Diante da crise, Teatro Oficina pede doação de fãs mecenas

Camila Mota e Zé Celso em cena no Oficina - Foto: Jennifer Glass

Camila Mota e Zé Celso em cena no Oficina – Foto: Jennifer Glass

Por Miguel Arcanjo Prado

Mundialmente reconhecido, o Teat(r)o Oficina, criado em 1958 e desde então sob o comando do diretor José Celso Martinez Corrêa, o Zé Celso, enfrenta a crise econômica conclamando seus fãs a colaborarem de forma constante para a manutenção do espaço e do trabalho dos artistas, virando uma espécie de mecenas do século 21. O grupo escolheu o último dia 24 de junho, Dia de São João, para lançar plataforma digital de doação direta.

Os apoiadores têm possibilidade de ter seus nomes divulgados, como “mecenas reconhecidos”. Mas, quem assim desejar, poderá manter o anonimato. As doações podem ser únicas ou então mensais, em plano anual, com utilização do cartão de crédito.

O grupo, cuja sede foi eleita o teatro mais belo do mundo pelo jornal inglês The Guardian, conta com ainda com o patrocínio da Petrobras, que existe desde 2005, mas viu a verba ser reduzida significativamente após a crise político-econômica que se abateu sobre o Brasil.

“O patrocínio da Petrobras é maravilhoso, bem-vindo, mas não é suficiente para cobrir um ano de trabalho e de manutenção do espaço. Ainda estamos na fase de contratação, mas com valores reduzidos em relação ao ano passado. O valor da Petrobras corresponde a aproximadamente 27% de nossas necessidades”, explica Cafira Zoé, integrante da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.

Contas atrasadas

Com contas de água, luz e aluguéis de depósitos atrasadas, o grupo pede ajuda para conseguir manter seus espetáculos em cartaz e as atividades da Universidade Antropófaga, que forma novos artistas da companhia. “Nosso caixa está praticamente zerado”, revela Cafira.

Zé Celso e seus artistas apostam forte na plataforma de financiamento direto e coletivo, sobretudo “para que num futuro próximo a companhia possa ser financiada inteiramente por esta nova modalidade: a contribuição coletiva”.

Camila Mota, atriz integrante do Oficina, diz que o objetivo é “conquistar independência de criação e potencializar os trabalhos e pesquisas da companhia que existe e se transforma desde 1958”.

Teatro Oficina, eleito o mais belo pelo The Guardian - Foto: Mário Pizzi

Teatro Oficina, eleito o mais belo pelo The Guardian – Foto: Mário Pizzi

“Nós temos demandas pragmáticas, de custos de manutenção do espaço que precisam de aportes imediatos, mas nossa maior ambição é, através dessa ação coletiva de financiamento direto, conseguir que o trabalho da companhia possa existir em plena potência através dessa ferramenta”, afirma Camila.

A atriz ainda explica o porquê dos custos altos de manutenção do Oficina: “O trabalho é caro, pois um projeto de vida como esse exige dedicação exclusiva dos artistas, para que o teatro, uma arte que precisa de muita liberdade, seja de fato um espaço de encontro e criação de novas narrativas. Por isso desejamos que nossa ação não seja isolada, que se conecte com outras companhias em direção aos aportes diretos pra criação de uma nova era”, declara.

Zé Celso e seus atores definem esta nova etapa em texto poético: “Novo dia, nova sociedade. Nova maneira de pensar. O mundo é novo. O mundo é novo. É novo. É novo. É um ovo”.

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