Livro As Cordas Livres de Heraldo do Monte registra gênio da música

Heraldo do Monte – Foto: Kika Antunes/Divulgação – blogdoarcanjo.com

Por Miguel Arcanjo Prado

Quando o assunto é música instrumental, o pernambucano Heraldo do Monte é um dos grandes nomes no Brasil, respeitado por diversas gerações por sua contribuição incomensurável à nossa cultura. Aos 85 anos, o artista acaba de ganhar um livro que condensa sua criação. Trata-se de As cordas livres de Heraldo do Monte, publicação que merece nossos aplausos, capitaneada pelo Instituto Çarê em parceria com a Editora Contraponto.

No tomo que traz partituras, textos analíticos, biográficos e um CD coletânea, o leitor percebe que a história da guitarra elétrica no Brasil se confunde com a do próprio Monte, nome de talento reconhecido internacionalmente. “Estudei música por puro amor, acho que ela é uma espécie de deusa que escolhe pessoas e as escraviza com sua beleza. O acaso me puxou para ser profissional”, afirma Herlado do Monte, que como tantos músicos de sua geração se encantou quando ouviu João Gilberto tocar e cantar Chega de Saudade, inaugurando a bossa nova.

Heraldo do Monte integrou em 1967 o lendário Quarteto Novo, ao lado de Theo de Barros, Airto Moreira e Hermeto Pascoal, que os transformou nos quatro cavaleiros da música instrumental brasileira. Ele ainda tocou no Dick Farney Trio, Heraldo E Seu Conjunto Bossa Nova, Grupo Medusa, Hermeto Pascoal & Grupo, Os Cinco-Pados, Walter Wanderley & Seu Conjunto. Currículo de fazer cair pra trás qualquer músico que se preze. O primeiro disco solo veio em 1970.

“Uma vez profissional, me senti como um operário anônimo, dedicado, disciplinado e responsável pelo sustento de minha família. Trabalhei em casas noturnas, com carteira assinada, CLT, como qualquer operário”, recorda o artista que foi um dos que mais atuou em estúdios de gravação na era de ouro das gravações de discos de vinil no país.

Iniciativa da artista plástica e educadora Elisa Bracher e do músico Ivan Vilela, o livro As Cordas Livres de Heraldo do Monte é a primeira publicação da série intitulada Brasil de Dentro do Instituto Çarê. O livro ainda contou com equipe de profissionais como Budi Garcia, pesquisador que assina o texto sobre a história e o universo sonoro do músico, Luis do Monte, que realizou a maior parte das transcrições, e de Edmilson Capelupi e Toninho Carrasqueira, que realizaram a revisão musical ao lado do próprio compositor, entre outros.

A história da música e da cultura brasileira agradecem tamanho empenho, que tem valor ainda maior neste país que cuida tão mal de sua memória cultural. Que sirva de exemplo.

O Blog do Arcanjo agradece ao Instituto Çarê e à Editora Contraponto pelo envio do livro.

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Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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