Morre Ruddy Pinho, cabeleireira trans das famosas

Por Miguel Arcanjo Prado

Morreu a célebre cabeleireira transexual Ruddy Pinho, conhecida como A Maravilhosa, aos 77 anos, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi informada pela família. Ela deixa o filho Ivan, de 43 anos, e a neta, Maria Fernanda, de oito, além do marido, Rizzo de Pinho.

Durante décadas, Ruddy teve um dos salões mais disputados do Rio de Janeiro, localizado no número 302 da rua Visconde de Pirajá, no coração do bairro de Ipanema, na zona sul do Rio. O lugar chegou a ter 40 funcionários e receber mais de 100 clientes nos tempos de auge.

Susana Vieira e Ruddy

Sua cliente mais famosa foi Susana Vieira, de quem virou desafeta após 36 anos de amizade por conta de um mega-hair mal sucedido. Mas ambas mantiveram o respeito mútuo.

Foi Ruddy quem criou o cabelo da vilã Branca Letícia de Barros Motta, vivida por Susana Vieira em Por Amor. Ela ainda foi responsável pelo corte da atriz como Lorena, em Mulheres Apaixonadas, em chegou a interpretar a si própria na novela de Manoel Carlos.

Ruddy criou ainda o famoso corte leoa que marcou a trajetória da cantora Simone Bittencourt e que foi muito copiado nos anos 1980. Outras que frequentavam seu salão eram Gloria Perez, Marília Pêra, Yoná Magalhães e Lady Francisco, além da nata da elite carioca.

Ruddy e o filho Ivan

Ruddy também era escritora, chegando a ser premiada em concurso literário da Biblioteca Nacional, e trabalhou como atriz em Navalha na Carne, filme de Neville de Almeida, além de aparecer também no documentário Divinas Divas, de Leandra Leal, ao lado das divas e amigas Eloína dos Leopardos, Camille K, Rogéria, Jane Di Castro e Divina Valéria.

Ruddy fez a transição de gênero tardiamente, aos 40 anos, quando foi passar uns tempos na Europa, após vivenciar uma espécie de inferno astral.

Nascida em Sabinópolis, Minas Gerais, ela foi criada em Belo Horizonte. Aos 19 anos, foi presa ao ser confundida pela ditadura com integrante do movimento estudantil.

Ao ser solta, decidiu ir tentar a vida no Rio, cidade onde viveu até sua morte. Ela era casada com Rizzo de Pinho, que viveu com ela uma relação de cumplicidade e amor até o fim. Que descanse em paz.

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Edson Lopes Jr.

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