Morre Quino, criador de Mafalda, aos 88 anos

Por Miguel Arcanjo Prado

Morre Quino, criador da menina argentina mais amada pelos brasileiros e pelo mundo inteiro, a inteligente e sensata personagem Mafalda.

Segundo o jornal argentino Clarín, o cartunista faleceu nesta quarta (30), aos 88 anos. Ele vivia em Mendoza, sua terra natal.

“Morreu Quino. Todas as pessoas boas no país e no mundo o chorará”, afirmou ao jornal argentino Página 12 o editor Daniel Divinsky, da Ediciones La Flor, que edita os livros de Mafalda.

A personagem Mafalda, de Quino, está entre os mais importantes feitos de cartunistas na América Latina, ao lado de Mônica, criada pelo brasileiro Mauricio de Sousa em 1962. Ambas conquistaram sucesso internacional.

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O dia em que Mônica e Mafalda finalmente se encontraram
Quino recebe desenho de Mauricio de Sousa em 2015 unindo Mafalda e Mônica: os dois maiores cartunistas da América Latina – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo

Seu nome de batismo era Joaquín Salvador Lavado, de apelido Quino, nascido em Mendoza, Argentina, em 17 de julho de 1932.

Mafalda foi publicada pela primeira vez em 1964, uma criança questionadora do capitalismo, da exploração do homem pelo homem e das guerras. A menina de ideias progressistas logo ganhou o coração dos argentinos e, posteriormente, do mundo todo.

A garotinha portenha que odeia sopa e ama a liberdade tornou-se um ícone mundial da Argentina assim como o cantor Carlos Gardel, a cantora Mercedes Sosa e o jogador de futebol Maradona.

Tanto que milhares de brasileiros que visitam Buenos Aires fazem questão de tirar foto com a estátua de Mafalda que está localizada no bairro portenho de San Telmo e que foi inaugurada com a presença de seu criador.

Mafalda foi vista por mais de 220 mil pessoas em SP

Em 2015, os 50 anos da personagem Mafalda foram celebrados em São Paulo com a exposição O Mundo Segundo Mafalda, na Praça das Artes, no centro paulistano. Mais de 220 mil pessoas visitaram a mostra gratuita sobre a querida personagem argentina durante os três meses do evento. Na abertura, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT) tocou na guitarra Blackbirdd, dos Beatles, a banda preferida de Mafalda.

“Quino deixa um legado sem data de vencimento, deixa uma ideia, um pensamento, uma luta, uma mensagem criada em uma das personagens de quadrinhos mais importante do mundo, que inspirou, e inspira até hoje, gerações de pensadores, de pessoas que se importam com o outro, que acreditam no futuro e na luta dos direitos humanos como algo natural, com a mesma simpleza que essa menina inocente olha para o mundo”, declarou Hernan Halak, da produtora Mundo Giras, que organizou a exposição O Mundo Segundo Mafalda.

A morte de Quino mexeu com admiradores de Mafalda no Brasil e na Argentina. “O mais triste de perdermos Quino é ser justamente agora, quando mais precisaríamos de Mafalda e sua brilhante argúcia para traduzir com todo aquele humor, ironia e leveza só dela, o inviável momento do mundo ao qual chegamos”, declarou Guta Nascimento, jornalista e diretora da revista CLAUDIA.

O analista de sistemas e professor de tecnologia Danilo Ribeiro, baiano que já viajou diversas vezes à Argentina, lamentou: “Quino não criou apenas uma personagem… Ele criou uma verdadeira representatividade para toda a América Latina. Por muitos anos, Mafalda foi a voz dos latinos nas discussões políticas, sociais e até econômicas. E fazia isso com propriedade e, claro, bastante personalidade! Embora nascida na querida Argentina, Mafalda era uma verdadeira cidadã do mundo, a quem muitas vezes precisou puxar a orelha pelas atitudes, digamos, questionáveis. Com Mafalda, Quino deixa um grande legado. Agora cabe a nós, mundo, abusarmos da sua arte para tornarmos o planeta um lugar melhor para todos.”

Já a professora de português Luciana Duarte, brasileira radicada em Buenos Aires, afirmou: “Morreu Quino. Criador que levou Mafalda ao mundo. Desenhista e humorista gráfico, crítico audaz da sociedade, entre tantas outras coisas, nos fez refletir, através de sua personagem icônica, porque os adultos ensinam às crianças coisas que não praticam”.

A ex-presidente da Argentina por dois mandatos e atual vice-presidente do país, Cristina Kirchner, disse: “Este homem nos iluminou com Mafalda, que dizia coisas que não se podia dizer em uma época de censura. Até sempre, mestre”.

Lembre a seguir algumas das imagens da exposição O Mundo Segundo Mafalda.

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