★★★ Crítica: A Divina Sarah Bernhardt escrutina estrela francesa de gênio indomável

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
★★★
A DIVINA SARAH BERNHARDT
Avaliação: Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Em cartaz nos cinemas com distribuição da Imovision
É curiosa a insistência com que certas cinebiografias se agarram ao crepúsculo de seus mitos. Em A Divina Sarah Bernhardt, sobre a grande atriz do teatro francês e estrela mundial de seu tempo Sarah Bernhardt (1844-1923), o diretor Guillaume Nicloux evita a grandiosidade do apogeu da lenda para focar em no doloroso fim de sua existência. Mais obcecado por sua intimidade do que em suas performances no palco, o longa busca tirar a estrela do pedestal, preferindo expor os bastidores de coxias e noitadas. Interpretada com um misto de altivez e vulnerabilidade por Sandrine Kiberlain, que é extraordinária ao capturar o temperamento vulcânico de uma artista que insistia em ser o centro das atenções, o longa foca o período posterior à amputação de sua perna, quando a excruciante dor física era contornada por uma determinação quase patológica em permanecer sob os refletores. Nicloux não é condescendente com a biografada, muito pelo contrário, ergue um retrato íntimo e ácido. Presenciamos uma figura egocêntrica, de sexualidade fluída, amante ciumenta e frequentemente intratável com quem orbitava seu cotidiano. Os gritos agudos da personagem voluntariosa e de gênio indomável ecoam por todo o filme. Quando o pomposo cortejo fúnebre finalmente cruza as alamedas parisienses, o espectador compreende que o filme não celebra apenas uma diva, mas o espetáculo ininterrupto de uma atriz que, ao ser a primeira a distribuir autógrafos aos fãs e fazer de sua movimentada vida o centro dos comentários, inventou o pop e o conceito de celebridade, como apregoa a própria divulgação do longa.
Em breve a vida de Sarah Bernhardt será transformada em peça de teatro em São Paulo, com a atriz Arieta Corrêa no papel principal e produção de Alexandre Brazil, do Escritório das Artes.
★★★
A DIVINA SARAH BERNHARDT
Avaliação: Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Em cartaz nos cinemas com distribuição da Imovision
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige Blog do Arcanjo e Prêmio Arcanjo. Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Cultura pela USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Três vezes eleito um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por Globo, Record, Folha, Abril, Huffpost, Band, Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Integra os júris: Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio do Humor, Prêmio Governador do Estado, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Prêmio DID, Prêmio Canal Brasil. Venceu Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio ANCEC, Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade do Prêmio Governador do Estado.
Foto: Rafa Marques
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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