Livro Ninguém Pode com Nara Leão revê vida e obra da cantora lendária

Por Miguel Arcanjo Prado

Nara Leão faria 80 anos em 19 de janeiro de 2022. Mas partiu muito jovem, aos 47 anos, vítima de um tumor no cérebro. Grande cantora e articuladora da música popular brasileira, ela viu nascer a bossa nova nas rodinhas com amigos em seu apartamento frente ao mar de Copacabana, onde João Gilberto era habitué.

Depois, abriu caminhos para integração entre morro e asfalto na cultura nacional. Depois, escolheu ninguém menos que Maria Bethânia para substituí-la no lendário show Opinião, ou seja, foi a responsável por trazer a turma da Bahia que sacudiu a MPB com a Tropicália, da qual participou. Como disse no nome de um de seus discos: “Meus amigos são um barato”.

Nara Leão nos tempos de Tropicália, com Os Mutantes, Rita Lee, Gilberto Gil e Gal Costa – Foto: Divulgação – blogdoarcanjo.com

E Nara sabia disso muito bem. Agora, a cantora ganha nova biografia para contar sua história, lançada pela Editora Planeta e escrita por Tom Cardoso. Chama-se Ninguém Pode com Nara Leão, já disponível em livrarias físicas e on-line.

Esta não é a primeira obra a dedicar-se à cantora, que ganhou o tomo Nara Leão – Uma Biografia, escrita pelo jornalista e crítico Sérgio Cabral (não confundir com o filho político), de quem foi amiga. A cantora ainda foi tema do delicado musical Nara nos palcos de São Paulo, interpretada com louvor pela atriz Fernanda Couto em 2010, que escreveu a dramaturgia ao lado de Márcio Araújo, com 20 canções orquestradas por Pedro Paulo Bogossian.

Fernanda Couto no musical Nara, de 2010 – Foto: Divulgação – Arquivo blogdoarcanjo.com

Capixaba, Nara Lofego Leão, era caçula do casal formado pelo advogado dr. Jairo e sua esposa dona Tinoca, tinha um ano, quando estabeleceu-se com a família no Rio de Janeiro. Ofuscada pela eloquência paterna e a exuberância da irmã, nove anos mais velha – a futura modelo e influente personagem da cena carioca, Danuza Leão –, Nara começou a acumular apelidos e reclusões voluntárias.

Mas, a intimidada “Caramujo” e “Jacarezinho do Pântano” surpreenderia o país e o mundo transformando-se numa das mais influentes e produtivas intérpretes da MPB dos agitados anos 1960 aos 1980, consagrando-se como a musa da bossa nova.

De cara, reduziu a pó o epíteto original, que lhe fora pespegado tanto por méritos físicos (boca larga, sensual, olhos atilados, joelhos torneados que explodiam da minissaia) quanto estéticos. Dominava o repertório e os modernos acordes do violão bossa nova, movimento em grande parte gestado no lar liberal dos Leão, frequentado por alguns dos principais artífices das mudanças.

Mas, como escreveu na contracapa de um dos discos da cantora, Chico Buarque, um dos compositores que ela descobriu e incentivou, “Nara foi se desmusando, se desmusando…”.

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. É coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro, colunista do Notícias da TV e faz o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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