Ator transforma racismo sofrido na peça Macacos, grátis no Teatro Vivo em Casa

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

O nome do espetáculo é forte. Tal qual as histórias que ajudaram em sua construção. Afinal, é impossível existir neste país um negro ou negra que não tenha passado por uma situação de racismo. Para criar o espetáculo Macacos, o ator Clayton Nascimento mergulhou nas próprias feridas, buscando na arte a cura.

Quando ele vivia no Crusp, a moradia universitária da USP – Universidade de São Paulo, onde estudava, foi abordado por policiais que o questionaram, de forma ríspida, o que ele fazia no campus. Mais tarde, viveu outro absurdo. O ator estava em um ponto de ônibus, quando foi confundido com um ladrão que havia assaltado um mercado próximo. Obviamente, todas essas situações ocorreram por ele ser negro.

Contudo, como compete a grandes artistas, ele ressignificou a dor em potência artística, criando o espetáculo que ainda dialoga com o racismo vivido pelo goleiro Aranha no Rio Grande do Sul, quando a torcedora Patricia Moreira, branca, foi flagrada pelas câmeras gritando “macaco” para o atleta negro.

Quem quiser conferir o resultado deste diálogo em um verdadeiro manifesto contra o racismo estrutural que ainda impera no Brasil pode ver o espetáculo que venceu 15 prêmios na noite deste sábado, 19 de junho, às 21h, em sessão ao vivo gratuita pela Vivo Cultura no projeto Teatro Vivo em Casa. É preciso fazer inscrição prévia pelo site para receber o ingresso.

Aysha Nascimento, Angela Perez e Guilherme Sant'Anna estão na segunda temporada do Teatro Vivo em Casa - Fotos: Divulgação - Blog do Arcanjo
Aysha Nascimento, Angela Perez e Guilherme Sant’Anna estão na segunda temporada do Teatro Vivo em Casa – Fotos: Divulgação – Blog do Arcanjo

Histórias negras no palco

A programação da segunda temporada do Teatro Vivo em Casa, sob curadoria do sempre sensível e propositivo André Acioli, foca em espetáculos que dialogam com a negritude e combatem o racismo, criando novos imaginários no palco para artistas negros. As sessões digitais são sempre aos sábados, 21h, de graça, no Teatro Vivo em Casa.

Ainda estão na programação os espetáculos: Preta Rainha, solo de Aysha Nascimento sob direção de Flávio Rodrigues para o texto de Jé Oliveira, no dia 26 de junho; o solo Anja, Quando Me Fiz Inteira, com texto e atuação de Angela Peres dirigida por Marcos Reis, em 3 de julho; e o musical inédito Cartola’s Jazz, interpretado por Guilherme Sant’Anna com arranjo e piano de Jonatan Harold a partir da obra do mestre musical da Mangueira sob direção de Elias Andreato, em 10 de julho. A programação é imperdível!

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O jornalista e crítico de artes Miguel Arcanjo Prado é mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, bacharel em Comunicação pela UFMG e crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Está entre os melhores jornalistas de Cultura do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Band e UOL. Dirige o Blog do Arcanjo e o Prêmio Arcanjo. Coordena a Extensão Cultural da SP Escola de Teatro e faz o Podcast do Arcanjo na OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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