Respeitado no teatro, Lee Taylor fala do sucesso de Martim em “Velho Chico”

Lee Taylor como Martim em Velho Chico - Foto: Renato Rocha Miranda

Lee Taylor como Martim em Velho Chico – Foto: Renato Rocha Miranda

Por Miguel Arcanjo Prado

Na pele de Martim, o filho fotojornalista que voltou enfrentar o coronel Afrânio (Antônio Fagundes) em “Velho Chico”, o ator goiano Lee Taylor estreia em uma novela na TV aberta. Sua personagem ganha cada vez mais destaque na trama e aos poucos vai despertar a paixão em Beatriz (Dira Paes), formando um triângulo amoroso com Bento (Irandhir Santos).

Antes da televisão, ele fez cinema e dois seriados, mas sua formação vem de uma respeitada carreira no teatro, no qual foi pupilo de Antunes Filho no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) e protagonista de peças de sucesso do mestre como “A Pedra no Reino”, “Senhora dos Afogados” e “Policarpo Quaresma”.

Após uma década com o mestre, deixou o CPT em 2013 para fundar seu próprio Núcleo de Artes Cênicas, o NAC, que já esteve ligado ao Centro da Cultura Judaica e à Unesp. Neste ano, fez a peça “Na Selva das Cidades”, dirigida por Cibele Forjaz com a mundana companhia.

Bacharel em artes cênicas e mestre em pedagogia do teatro pela USP (Universidade de São Paulo), o ator de 32 anos nascido em Goiânia e radicado em São Paulo tem o nome como homenagem dos pais ao ator norte-americano Lee Majors, do seriado “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, e ao personagem Taylor, interpretado por Charlton Heston, no filme “O Planeta dos Macacos”. Ele conversou com o Blog do Arcanjo do UOL sobre este momento. Leia a entrevista:

Lee Taylor e Camila Pitanga em "Velho Chico" - Foto: Artur Meninea

Lee Taylor e Camila Pitanga em “Velho Chico” – Foto: Artur Meninea

Miguel Arcanjo Prado – Como está sendo estrear na TV?
Lee Taylor – A experiência tem sido estimulante, “Velho Chico” é um trabalho diferenciado, muito sensível, feito com dedicação por excelentes artistas. Me sinto fazendo parte de uma obra totalmente coerente com a minha trajetória artística, pois não senti nenhuma cisão entre os trabalhos que venho desenvolvendo como artista e a novela.

Como foi esta transição?
Minha atuação no teatro, no cinema e a singularidade deste trabalho conduzido pelo Luiz Fernando Carvalho, me permitiram uma transição suave de linguagens. Como estou conciliando o teatro e a novela, nesse momento a minha maior dificuldade na televisão está sendo decorar uma grande quantidade de texto com a antecedência que considero necessária para o estudo e uma elaboração mais sensível da cena.

Martim é um fotojornalista que cobriu guerras - Foto: Artur Meninea

Martim é um fotojornalista que cobriu guerras e volta para acertar contas com seu passado – Foto: Artur Meninea

Quem é o Martim?
Meu personagem é Martim, filho caçula do coronel Saruê e da falecida Leonor, que morreu no seu parto, e irmão de Maria Tereza. Depois de ter fugido de casa após um desentendimento com o pai, Martim se tornou um fotojornalista internacional que cobre conflitos de guerra. Ao ver uma criança morrendo em seus braços, vítima de um tiro, ele decide voltar em busca de suas origens.

Ele quer acertar as contas com seu passado?
Essa experiência provocou um questionamento existencial e uma necessidade de investigação do passado da mãe, sempre velado pela família. A morte da mãe no parto, o conflito com o passado, o rompimento com o pai, a solidão, o olhar do fotógrafo, a transformação da personagem depois de vivenciar a guerra, a volta às origens, entre outras questões relevantes, que estão sendo apresentadas ao público aos poucos, compõem o universo de Martim.

Antonio Fagundes e Lee Taylor em "Velho Chico" - Foto: Paulo Belote

Antonio Fagundes e Lee Taylor em “Velho Chico” – Foto: Paulo Belote

Como compôs o Martim?
Para “Velho Chico”, revi os filmes “Lavoura Arcaica”, do Luiz Fernando Carvalho, “Festa de Família”, de Thomas Vinterberg, “A Árvore da Vida”, de Terrence Malick, assisti os filmes “Pai Patrão”, de Paolo Taviani e Vittorio Taviani, e “Sal da Terra”, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado. Ainda estou pesquisando outras referências a partir do encaminhamento que a personagem está tendo na trama. Diferentemente do cinema, o teatro e a novela permitem essa pesquisa contínua. Atém disso, contei com a orientação do fotógrafo Emidio Luisi, que colaborou não só para manipulação do equipamento, mas ao direcionar meu olhar para a composição da imagem na fotografia.

Como você está sendo recebido na TV?
Com muito respeito e afeto. Boa parte da equipe já conhecia meu trabalho, foram muito receptivos.

O teatro vai te perder pra televisão?
Não sinto esse risco.

Lee Taylor (à dir.) na peça "A Pedra do Reino" - Foto: Emidio Luisi

Lee Taylor (à dir.) na peça “A Pedra do Reino”, de 2006, dirigida por Antunes Filho – Foto: Emidio Luisi

Você tem Antunes Filho como seu grande mestre?
É um mestre incomparável que me permitiu ter a experiência de grandes aprendizados. Trabalhar durante quase dez anos ao lado de Antunes foi além do fazer teatral, foi ter a honra de partilhar dos pensamentos, da criação e da inquietação de um artista único que se dedica diariamente ao sacerdócio de revelar o significado espiritual da arte.

Selma Egrei e Lee Taylor em "Velho Chico" - Foto: Estevam Avellar

Selma Egrei e Lee Taylor em “Velho Chico” – Foto: Estevam Avellar

A televisão já está projetando sua imagem. Como lida com o assédio de fãs? Você tem algum tipo de receio com essa exposição?
Sou uma pessoa bastante reservada, por isso acabo não frequentando muitos lugares públicos. No aeroporto e em restaurantes, percebo que algumas pessoas me olham diferente e geralmente sou abordado para uma conversa sobre a personagem ou para uma foto. Ainda não me deparei com nenhuma situação de assédio. Nas redes sociais recebo diariamente centenas de mensagens de reconhecimento e apoio, que tenho feito o possível para responder. Sempre tive muita consideração pelas pessoas que demonstram um real interesse pelo meu trabalho, esse retorno e essa troca me motivam como ator. Afinal, o principal objetivo do meu ofício é estabelecer um contato com o público.

Lee Taylor e Carlos Vereza em "Velho Chico" - Foto: Pedro Curi

Lee Taylor e Carlos Vereza em “Velho Chico” – Foto: Pedro Curi

Lee Taylor como Martim em "Velho Chico", sua estreia em novelas - Foto: Paulo Belote

Lee Taylor como Martim em “Velho Chico”, sua estreia em novelas – Foto: Paulo Belote

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