Teatro amplia debate sobre diversidade no Brasil com histórias de amores plurais

Reportagem de VICTOR STELLA
Obras que celebram as vivências da comunidade LGBTQIAPN+ vêm cada vez mais ganhando espaço. Filmes, livros, músicas, muitas vezes são responsáveis pela divulgação da causa queer, e gerando a identificação a quem consome e se identifica com alguma letra da sigla, mas também promovendo o respeito de pessoas fora da comunidade. E esse movimento se amplia aos teatros, sobretudo nesta época de Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, que realiza 30ª edição neste domingo, 7 de junho, na Avenida Paulista. São exemplos neste sentido as peças Visita a Domicílio no Teatro Sérgio Cardoso; Quarto 2107 no Espaço Parlapatões; Meu Garoto no Teatro Shopping Metrô Tatuapé; e 12º Round: A História de Emile Griffith no Tusp. Todas produções que contam histórias homoafetivas nos palcos.

Fernando Vitor, ator que protagoniza 12º Round, fala da importância de contar a história de um pugilista gay e negro. “A trajetória de Griffith é uma das maiores histórias do mundo do esporte, e seu desconhecimento é resultado de um longo processo de apagamento de nossa história e nossas identidades. Estamos comprometidos em honrar sua trajetória, destacando o fato de Emile ter se tornado, além de tudo, um ativista da causa LGBTQIAPN+. O espetáculo está na encruzilhada de questões atuais. E num momento histórico onde a luta contra a homofobia e o racismo se fazem tão necessária, resgatar a história de Griffith nos inspira a seguir em frente”, revela.

A importância de contar essas histórias é clara: dar destaque à diversidade. Rodrigo Ferraz, diretor do espetáculo Quarto 2107, fala da significância de uma obra como essa: “O teatro sempre foi plural e sempre deve ser plural. Falar sobre a diversidade é falar sobre mais um pouco dessa pluralidade. Eu acho que estamos num momento em que o respeito tem sido maior, mas ainda assim é pouco. Então a gente tem que continuar abordando para, justamente, ser só mais um tema.”

Para o dramaturgo argentino Alberto Romero, autor de Visita a Domicílio, fala da importância de contar uma história homoafetiva. “Muitas pessoas da comunidade LGBT+ não tiveram a chance de viver um primeiro amor em sua adolescência, porque era difícil assumir quem éramos, porque nos dava vergonha ou simplesmente porque negávamos o que sentíamos. Os personagens Gabo e Fernando se arriscaram na adolescência e hoje, 25 anos depois, ganham a oportunidade de fechar ou reabrir essa primeira história que ficou inconclusa. Visita a Domicílio é uma peça otimista e que traz a mensagem que o amor é mais forte, como canta um roqueiro argentino”

Leonardo Bogo, Coordenador de Políticas LGBTI+ da Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo, acrescenta sobre a importância: “Quando a diversidade, ela passa a ocupar os espaços da cultura de maneira natural, cotidiana, plural, ela deixa de ser vista como exceção. É aquela ideia da naturalização mesmo, de algo que passa a fazer parte do nosso dia a dia, do nosso cotidiano, e que já não nos causa mais estranhamento. E a arte ajuda a sociedade a compreender que as pessoas LGBTI+ não são o outro. Mas são parte da cidade, das famílias, das escolas, dos afetos, da vida, da vida da nossa sociedade. Então normalizar a diversidade é sim reconhecer a humanidade das pessoas em sua plenitude”.

Em 2025, segundo a Agência Brasil e o Grupo Gay da Bahia, o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBTI+. Dado que escancara a urgência na discussão do tema diversidade. E a arte cumpre esse papel fundamental de conversar diretamente com o público sobre essa pauta. “Eu acredito muito no papel educativo e transformador da arte. Acredito que o teatro provoca reflexão, tira as pessoas da zona de conforto, amplia os olhares sobre o mundo, sobre o outro, sobre a nossa forma de encarar as realidades. Numa sociedade como a nossa, marcada por tanta intolerância, colocar a diversidade em cena é também promover cidadania, respeito, convivência democrática, e tudo mais que a gente precisa consolidar e valorizar na nossa sociedade”, fala Leonardo Bogo.
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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