Sem voz de Angela Maria, Brasil fica mudo, triste e desafinado

Angela Maria (1929-2018) – Foto: Capa do livro biográfico “Angela Maria: A Eterna Cantora do Brasil”, de Rodrigo Faour – Divulgação – Blog do Arcanjo – UOL

O Brasil acorda mudo, triste e desafinado neste domingo (30) com a notícia de que partiu uma das maiores estrelas de sua música. Angela Maria morreu, aos 89 anos, na noite deste sábado (29), em São Paulo, vítima de uma infecção generalizada.

Para se ter noção da importância de Angela Maria para a música brasileira, basta dizer que Elis Regina, por tantos críticos apontada como a maior cantora que existiu neste país, teve Angela Maria como sua maior referência e a copiava no começo da carreira. Igualzinho Angela Maria fez com Dalva de Oliveira.

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Rainha do Rádio, nos tempos em que o veículo de massas delimitava os gostos e as paixões dos brasileiros, Angela Maria jamais abriu mão de sua majestade. Afinada até o fim, manteve-se ativa nos palcos, mesmo diante de todas as mudanças que a música enfrentou desde que ela surgiu nos programas de calouros radiofônicos.

Dona de voz aveludada e tempo preciso para impor notas e versos, ela se destacou ainda menina, chegando cedo ao topo da carreira, reverenciada por todo um país. Entre os anos 1950 e 1960, não tinha para ninguém: Angela Maria era imbatível, como conta em detalhes Rodrigo Faour no livro “Angela Maria: A Eterna Cantora do Brasil”.

O apelo popular da música de Sapoti, seu carinhoso apelido dado pelo fã e presidente Getúlio Vargas, é inegável. Desde os tempos do coro da Igreja Batista do Estácio, na zona norte do Rio, a garota nascida em 13 de maio de 1929 em Conceição do Macabu, no interior fluminense, exercia um fascínio absoluto em quem a ouvisse.

Ciente disso, enfrentou os pais religiosos na busca de seu sonho de ser cantora, já que eles não queriam uma filha artista. E conquistou tudo que desejou: o topo da carreira musical no Brasil.

Certa vez, em Portugal, logo que Maria Rita despontou como cantora, a fotógrafa Silvana Garzaro resolveu que era preciso promover o encontro de Sapoti com a filha de Elis. Foi um dos dias mais emocionantes da música brasileira. Afinal, Maria Rita conheceu ali a figura que sua mãe, quando menina, queria ser quando crescesse, entendendo que era preciso reverenciá-la. E Angela Maria foi extremamente generosa com a novata.

Afinal, Angela Maria sabia ser grande. E reconhecer música de qualidade.

“Eu gostaria de ser lembrada como uma pessoa amante da boa música. Quero daqui a cem anos ser lembrada como a cantora de ‘Gente Humilde'”, declarou, em especial exibido pelo Canal Brasil em 2012.

Que o Brasil desmemoriado jamais se esqueça de Angela Maria, referência de maior cantora do Brasil, e sempre a ouça cantando ‘Gente Humilde’, ‘Babalú’ e tantas outras pérolas eternizadas por  sua inesquecível voz.

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