quarentena. Processo este que acabou resultando também no espetáculo Coração de Campanha, em cartaz no CCBB-RJ. Em um papo leve e cheio de sabedoria, coisa que só o tempo entrega para aqueles que vivem, Clarice explica por que resolveu trazer poesia a este período tão difícil. “Eu abri um coração de campanha apara aguentar o ano de 2020”, afirma. Ouça o papo na OLA Podcasts!

Vinda de um casamento em crise, Clarice Niskier relata como os esforços com o seu atual ex-marido para passar a quarentena juntos resultaram em diálogos e reflexões que deram vida a Coração de Campanha. Na obra, atua com Isio Ghelman, sob supervisão do diretor Amir Haddad, com quem já havia trabalhado no sucesso A Alma Imoral, que ficou 14 anos em cartaz em São Paulo no Teatro Eva Herz.

Com a tendência de registrar a própria vida e escrever muito, Clarice afirma que todas conversas foram registradas em formas de cena. Hábito que ela alimenta ao longo de sua vida. “Até quando eu falo sozinha, eu falo em diálogo“, assume. Além dos textos escritos das vivências com José Maria, a quem ela chama carinhosamente de Zé, Clarice revela ter conversado com outros casais que passaram pela mesma situação. A peça não é autobibliográfica, mas seria inocência afirmar que não é inspirada pela experiência recente vivida pela premiada atriz.

Os atores Clarice Niskier e Isio Ghelman na peça Coração de Campanha - Fotos: Dalton Valério/Divulgação - Blog do Arcanjo
Os atores Clarice Niskier e Isio Ghelman na peça Coração de Campanha – Fotos: Dalton Valério/Divulgação – Blog do Arcanjo

Antes de dar vida ao monologo, a atriz realizou duas lives em seu Instagram de textos escritos durante o período e, após conselho de Braga, resolveu focar na dramaturgia, reunindo todos os escritos que resultaram em seu novo trabalho. Em Coração de Campanha, o músico colaborou compondo a trilha sonora e assina a direção de produção.

Ela afirma que o texto é totalmente fragmentado, com uma narrativa épica, onde a história vai se desenrolando, deixando claro que nada tem fim nele mesmo. E em uma revelação emocionada, fala que o nome Coração de Campanha, nasceu após a partida do amigo Flavio Migliaccio. O Blog do Arcanjo mostra o poema a seguir.

Meu Deus do céu, / Muita gente amada morrendo / Vou entrar em colapso / Não tenho tanto leitos disponíveis pra chorar / Vou abrir um coração de campanha pra abrir espaço / Pra lembrar, pra sentir / Se todos me ensinaram a voar / Ninguém pode morrer sem ar.

O espetáculo fica em cartaz no CCBB-RJ de 17 de junho a 8 de agosto. Após a temporada no Rio de Janeiro, ela segue para temporadas no CCBBB de Brasília e CCBB Belo Horizonte. Retire aqui seu ingresso para o espetáculo.

Colaborou Rodrigo Barros

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo. Foto: Edson Lopes Jr.

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