Cia Pé no Mundo de dança reage à pandemia com encontros negros potentes em websérie

Por Miguel Arcanjo Prado

A Cia. Pé No Mundo é um dos novos grupos propositivos da dança paulista, sempre buscando referências ancestrais na construção de sua dança bem como construindo um diálogo potente com artistas pares de sua geração em uma constante valorização da negritude nos projetos dirigidos pelos bailarinos Cláudia Nwabasili e Roges Doglas.

Não à toa, a Cia. Pé no Mundo conquistou o Fomento à Dança da Cidade de São Paulo, mas também viveu momentos de tensão nesta pandemia para concretizar sua pesquisa, que precisou ser adaptada para um novo formato. Sem perder a delicadeza e tampouco a arte do encontro, mesmo no auge do medo do coronavírus, a Cia. Pé no Mundo conseguiu realizar encontros emocionantes, cujo afeto aqueceu os frios protocolos de segurança.

O clima de cumplicidade e profunda identificação entre todos os convidados fez parte das gravações da websérie Traduções Simultâneas: Corpo, Música Pensamento Complexo, com oito episódios disponibilizados em seu canal no YouTube. As sessões são um registro histórico de como a dança brasileira reagiu no momento em que os palco e a sala de ensaio lhe foi negada.

Cláudia Nwabasili e Roges Doglas, diretores da Cia. Pé no Mundo: websérie gravada durante a pandemia com encontros negros potentes – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Segundo o grupo “a partir de reflexões sobre o conceito de tradução intersemiótica e sobre a ideia de pensamento complexo proposta pelo teórico Edgar Morin, a websérie possui como conteúdo geral momentos de criação artística ao vivo propostos e instigados pelos bailarinos e diretores da Cia Pé no Mundo, Cláudia Nwabasili e Roges Doglas”.

A bailarina baiana Leilane Teles, destaque do teatro musical brasileiro, está na websérie Traduções Simultâneas, da Cia. Pé no Mundo – Foto: Coletivo Sobre.Olhar/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Eles convocaram outros seis bailarinos negros, seis músicos negros e seis críticos de artes e/ou artistas-comentaristas, também negros (entre eles o autor deste Blog do Arcanjo), criando uma interação e comunicação potente entre dança, música e fala (oral, gestual ou escrita).

As rodas de conversa foram mediadas pela jornalista, crítica e pesquisadora das artes Mariana Queen Nwabasili, que também foi uma das roteiristas e codiretora do projeto, ao lado de Cláudia Nwabasili e Roges Doglas.

O músico paulista Mauricio Pazz está websérie Traduções Simultâneas, da Cia. Pé no Mundo – Foto: Coletivo Sobre.Olhar/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Participam da websérie os bailarinos Cláudia Nwabasili, Daniele Santos, Leilane Teles, Leonardo Muniz, Otávio Portela e Roges Doglas; os músicos Fábio Leandro, Mauricio Pazz, Renato Pereira, Vanessa Ferreira, Sthe Araújo e Silvany Sivuca; e os comentaristas-críticos Bergson Queiroz, Kléber Lourenço, Mariana Queen Nwabasili, Miguel Arcanjo Prado, Paula Salles, Rosane Borges e Yaskara Manzini. Todos nomes com forte atuação na cultura brasileira contemporânea, com olhar sensível à valorização das artes negras.

O jornalista e crítico mineiro Miguel Arcanjo Prado está na websérie Traduções Simultâneas, da Cia. Pé no Mundo – Foto: Coletivo Sobre.Olhar/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

A websérie da Cia. Pé no Mundo ainda teve gravação, edição e finalização em vídeo de Osmar Zampieri, com Daniel Carvalho na assistência de câmera, figurinos de Karla Pê, iluminação de Rossana Boccia, fotos do Coletivo Sobre.Olhar, catering de Cozinha Fermenta, além de produção executiva de Lucas Ferrazza e produção geral de Ana Luiza Arra.

Veja a seguir o episódio que reúne os bailarinos-diretores Cláudia Nwabasili e Roges Doglas ao músico Maurício Pazz, à bailarina Leilane Teles e ao jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado.

Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela ECA-USP e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. Eleito três vezes pelo Prêmio Comunique-se um dos melhores jornalistas de Cultura do Brasil. Nascido em Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. É crítico da APCA, da qual foi vice-presidente. Passou por Globo, Record, Folha, Contigo, Editora Abril, Gazeta, Band, Rede TV e UOL, entre outros. Desde 2012, faz o Blog do Arcanjo, referência no jornalismo cultural. Em 2019 criou o Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal de SP. Em 2020, passou a ser Coordenador de Extensão Cultural e Projetos Especiais da SP Escola de Teatro e começou o Podcast do Arcanjo em parceria com a OLA Podcasts. Foto: Bob Sousa.

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