Crítica: Bacurau é aula atemporal de cinema e política

O ator alemão Udo Kier em cena do filme Bacurau: “doses cavalares de política e revolução popular numa pegada universal” – Foto: Divulgação – @miguel.arcanjo UOL

Por Átila Moreno
Crítico convidado

Desde Cidade de Deus, não houve filme brasileiro tão arrebatador, autoral e necessário. “Bacurau” é cinema vivo que percorre na veia e na pele do espectador, diante de um Brasil moribundo e anestesiado.

Ao lado de Juliano Dornelles, Kleber Mendonça Filho consegue, mais uma vez, a proeza de criticar o sistema, dialogando esteticamente com seus dois filmes antecessores: “Aquarius” e “O Som ao Redor”.

Só que “Bacurau” traz doses cavalares de política e revolução popular numa pegada universal.

A história gira em torno de um Brasil distópico, em frangalhos, pós-apocalíptico, regado à escassez de água e atropelado pela cultura armamentista norte-americana.

Como uma mísera cidadezinha do interior  vai conseguir articular uma resistência ao massacre colossal que se aproxima?

Cena do filme Bacurau: “uma aula de cinema e política atemporal” – Foto: Divulgação – @miguel.arcanjo UOL

“Bacurau” chega a ser magnífico por reproduzir inúmeras camadas sociais para concluir uma resposta, bebendo em várias fontes, num mergulho visual, frenético e estarrecedor.

É o faroeste vingativo de Quentin Tarantino, é a ficção científica ácida de Stanley Kubrick, é o realismo fantástico de Steve Spilberg, é a narrativa sincopada de Akira Kurosawa. É o “Encouraçado Potemkin”, de Serguei Eiseinstein. É “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha.

É Kleber Mendonça Filho mostrando ao mundo os horrores de um futuro não muito distante, abrindo largada para uma ponta de esperança e luta.

Uma aula de cinema e política atemporal.

Por Átila Moreno*
Crítico convidado
“Bacurau”
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Avaliação : Ótimo
*Jornalista formado pelo UNI-BH e pós-graduado em Produção e Crítica Cultural pela PUC Minas.

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