Cineasta faz documentário sobre pacientes de hospital psiquiátrico

Cena do longa "A Loucura entre Nós", em cartaz nos cinemas - Foto: Gabriel Teixeira

Cena do longa “A Loucura entre Nós”, em cartaz nos cinemas – Foto: Gabriel Teixeira

Por Miguel Arcanjo Prado

A cineasta Fernanda Fontes Vereille resolveu investigar os limites do que é normal no documentário “A Loucura entre Nós”, em cartaz nos cinemas. Com sua câmera diante de pacientes de um hospital psiquiátrico, ela busca desvendar qual seria a tênue linha entre a “sanidade” e a “loucura”.

“Eu e minha equipe buscamos ter acesso à subjetividade dos nossos entrevistados através da palavra. Procuramos acessar o universo daquelas pessoas que seriam entrevistadas”, conta.

“Este foi o meu primeiro longa e quatro anos se passaram do momento em que eu decidi filmar até o filme pronto. Acompanhei e estive envolvida em todos os momentos”, lembra. “Os encontros que tive através deste filme foram um divisor de águas na minha vida. Foi um processo desafiador e perturbador”, define a cineasta, cuja visão sobre a temática mudou no processo de filmagem.

A cineasta Fernanda Vareille - Foto: Amanda Gracioli

A cineasta Fernanda Vareille – Foto: Amanda Gracioli

Formada em direito, Fernanda nunca exerceu a profissão. Assim que recebeu o diploma, tomou um voo para a Inglaterra, onde fez mestrado em documentário na University of London.

Seu primeiro filme, o curta “Deixe-me Viver”, sobre artistas e voluntários palestinos diante do muro na Cisjordânia lhe rendeu o prêmio de melhor documentário dado pelo júri do Festival de Cinema da Anistia Internacional em Paris, para onde se mudou para estudar cinema e audiovisual na Universidade Sorbonne Nouvelle, em um segundo mestrado. Nesta época, fez o curta “La Bascule”. Desde 2010, se dedicou ao filme “A Loucura entre Nós”, filmado por três anos no Hospital Juliano Moreira, em Salvador.

“A ideia partiu de uma conversa com Dr. Marcelo Veras, psicanalista, autor do livro ‘A Loucura entre Nós’, que me apresentou ao Hospital Juliano Moreira. Ele me deu um exemplar do seu livro, que serviu de inspiração para o filme, e também viabilizou o processo para que eu pudesse entrar no hospital com minha equipe”, revela.

“No livro, ele conta sua experiência como diretor do hospital. A obra serviu de inspiração para o filme, mas o filme mostra o meu encontro com as pessoas”, diz.

E a cineasta tem uma definição para loucura e normalidade após esta experiência? “Essa é a pergunta mais difícil para responder. Não acho que há uma resposta, pois sempre vai depender de vários fatores. Quem assistir ao filme verá que não dou essa resposta. Esse limite não é tão claro”.

“A Loucura entre Nós”
Programação entre 11 e 17/8/2016

SÃO PAULO
Caixa Belas Artes | 18h – Sala 6
Espaço Itaú Frei Caneca | 18h – Sala 6

RIO DE JANEIRO
Estação Net Botafogo | 19h10 – Sala 2

SALVADOR
Saladearte Paseo | 19h35 – Sala 1
Espaço Itaú Glauber Rocha | 13h30, 15h10 e 19h – Sala 4

VITÓRIA
Cine Metrópolis | 17h

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