Rodrigo Jerônimo reverencia ancestralidades no disco Fio Desencapado

Cantor de destaque em BH, Rodrigo Jerônimo lança primeiro disco, “Fio Desencapado” – Foto: Flávio Patrocínio

Por Miguel Arcanjo Prado

“Fio Desencapado” é o primeiro álbum do cantor e ator mineiro Rodrigo Jerônimo. De cara, há uma sonoridade que remete ao manguebeat na canção que dá título ao disco, composição de Makely Ka, adiantando a mistura pop de reverências a ancestralidades musicais brasileiras presentes neste trabalho.

O peso sonoro presente nesta faixa se repete em boa parte das sete músicas do álbum produzido por Guilherme de Marco e gravado no estúdio Confraria, em Belo Horizonte.

Mas há respiros. Como a proposta de docilidade interiorana em “Carrossel e Andor”, de Fabrício Belmiro e Rafael Mourão, que antecipa “Rural”, de Bernardo Leitão, que vai pelo mesmo caminho.

“Desafio”, de Edu Krieger, é faixa simples e potente, com sua homenagem a grandes Joãos de nossa cultura, como Gilberto, Nogueira e Cabral de Melo Neto. “Retirante”, de Guilherme de Marco, Maurício Patitucci e HG Erik, com participação de Bia Nogueira, traz o cortante verso: “Dia bonito a cidade engole, vai-se o belo e desce mais um gole pelo asfalto a me arrastar”.

O violão de Guilherme Ventura que abre “Reza”, composição dele próprio, é ponto forte da canção encerra o disco e reverencia as ancestralidades negra e indígena, tão caras a Rodrigo Jerônimo. É a música mais bela do álbum.

Na voz do cantor, o disco apresenta a nova safra de compositores mineiros e conta com parcerias de expoentes da cena belo-horizontina, como Titane, Sergio Pererê e Bia Nogueira, com sonoridades que dialogam com o rural e o urbano, algo tão presente na capital mineira e que se reflete neste trabalho.

Disco “Fio Desencapado”, de Rodrigo Jerônimo * * * *
Avaliação: Muito bom

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