Drag queen rouba a cena no clipe de Ludmilla Cheguei

Drag Queen Regina Schazzitt, criada pelo ator e bailarino Régis Schazzitt, rouba a cena no clipe “Cheguei”, de Ludmilla – Foto: Reprodução

Por Miguel Arcanjo Prado

O ator e bailarino Régis Schazzitt é figura conhecida no meio artístico paulistano. Seja atuando em algum musical ou mesmo arrasando em alguma coreografia nos programas da TV, ele é o criador da drag queen Regina Schazzitt, que bomba na festa teatral Gambiarra, onde é uma espécie de hostess-bailarina com toda a fartura de seu carisma e sensualidade.

A personagem é destaque no novo clipe da cantora Ludmilla, “Cheguei”, dirigido por Felipe Sassi. No videoclipe, com quase 25 milhões de visualizações até o momento, Regina é colega de classe de Ludmilla e também dança com a funkeira na quadra da escola que ambienta a história. Regina, mesmo ao fundo, rouba a cena com suas caras e bocas.

Régis conversou com o Blog do Arcanjo do UOL sobre este trabalho. Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi fazer este clipe?
Régis Schazzitt — Foi simplesmente fabuloso! Me senti à vontade como drag queen para fazer esse trabalho que já é um sucesso com quase 25 milhões de visualizações. Foi o primeiro clipe que eu fiz montada e confesso que estava ansiosa, pois sabia que, por a Ludmilla ser um grande nome no meio artístico, isso se tornaria um grande sucesso e poderia dar mais visibilidade ao meu trabalho. Fiquei muito honrado com a recepção que eu tive com a direção e toda produção. Rolou muito carinho e cuidado.

Miguel Arcanjo Prado — Qual a importância do clipe colocar uma drag gorda?
Régis Schazzitt — O clipe por si só já é um apanhado de diversidade , pois tinha trans, gays, lésbicas e drags, e isso eu acho ótimo. Até porque essa pluralidade de pessoas e estilos é um fato em nosso cotidiano, ou seja, encontramos e nos relacionamos com todo tipo de pessoa. É claro que fico lisonjeado por ser uma representatividade drag e gorda pra muitas pessoas que estão começando a se interessar por esse tipo de trabalho. Ter esse espaço em um clipe de uma cantora como a Ludmilla nos dias de hoje é uma ocupação artística que faço. Ainda mais com o figurino ousado que eu usei, pois o corpo gordo pode sim ser sensual, sexy, charmoso e lindo. Fico feliz que tanto a cantora como sua produção pensaram em ter um espaço assim para uma drag gorda e, detalhe, não foi só para fazer figuração e, sim, para ser uma de suas bailarinas em seu balé.

Miguel Arcanjo Prado — Já te disseram que você rouba a cena no clipe, mesmo quando está no fundo? O que acha disso?
Régis Schazzitt — Amado, eu fiquei tão agradecida com tantos comentários carinhosos que recebi e até ganhei muitos seguidores em meu novo instagram (@reginaschazzitt) e as pessoas falavam exatamente isso, que eu me destacava muito dentro das cenas e isso é gratificante. É sinal que subi nos saltos e coloquei uma peruca para dar o meu melhor e contribuir com aquele lindo trabalho. Queria mostrar tanto para Ludmilla quanto para sua produção que eu era capaz de fazer esse trabalho. Pelo resultado, acho que deu certo.

Miguel Arcanjo Prado — Há quanto tempo você dança? Qual a sua formação?
Régis Schazzitt — A dança entrou na minha vida por conta do teatro. Um dia um professor chegou a mim disse que eu levava jeito com a dança e deveria agregar essa linguagem ao meu fazer artístico e assim eu fiz. Em 2006 comecei a estudar jazz e ballet clássico e passei por vários estilos de dança. Hoje sou graduada em Licenciatura Plena em Artes habilitada em Teatro e Dança pela Faculdade Paulista de Artes. Gostaria de relatar um algo que aconteceu comigo logo no começo quando fui procurar a dança. Posso?

Miguel Arcanjo Prado — Pode, claro.
Régis Schazzitt — Fui para um teste para ganhar bolsa para estudar ballet. Cheguei a uma determinada escola de ballet e falei que estava lá para o teste, a dona disse que ela não teria pano o suficiente para me tampar e que no ballet não há gordos e que no palco fica feio. Não o bastante, me levou a uma sala e me mostrou seus bailarinos e disse que se eu estava vendo alguma pessoa gorda ali. Chateado, disse que só queria uma oportunidade para fazer o teste. Conclusão, ela me deixou fazer o teste e a examinadora me passou. A dona não conformada disse que toda semana eu seria pesada e tiraria minhas medidas, caso eu não emagrecesse eu perderia a bolsa. Só consegui ficar lá por duas semanas, era muito constrangimento. Hoje, sou sim uma drag gorda ousada à procura de ocupar todos os espaços que tenho direito, afinal meu peso não define minha capacidade profissional.

Miguel Arcanjo Prado — Como foi o contato com a Ludmilla no dia da gravação? Quanto tempo durou?
Régis Schazzitt — Ela foi uma querida comigo, logo que chegou cumprimentou a todos nós e assim iniciou a gravação. Quando nós, os bailarinos, fomos para a quadra gravar a sequência coreográfica, ela me surpreendeu pegando no meu bumbum [risos]. Depois, no final da gravação ,ela passou por mim e disse: “Regina você é uma deusa” eu fiquei muito lisonjeado com aquele comentário, pois estava ali para dar o meu melhor e honrar as drags. Como diria a Mama Ru: “Don’t fuck it up”. Depois tivemos mais uma interação no clipe, porém não entrou na edição. Contudo, comigo ela foi uma fofa sempre com olhares e comentários positivos ao meu respeito. Entrei no set às 17 horas de sexta saí às 6h de sábado. Foi uma madrugada agitada!

Miguel Arcanjo Prado — O que achou de a coreografia ter um bailado bem afro em muitos momentos?
Régis Schazzitt — Eu adorei a coreografia ela tem uma pegada pop com funk e uma pitada de afro. Isso já nos coloca em um lugar diversificado com vários códigos pré-estabelecidos. A cultura negra de forma geral é bem colocada no clipe, vemos muitos blacks bem armados, vários estilos de uma pegada afro e na coreografia não podia ser diferente. Até porque o coreografo Daniel Lourenço é negro e cheio de referências. Como eu disse, esse clipe é uma grande ocupação da diversidade.

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